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Postado em 06-09-2010
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 06-09-2010 11:20

Em seu artigo desta segunda-feira , na Tribuna da Bahia, o jornalista político Ivan de Carvalho comenta sobre as várias frases que estão sendo usadas por várias pessoas, adversárias da candidata do PT a presidente da República ou simplesmente observadoras da conjuntura política, na tentativa de caracterizar a extrema escassez de informação pública a respeito de Dilma Rousseff. Informacõe que o colunista considera cruciais por inúmeros motivos, até por se tratar da candidata que lidera todas as pesquisa de preferência do eleitorado.”Mais exatamente para que o eleitorado decida conscientemente, como deve ocorrer numa democracia, e não com uma venda nos olhos, se deve ou não votar nela”, diz Ivan no texto que BP reproduz.

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OPINIÃO POLÍTICA

Direito à informação

Ivan de Carvalho

Várias frases estão sendo usadas por várias pessoas, adversárias da candidata do PT a presidente da República ou simplesmente observadoras da conjuntura política, na tentativa de caracterizar a extrema escassez de informação pública a respeito de Dilma Rousseff.

Essa escassez está sendo cuidadosamente cultivada pelo governo, pelo PT e pela campanha da candidata. Isso é extremamente grave, pois se trata da candidata amplamente favorita. Daí as constatações que a caracterizam como “uma caixa preta” ou “um envelope fechado”. Sem nenhuma alusão ao caso da Operação Caixa de Pandora, que virou de pernas para o ar a política no Distrito Federal, Dilma Rousseff poderia ser classificada por alguém mais desconfiado como “uma Caixa de Pandora”.

Tal classificação seria certamente uma precipitação e poderia ser ou não uma injustiça, pois essa caixa da mitologia grega continha todos os males. Mas é exatamente para ver o conteúdo daquela que pelo presidente Lula e por uma grande coligação partidária liderada pelo PT foi apresentada à nação brasileira como candidata a presidente da República que se quer abrir a “caixa preta” ou o “envelope fechado”.

Mais exatamente para que o eleitorado decida conscientemente, como deve ocorrer numa democracia, e não com uma venda nos olhos, se deve ou não votar nela.

Bem, se a candidata e sua campanha, assim como sua coligação e seu padrinho político, escondem o que realmente significa a candidata e se esmeram em exibir apenas perfumarias, em falar abobrinhas, justo é que outros busquem, dentro da lei, descobrir o que esteja oculto.

Seja um mestrado e um doutorado que não existiam, salvo na Plataforma Lates do CNPq, seja acompanhando com atenção seu estado de saúde (a saúde das pessoas é coisa só delas, de seus médicos, de suas famílias e de Deus, mas a saúde de quem pode chegar a presidente da República é assunto de interesse nacional), seja buscando revelar o que está em um processo trancado no cofre da presidência do Superior Tribunal Militar. O processo tem a ver com a atividade clandestina de Dilma Rousseff durante o regime militar.

Na edição anterior deste jornal, mencionei de passagem o esforço do jornal Folha de S. Paulo para ter acesso a esse processo. O acesso pedido pelo caminho administrativo normal foi negado. Mistério. Afinal, trata-se de um processo antigo, já encerrado, o que exclui a hipótese, já de si mesmo absurda, de estar “correndo em segredo de justiça”.

Não deveria haver segredo, mas há. E isso torna mais importante e urgente o acesso ao processo e a divulgação do que nele exista, a tempo de que possa seu conteúdo ser examinado pelo eleitorado, exaustivamente, se houver para isto justificativa, em tempo hábil para que seja levado em conta na decisão de cada eleitor.

Como não obteve o acesso normalmente, o jornal paulista entrou com um mandado de segurança que o plenário do STM deverá julgar. Mas deve fazê-lo imediatamente: falta menos de um mês para a eleição.

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Comentários

Marco Lino on 6 setembro, 2010 at 13:50 #

Se alguém pudesse violar esse sigilo do STM, hein? Ficaríamos todos contentes… Não pela quebra do sigilo, é claro, mas pela “verdade” que, numa linguagem de Parmênides, seria desvelada!

Que falta faz o delegado Bruno, hein?

E a Folha, hein? Que patético! Primeiro deu na página principal a ficha da Dilma… Agora entrou na Justiça pela ficha? Que ficha? Não já foi publicada na própria Folha?

Que hilária esta nossa República.

