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Postado em 09-09-2010
Arquivado em (Newsletter) por vitor em 09-09-2010 13:28

DEU EM A TARDE

Meire Oliveira

Com a morte dos ajudantes de mecânico Leandro Marques Cardoso, 27 anos, e Roberto Robson dos Santos, que caíram de uma grua (guindaste) nas obras do Condomínio Le Parc na manhã desta quarta-feira, 8, na Paralela, sobe para seis os óbitos na construção civil este ano na Bahia, contra os oito em 2009. A quantidade de obras embargadas ou interditadas este ano devido ao não-cumprimento de normas de segurança já soma 36 em Salvador, segundo a superintendente regional do Trabalho e Emprego (SRTE), Isa Simões.

“Considero este número alto. As empresas precisam ter consciência de que preservar a vida do trabalhador é o primeiro fator a ser observado”, disse. Após perícia realizada por dois engenheiros da SRTE na tarde de ontem, foi solicitado à construtora que a obra seja interrompida no local do acidente, até que o trabalho de investigação seja concluído. A medida é diferente do embargo, pois tem o objetivo apenas de preservar a investigação das causas do acidente. A previsão da SRTE é entregar o relatório hoje.

Leo e Sergipe, como eram conhecidas as vítimas, trabalhavamnaTecnotrav( empresa terceirizada de gruas e guindastes) e estavam a 45 metros de altura desmontando a grua 02, instalada na 9ª das 18 torres do empreendimento. Quando, de repente, parte da estrutura de ferro partiu e foi ao chão. Aos operários que estavam no canteiro só restou ouvir os gritos de desespero e assistir à queda dos dois colegas, que ainda tentaram se desvencilhar dos cintos de segurança.

“Eles chamaram por Deus e puxaram o cinto, mas não deu” , disse um pedreiro. As duas vítimas caíram a 10 metros de distância do prédio. Na perícia do Departamento de Polícia Técnica (DPT), o corpo de Roberto foi encontrado com a perna esquerda quebrada, fraturas em outras partes do corpo e lesões no tórax e virilha. Já Leandro, que ficou sob a parte da grua que quebrou, teve o crânio esmagado, fratura exposta no pé e esmagamento no tórax.

O corpo dele só foi removido no início da tarde, quando um outro guindaste chegou ao local para levantar a grua. Trabalhando na frente do prédio, Jorge Pereira, 42, correu e escapou de também ser atingido. “Quando vi o guindaste caindo, me joguei para o outro lado e caí junto ao corpo de Leo”, contou. O desespero também tomou conta de Adilson do Nascimento, que correu, caiu em um buraco e permanece internado no Hospital Geral do Estado (HGE).

De acordo com informações da Secretaria Estadual da Saúde (Sesab), ele teve fratura na perna esquerda, passa bem e espera transferência para outra unidade. Logo depois do acidente, todos os trabalhadores foram dispensados. A imprensa só teve acesso ao local quando operários forçaram o portão, contido por dois seguranças, com a chegada da manicure Mauraci Santos Silva, esposa de Leandro.

Durante os seis anos na Tecnotrav, Leandro falava sobre insegurança no trabalho. “Ele reclamava das máquinas e equipamentos que eles usavam. Dizia que eram precários e não tinham manutenção”, contou ela, que tem com Leandro a filha Luana Silva Cardoso, 2 anos. Ao ver a estrutura onde o filho trabalhava, Ivone Oliveira Marques lembrou de ter pedido para Leandro não sair do emprego anterior, em uma construtora.

“Agora todos os engenheiros estão olhando a tragédia de camarote, mas deixavam meu filho trabalhar em cima de um monte de ferro enferrujado. Eles só pensam em dinheiro”, desabafou. A mesma grua que causou a morte dos ajudantes de mecânico era utilizada por um operador que está afastado com licença médica. Ele foi ao local ao saber do acidente.

O operário, que pediu para seu nome ser preservado, revelou que o equipamento oferecia riscos. “O motor parava do nada e quando voltava a funcionar era de vez e balançava tudo. A estrutura da grua também estava comprometida e a gente era obrigado a operar mesmo quando estava ventando muito e na chuva, que é proibido para esse tipo de guindaste”, contou.

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