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Postado em 12-09-2010
Arquivado em (Newsletter) por vitor em 12-09-2010 20:02

“Democrática e economicamente, o Brasi dificilmente retrocederá. É a convicção de Maílson da Nóbrega, ex-ministro e economista, baseada em fatos e não isenta de críticas a Lula”, diz o jornal Público na apresentação da longa entrevista exclusiva do ex-ministro da Economia do governo Sarney, que o prestigioso diário português publica na edição deste domingo, 12. Bahia em Pauta reproduz trechos da primeira parte da entrevista.
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Mailson: “Dilma aparece melhor”/PÚBLICO

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Foi ministro da Fazenda de José Sarney entre 1988 e 1990, depois de uma longa e brilhante carreira no Banco do Brasil e uma série de cargos no Banco Mundial e no FMI. Economista de formação, é hoje um dos conferencistas mais requisitados do Brasil e colunista da Veja, depois de ter sido colunista na Folha de S. Paulo e no Estadão. Veio a Lisboa a convite da Fundação Gulbenkian para fazer uma conferência sobre o Brasil e o mundo.

Há meia dúzia de meses, José Serra aparecia ainda com vantagem sobre Dilma Rousseff. Hoje, a candidata do PT já “ganhou” as eleições. O que se passou? Um atestado de confiança absoluta no Presidente Lula?

O Presidente Lula já tem um atestado de confiança de muitos anos. O que se verificou de alguns meses para cá foi a incrível capacidade de transferência de prestígio do Presidente para a sua candidata. Muito acima do que se imaginava. Por outro lado, o Presidente intensificou a campanha e faz isso sem nenhum escrúpulo: usa o Estado, os mecanismos e as funções do Presidente, combina a sua agenda com a da candidata para aumentar a exposição dela ao lado dele. Em terceiro lugar, a campanha pela televisão. Dilma teve duas vantagens: mais tempo de antena do que Serra; a qualidade dos seus programas está parecendo muito melhor do que a dele. Ela toca muito mais a emoção e consegue convencer grande parte do eleitorado – e isso é também um fenómeno – de que foi Lula que mudou o Brasil.

E isso não é verdade?

Isso não é verdade. Houve mais continuidade do que mudança, felizmente para o futuro do Brasil. Mas o Presidente contou com a condescendência da oposição que, ao longo de oito anos, não realçou os seus próprios feitos quando estava no Governo e Lula apoderou-se deles. Então, para a grande massa dos eleitores, o Brasil está melhor por causa de Lula. Este foi um projecto que Lula executou com grande competência: a desconstrução sistemática das realizações de seus antecessores.

Serra era visto como uma pessoa muito competente, quer no Governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC), quer como governador do estado de São Paulo. O problema é não ter carisma?

Creio que a falta de carisma também funcionou, mas não é tão importante assim, porque Dilma também não tem.

É vista como uma tecnocrata.

É. Eu diria que a campanha do Serra não foi bem feita. Ele elegeu como bússola não criticar o Presidente. Vários especialistas dizem que é o correcto porque não se critica mito e o Presidente transformou-se num mito brasileiro. Mas isso parece que funcionou no sentido de amplificar as vantagens da sua opositora.

Há outra crítica entre os aliados de Serra que dizem que ele é muito centralizador, que deu um cunho muito pessoal à campanha. Sobre Dilma, todas as indicações apontam para que ela é muito disciplinada, seguindo de uma maneira religiosa a orientação que lhe foi dada pelos estrategos da campanha.

Já falou na grande continuidade entre Lula e FHC. Alguns analistas dizem que isso se deveu ao facto de Lula se ter colocado acima do PT, distanciando-se das correntes mais radicais. Dilma pode conseguir esse distanciamento?

Não acredito. Faço parte do grupo de analistas que considera que o fenómeno político brasileiro não é o “petismo” mas o “lulismo”. Lula distanciou-se do PT com o seu carisma, a sua capacidade de falar ao público usando metáforas. A sua linguagem é a linguagem do povo. Uma socióloga brasileira chamou-lhe a linguagem da “quase lógica”.

Ora, o PT, ao contrário dos partidos da esquerda europeia, ainda não passou o seu aggiornamento. Ainda é muito caracterizado por visões radicais da economia e da sociedade e tem muitas facções. Desde a trotskista até à social-democrata.

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Leia íntegra da entrevista de Mailson da Nóbrega no jorna Público
http://www.publico.pt/Mundo

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