Mas, sinceramente, a Folha não necessita entrar na Justiça Militar para obter favor algum dela, pois os militares lhe devem muito, não? Não foi a Folha quem contribuiu tanto com a ditadura militar a ponto de emprestar-lhe suas ambulâncias para que esta fizesse seu trabalho sujo (inclusive contra jornalistas)?

Republiqueta de sabujos contradizentes da lógica!!!


luiz alfredo motta fontana on 6 setembro, 2010 at 15:08 #

A excrescência chamada sigilo processual

A quem interessa?

Talvez aos pretores, assim não precisam cumprir com o devido processo legal.

Podem errar, e sobretudo, postergar, â vontade.

Afinal a sociedade a quem deveriam servir, jamais saberá o que acontece.

Prestar contas então….nem pensar!!

Horror dos horrores.

Bom mesmo é manter incólumes as eruditas gavetas.

Enquanto isto.

Biografias eleitoreiras são escritas, ou seriam insinuadas?

Como escrever se o sigilo é decretado com tanto ardor?

O sigilo nada mais é do que o manto dos hipócritas.

Nenhum dos três poderes adquiriu o direito de esconder mazelas do povo.

Afinal o que temem?

(pergunta ingênua que deve ser repetida à exaustão)

Caro VHS

Por oportuno transcrevo aqui o Helio Fernandes de hoje, é didático:

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egunda-feira, 06 de setembro de 2010 | 07:10
Utilizar a Receita não é novidade, sempre gozou de impunidade. A ditadura perseguiu a Tribuna durante 10 anos, penalizando empresas que anunciavam no jornal. Ninguém protestou.

É sempre bom começar com um ditado popular: “Pimenta nos olhos dos outros é refresco”. A Receita Federal do mundo inteiro, é a fortaleza do sigilo. O cidadão, obrigado a desnudar toda sua privacidade, espera ou admite, que o cumprimento dessa exigência não se torne público, através da palavra que não pode ser substituída: V-A-Z-A-M-E-N-T-O.

Antes de mais nada, se esse V-A-Z-A-M-E-N-T-O foi ordenado e executado pelo governo, que nomeia e controla a Receita Federal, (e deve ter sido mesmo), foi BURRICE ampla, geral e irrestrita.

Disparada nas pesquisas e até mesmo na apreciação da cúpula adversária, por que os coordenadores (?) de Dona Dilma, cometeriam a heresia de atirar contra o próprio gol? É bem verdade que não existe na liderança (Ha!Ha!Ha!) situacionista, uma só mente brilhante.

Portanto, tudo pode acontecer, neste caso, altamente improvável. Mas como os arquivos da Receita Federal se mostram tão vulneráveis a pesquisas, mas exibem também uma fila enorme de gente COMPRANDO e VENDENDO dados SIGILOSOS, algum “gênio” da campanha de Serra, pode ter tido a ideia de “atirar no próprio pé”.

Não seria surpreendente e não provocaria maiores transtornos ou prejuízos a uma candidatura que não existe.

Isso apenas um suposição, como a outra, tão surrealista quanto o resto que acontece neste país de dívida I-M-P-A-G-Á-V-E-L e que alguns classificam como SEM IMPORTÂNCIA.

O governo Lula tem amplo conhecimento dos métodos de operar a quebra de sigilo, de poderosos e até de humildes “caseiros”, como aconteceu no caso do então poderoso Ministro Palocci. Ele perdeu o cargo, o governo perdeu a credibilidade que já não era muita.

Denunciado pelo “caseiro”, o Ministro da Fazenda, que já viera de Ribeirão Preto com a fama, o conceito e o rótulo de praticar abertamente o que se chama de ABUSO DE PODER, manipulou de todas as formas os subterrâneos, as entranhas e as vísceras da Caixa Econômica e do Banco do Brasil (potências financeiras) para destruir um humilde mas compenetrado “caseiro”.

Demitido, denunciado e julgado pelo Supremo Tribunal Federal, Antonio Palocci foi atingido duramente. Como Sansão, não perdeu o cabelo e sim o cargo, de onde emanava, que palavra, sua força. Morra Palocci, com todos que aqui estão.

No julgamento do Supremo, Palocci ficou completamente nu em plena Praça dos Três Poderes. Só não foi punido severamente e preso, a pedido do próprio Lula, pedido feito através do Ministro mais íntimo de sua casa. “Argumento” usado pelo presidente da República: “O Palocci já foi demitido, perdeu o cargo e o prestígio, não vale mais nada”.

