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Postado em 29-08-2010
Arquivado em (Newsletter) por vitor em 29-08-2010 10:47

Heliana Frazão (UOL)
Em Salvador

Bastou um único click no acionador e, em 17 segundos o anel superior da Fonte Nova, batizada Estádio Octávio Mangabeira, a maior arena esportiva da Bahia, em Salvador, foi abaixo, às 10:24 horas na manhã deste domingo, 29, como um gigante que vai ao chão. Com ele, saíram de cena 59 anos de história do principal palco do futebol baiano. Em seu lugar será erguida uma nova arena esportiva, à cargo do consórcio Arena Salvador 2014 (Odebrecht e OAS). O novo estádio irá sediar jogos da Copa das Confederações em 2013 e jogos da Copa do Mundo de 2014.

O ministro dos Esportes, Orlando Silva, prestigiou o acontecimento, ao lado de várias outras autoridades estaduais e municipais. Logo depois, o presidente do consórcio Dênio Cidreira, entregou ao ministro um pedaço de concreto da, agora, antiga arena, para ser guardada como lembrança.

Nos dias que antecederam a implosão, porém, quem passava pela Fonte via somente o anel superior. O inferior já havia sido demolido. Restou ainda a tribuna de honra, que cairá em outro momento, com o auxílio de máquinas. A opção por uma posterior demolição mecanizada visou evitar danos em edifícios localizados em áreas próximas.
Toda a engrenagem montada para histórica e inédita demolição do estádio, a primeira da América Latina, impôs mudanças à rotina dos baianos, com evacuação de residência do entorno, ruas interditadas, estacionamentos proibidos, mudanças das linhas de ônibus, desvios e inversões de tráfego. Essas ações visaram garantir a segurança da população.

A recomendação passada era a de que as pessoas ficassem em casa, assistindo pela televisão, afinal todos os canais locais transmitiram ao vivo a implosão. Ainda assim, um grande número de pessoas se fez presente nas imediações, para assistir ao fim da velha Fonte Nova, que sempre foi uma referência não só esportiva, mas social, cultural, turística e até do ponto de vista geográfico da cidade.

Por ser o nosso principal estádio, a Fonte Nova permanecerá em nossas lembranças, a implosão não apagará a suas história. Agora, sai a velha e entra o conceito do novo, com mais segurança, e mais conforto”, disse Raimundo Nanato, o ex-jogador Bobô, diretor geral da Superitendência de Desporto da Bahia (Sudesb).
A missão de apertar o botão que tirou de cena o estádio ficou à cargo do engenheiro civil Morgan Wattinks, engenheiro da civil da Arcoeng, empresa responsável pela demolição. Mas o comando foi do também engenheiro civil baiano Carlos Augusto Freire de Carvalho, frequentador do estádio desde 1966. Ele revelou ter guardado como lembrança alguns pedaços do estádio.

“Está é também minha primeira vez atuando na implosão de um estádio e justo este onde vivi tantas emoções. São muitas as recordações”, disse Carvalho, que é torcedor do Bahia, time que tinha o seu mando de campo na Fonte Nova.

Momentos antes da consumação do fato, ele falou pelo rádio com cada um dos nove postos montados ao redor do estádio e, somente após receber constatar que estava tudo certo, ele acionou o detonador, uma espécie de bastão, com cerca de 25 cm.

Toda a operação movimentou um grande contingente estimado em cerca de 1.100 integrantes da Defesa Civil, Polícia Militar, Guarda Municipal, Transalvador, Bombeiros e Salvamar , além do engenheiro John Mark Loizeaux, presidente da empresa americana Controlled Demolition Inc. (CDI), responsável pelo controle de qualidade de todo o processo de demolição.

Mais de dois mil moradores de cerca de 900 imóveis do entorno tiveram que deixar suas casas como medida preventiva por se tratar de uma implosão de grandes proporções. Alguns, o fizeram, contrariados, pois gostariam de assistir ao “espetáculo” de camarote particular A previsão de retorno era até o meio-dia.

O projeto da implosão foi elaborado levando em consideração os limites de vibração toleráveis pelos imóveis históricos e mais críticos, localizados no entorno do estádio. Todos os 138 pilares da Fonte Nova (que foram furados e carregados com explosivos) foram revestidos por uma tela metálica e por uma manta de geotêxtil ultra-resistente, o que reduzirá a projeção de materiais para o entorno. Todos os limites de tolerância às normas brasileiras, no que diz respeito a ruído, poeira e vibração do solo foram obedecidos, conforme explicou Alexandre Chiavegatto, diretor do consórcio.

