“Alerta ou queixa, não importa, a obrigação do presidente é mandar verificar o que está ocorrendo com um importante órgão do governo que preside”. Esta é a opinião do jornalista político Ivan de Carvalho no artigo da edicao deste fim de semana na Tribuna da Bahia sobre as denúncias contra a Receita Federal. Bahia em Pauta reproduz o texto. (VHS , de Belem do Pará)

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OPINIÃO POLÍTICA

Desta vez, Lula sabia

Ivan de Carvalho

A Receita Federal quebrou ilegalmente o sigilo fiscal da filha do candidato tucano José Serra e está desmilinguindo sua credibilidade, que já estava abalada por anteriores invasões com motivação política, ao oferecer explicações esfarrapadas e tentar encobrir partes da verdade.
Vale lembrar o Caso dos Aloprados, de 2006, que visava a atingir o próprio José Serra, então candidato a governador de São Paulo e Geraldo Alckmin, candidato também do PSDB a presidente da República, concorrente do petista Luiz Inácio Lula da Silva, que buscava a reeleição.
Vale ainda lembrar que antes de ser amplamente revelada a violação do sigilo fiscal de Verônica, a filha de Serra, quatro outras pessoas ligadas ao candidato por laços familiares ou ao PSDB (inclusive o vice-presidente nacional do partido, Eduardo Jorge, que teve o seu sigilo fiscal violado pela terceira vez) foram vítimas do mesmo crime.
O candidato do PSDB a presidente, já no dia 25 de janeiro deste ano, disse ao presidente Lula – mostrando evidências – que eram fortes as suspeitas de que o sigilo fiscal de sua filha havia sido violado e que dados daí decorrentes estavam sendo divulgados em “blogs patrocinados”. Agora, quando Serra revelou à nação essa sua conversa com o presidente (ocorrida durante uma solenidade de aniversário de São Paulo), Lula confirmou, ressalvando que Serra não o alertou a respeito, mas apenas “se queixou”.
Onde é que está a diferença entre alertar o presidente ou se queixar ao presidente? De qualquer maneira, é o presidente que nomeia o ministro da Fazenda, ao qual está subordinada a Receita Federal, e é o presidente que determina quem comanda ou não a Receita Federal. Alerta ou queixa, não importa, a obrigação do presidente é mandar verificar o que está ocorrendo com um importante órgão do governo que preside e cuidar para que a situação criminosa não se prolongue e para que os culpados sejam responsabilizados.
Lula não fez nada disso.
E agora vem fazer diferenciação semântica entre alertar e se queixar e prever que os adversários políticos de sua candidata a presidente Dilma Rousseff vão “baixar o nível”. Para o presidente, pelo que dá para entender, “baixar o nível” significa protestar de forma barulhenta contra a prática recorrente de um crime com a utilização de um poderoso instrumento do Estado, a Receita Federal.
Dizer que isso é “baixar o nível” é que é baixar o nível.
Enquanto isso, seguindo os trâmites normais, o jornal Folha de S. Paulo quis ter acesso ao processo que resultou na prisão de Dilma Rousseff durante o regime militar vigente de 1964 a 1985. O processo está em um cofre guardado na presidência no Superior Tribunal Militar. Como um pedido administrativo de acesso ao processo foi negado, o jornal impetrou mandado de segurança para obter na Justiça o direito de examinar o processo guardado por decisão do presidente do STM, Carlos Alberto Marques Soares. O plenário do Superior Tribunal Militar terá de julgar o mandado. É estranho que essa providência seja necessária para um órgão de comunicação obter acesso a um processo desse tipo.

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 5 setembro, 2010 at 6:54 #

Ah o sigilo, refúgio dos hipócritas!

Este blogueiro de vagas horas tem insistido, aqui e acolá, com uma pequena dúvida:

– “Quem fiscalia o Fisco?”

Desnecessário dizer que não obteve, e ao que parece, não obterá resposta.

O que sabemos, fruto do aprendizado sob a tortura do medo, é que ele, o Leão, arroga-se ao direito de escolher suas vítimas.

Contrário fosse, e certamente as polpudas declarações de dinheiro em époecie, dos cândidos políticos, que povoaram os jornais recentemente, teriam, ao menos caido na famosa “malha fina”.

Mas não, esta malha é só para os incautos cidadãos comuns, aqueles que tremem anualmente ao garatujarem suas “conquistas” na forma de apaixonadas “Declarações ao Fisco”.

Tente o leitor distraído repetir a ousadia e declarar uma significativa quantia de dinheiro em espécie, ou seja, aquele que não tem rastro.

Será imolado em hasta pública!

Com direito à manchete e fotografia de frente e lado.

Afinal, ao que parece, o Leão escolhe, além de vítimas, seus “amigos da selva”.

Dizem os tucanos: – aparelharam o Fisco!

Nada de novo no horizonte, afinal, aparelhamento é uma das lições do sempre lembrado Getúlio, o Vargas!

Mas, ao que parece não é só isto, vai além, está na cultura da Receita.

Aqui, uma pequena luz no texto de Renata Lo Prete, na coluna Painel, Folha de são Paulo:

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“Não é… Há um buraco na narrativa segundo a qual a situação “casa da mãe Joana” da Receita Federal se deve ao aparelhamento promovido no órgão pelo PT.

…o que parece Para se viabilizar como substituto de Lina Vieira, uma das providências tomadas por Otacílio Cartaxo foi pedir a bênção de Everardo Maciel. Hoje, o poderoso secretário da era tucana tem gente sua instalada em postos-chave da Receita.”

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Ao que parece, nem só de “aparelhos” e “aparelhados’ é composto esse “painel sigiloso”. Na escuridão todos são pardos.


luiz alfredo motta fontana on 5 setembro, 2010 at 7:26 #

errata

-“Quem fiscalia o fisco?” = -“Quem fiscaliza o Fisco?”


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