Mas como na trajetória de Lula as punições não valem para sempre, (como ele convenceu o Supremo), logo depois o próprio Lula REABILITAVA Palocci. Lançou seu nome para governador de São Paulo. O que só não se concretizou porque Palocci não conseguiu “empolgar” o PT, e Lula viu no episódio, um ganho político e eleitoral maior, em dose dupla.

Afastado Palocci, (e não por ele, Lula) o jogador de xadrez (artesanal), que é o presidente, decidiu derrubar também o IRREVOGÁVEL MERCADANTE. Convenceu-o a deixar o Senado e se candidatar a governador. Lula, que geralmente “não sabe de nada”, sabia de um fato, que era também do domínio público absoluto: Mercadante não se elegeria governador. Para o Senado, estaria reeleito, se não ganhasse de Tuma, do (engraçado) Netinho de Paula, e do “Disque Quercia para a Corrupção”, então não valia mesmo apóia-lo. E depois de 8 anos de desprezo e desinteresse pelo vice da sua chapa presidencial em 1994, agora se livrava dele para sempre.

(Tudo isso, a eliminação dos principais nomes do PT, a certeza de que Lula deixa o governo no dia 1º de janeiro de 2011, mas não deixa a vida pública, a política, e o prazer de perder e ganhar eleições).

Agora não se sabe como terminará o episódio da “procuração falsa”, falta menos de um mês para a eleição, Serra não consegue conquistar a oposição e ainda é hostilizado pelos correligionários, que tentam jogá-lo contra Aécio e desmoralizar sua campanha, mediocríssima. Já disse aqui: “Toda vez que sai de casa, Serra perde voto”.

A midia fez um estradalhaço tremendo, como se esse fosse o comportamento de sempre. Quem dera. A Liberdade de Imprensa (ou de Expressão, já que as formas de comunicação se multiplicaram) só serve quando atende os interesses dos órgãos que dominam o país na democracia e na ditadura.

Enriquecendo, se fortalecendo e ficando mais poderosos, os órgãos que agora retumbam, ficaram silenciosos, calados e sem dar uma palavra, quando a própria Receita Federal era mobilizada para MASSACRAR A TRIBUNA DA IMPRENSA de papel.

***

PS – Apenas uns dados, que se prolongaram por 10 anos. Dados simples, mas elucidativos, com nomes, datas e a obtenção do massacre do único jornal diário que resistiu à ditadura, e do Ú-N-I-C-O jornalista PROIBIDO DE ESCREVER, de exercer a sua profissão.

PS2 – Subjugado o jornal pela CENSURA OSTENSIVA, que para os jornalões era apenas maquiagem, continuamos a resistência. Decidiram então usar outros métodos que só terminaram ou terminariam depois da ANISTIA, ampla, geral e irrestrita.

PS3 – Resolveram então mobilizar esta mesma Receita Federal. Seu Secretário-Geral, Orlando Travancas, P-E-S-S-O-A-L-M-E- N-T-E, ia às empresas que anunciavam na Tribuna.

PS4 – Levava uma equipe de AUDITORIA, e se apresentava para “examinar as contas”. Os responsáveis perguntavam : “Por que isso, nunca tivemos problemas com DECLARAÇÕES?”

PS5 – Travancas mostrava o anúncio na Tribuna, propunha: “Os senhores não estão anunciando na Tribuna? Se assumirem o compromisso de NÃO ANUNCIAR MAIS, IREMOS EMBORA PARA SEMPRE”. Quem insistiria em anunciar?

PS6 – Encurtando: isso durou 10 anos, não houve protesto de órgão algum, ou de Associações de Jornais, que só representavam os que COMPACTUAVAM COM A DITADURA.

PS7 – Se tivessem PROTESTADO 1 POR CENTO DO QUE PROTESTAM AGORA, já teriam provocado algum efeito.


Marco Lino on 6 setembro, 2010 at 20:51 #

Cá entre nós, Hélio Fernandes tem a egolatria de Aquiles e a soberba de Odisseu, mas é difícil não gostar dele…

O cidadão atira para todos os lados e não poupa sr ninguém.

Mais um nonagenário lúcido…


Carlos Volney on 7 setembro, 2010 at 19:04 #

Interessante, o artigo. O articulista não é nada tendencioso, hein? Só falta ele pregar um novo golpe militar – parece-me, aliás, que ele até insinua – para evitar uma possível eleição de Dilma.
Fico à vontade para opinar pois nem voto nela e sim em Marina. Mas creio que se o PSDB/DEM perder também esta eleição que se aproxima, a Bahia corre sério risco de perder um articulista por suicídio.


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