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Postado em 29-08-2010
Arquivado em (Newsletter) por vitor em 29-08-2010 14:17

Deu no Diário de Notícias , de Portugal, em reportagem assinada pelo jornalista SÉRGIO BARRETO MOTTA, direto do Rio de Janeiro. O texto foi publicado com destaque na edição dominical do tradicional diário europeu, editado em Lisboa

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O desespero começa a apoderar-se da oposição brasileira. A mais recente sondagem, elaborada pela Datafolha, mostra a candidata oficial do Partido dos Trabalhadores (PT), Dilma Rousseff, com 49% de intenções de voto, contra apenas 29% de José Serra, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).

Embora uma eleição costume esconder surpresas, sobretudo no Brasil, já começa a ser comentado que a táctica da oposição ao actual poder político vai centrar-se em objetivos menores, à medida que vai perdendo a esperança de vir a conquistar o Palácio do Planalto.

Para o PSDB, importa sobretudo manter o controle de algumas das mais importantes regiões que tem sob o seu domínio, como os estados de São Paulo, Paraná e Minas Gerais, de modo a evitar que Lula e o seu PT tenham uma presença excessivamente forte no cenário nacional.

A oposição pode vencer com o ex-candidato presidencial Geraldo Alckmim em São Paulo, Beto Richa, no Paraná e Aécio Neves, em Minas Gerais. Qualquer deles lidera, destacado, as sondagens que têm vindo a ser divulgadas.

No palácio presidencial, nota- se um enorme esforço para conter a euforia. A sondagem da Datafolha indica que 79% dos brasileiros consideram o governo Lula ótimo ou bom, o que, após quase oito anos de mandato e após enfrentar uma crise económica mundial em 2009, acaba por ser um resultado incrível.

A verdade é que o PT perdeu a sua visão radical – que previa, inicialmente, o não-pagamento da dívida externa, a revisão da dívida interna e o apoio à invasão de propriedades agrícolas pelo Movimento dos Sem Terra – e aliou-se ao centrista PMDB, que tem vindo a revelar-se o maior partido do país em eleições legislativas.

Assessores de Lula disseram ao DN que o PT pode, numa visão optimista, acabar por ficar no poder por duas décadas consecutivas. Basta fazer as contas. Em Dezembro, Lula completará dois mandatos sucessivos de quatro anos; se Dilma vencer, supõe-se que, em 2014, não tente a reeleição mas ceda a vez de novo a Lula, que ficaria mais oito anos à frente do Brasil.

Seriam então 20 anos de PT no palácio presidencial, com 16 de Lula e quatro de Dilma. Cálculos que, naturalmente, estão sujeitos às incontroláveis variações da política.

Antes de chegar ao poder, Lula passou por várias derrotas eleitorais e quase desistiu de se candidatar. A sua oportunidade surgiu enfim em 2002, quando o presidente Fernando Henrique Cardoso, impedido de se recandidatar pela Constituição, não conseguiu transmitir a sua popularidade política a José Serra, seu correligionário. A população não recebeu bem as privatizações feitas durante o mandato de Fernando Henrique, e, além disso, houve uma crise de energia que obrigou os brasileiros a reduzir o consumo de eletricidade.

Lula também enfrentou dificuldades, relacionadas com o escândalo do “mensalão” – pagamento ilegal a deputados para votarem a favor do Governo -, mas conseguiu superar a crise, acabando por ser reeleito em 2006.

As sondagens dão a vitória a Dilma, eventualmente logo à primeira volta. Depois, Lula pode voltar. Talvez por mais oito anos.

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