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Comentários

Regina on 29 agosto, 2010 at 16:27 #

A Fonte Nova, localizada em lugar privilegiado e acessível, aos pés da ladeira das Fontes das Pedras e ao lado do Dique do Tororo, era o ponto de encontro de baianos e aderentes nas tardes de Domingo ou nas mornas noites de eventos desportivos e sociais. Minhas lembranças são dos tempos dos Jogos de Primavera dos idos anos 60, quando os colégios desfilavam e disputavam um lugar de destaque nas alegorias e jogos primaveris que se realisavam no Balbinhio ao lado. A glória da vida era desfilar de toga grega, de arco e flecha, diante da multidão e se sentir “o máximo”!

Meu pai, torcedor do Vitória por “convicção”, como assinalava sempre, era frequentador assíduo dos Domingos onde se encontrava com seus amigos e passavam momentos de puro gozo (ou não, a depender de quem ganhasse o jogo), foi meu acompanhante no evento que marcou minha relação com a Fonte Nova.

Estava sendo inaugurada a parte de cima do estádio, era uma reinauguração, já que ele tinha sido submetido a uma reforma que transformaria sua capacidade de 35.000 para 100.000 e o estádio transbordava de espectadores dos jogos Bahia X Flamengo e Vitória X Grêmio.

Acontece que nos meses e dias antes da grande abertura da remodelação da Fonte Nova, se espalhou pela cidade um boato de que a estrutura nova parecia “demasiado fragil” para abrigar a multidão e que algo terrível poderia contecer. Contagiados, mas não convencidos, pelo medo, fomos todos da familia, deixando nossa mãe com seu rosário rezando por nos em casa onde, de tão perto, podia-se seguir o desenrolar da festa.

A tarde transcorria sem novidades e muita emoção até que alguém, já chegando ao final do segundo jogo, gritou “O estádio esta caindo”, justo quando passava um jatinho que tocou uma das torres dos holofotes causando uma pequena explosão. Foi um “Deus nos acuda” de celestiais dimenções!!! Gente despencava de todos os lados , todos corriam sem saber para onde e muitos acabaram no fundo do poço. Meu pai, um senhor de postura severa e diciplinada, ficou estremecido quando viu óculos e seu radinho de mão voarem e serem pisoteados pelos que desabavam do andar de cima, me segurou firme depois de havermos sido empurrados uns dois vãos de assentos e me disse “agente fica aqui, deixe quem quiser saltar por cima”. Foi nossa salvação, pois depois de alguns minutos de transtorno e quando a poeira baixou, meia cidade estava de certa maneira sofrendo de dores e ferimentos dos mais diversos inclusive duas mortes.

Nunca mais voltei aquele estádio e sempre que estou no meio de multidão eu procuro uma lateral para bater em retirada, por se acaso!!!!

Apesar da desagradável experiência, reconheço a beleza física e a importância na vida dos torcedores que ali deixaram suor, sangue e coração!


luiz alfredo motta fontana on 30 agosto, 2010 at 4:54 #

Cara Regina

Aqui o vídeo da demolição publicado no la Repubblica, it

http://tv.repubblica.it/sport/brasile-demolito-lo-stadio-di-bahia-l-implosione/52331?video=&ref=HREV-3


Ti on 30 agosto, 2010 at 10:42 #

Me lembro a primeira vez que fui na Fonte. Meu avô morava próximo à Ladeira dos Galés e avistávamos o estádio de seu apartamento. Meu pai, avesso a futebol, finalmente cedeu às minhas súplicas infantis quando vimos uma movimentação em volta do estádio indicando que uma partida se aproximava. Fomos a família: Dimas, Marcia, Natascha, eu e meu futuro padrinho de casamento Bruno “Papel”.

Chegando ao estádio, que fervilhava, descobrimos que se tratava de um jogo importante. Se minha memória não me trai, havia uma camisa amarela em campo, o que me leva a crer que podemos ter presenciado a final do Baiano de 86 ou 87. Com certeza não chegou aos pés da reinauguração da Fonte – história que eu ouvi muito figurada por meu tio Saulo – mas havia muita gente e muita confusão. Me lembro bem da cena de, com ingressos na mão e sem conseguir acessar o setor comprado, a família e meu amigo agregado ter pulado uma cerca para consumar o direito adquirido e assistir o jogo. Não me lembro muito do jogo em si ou do resultado (se foram realmente as finais do Baianão, o Bahia levou).

Não me lembro de ter voltado a qualquer estádio com meu pai. Depois desse episódio, enquanto criança minhas idas à Fonte ficaram à cargo do pai de Bruno, de meu tio Hugo e de Olívia.


Regina on 30 agosto, 2010 at 15:44 #

Obrigada, Fontana, pelo excelente vídeo. O episódio a que me refiro aconteceu em 4 de marco de 1971, eu saí do país em 1973, portanto não criei muitos laços com o velho estádio. Creio que era hora de derrubar e construir outro com melhor estrutura e que depois seja acompanhado com um bom sistema de manutenção, gerando empregos, que foi o que faltou a Fonte Nova. Um abraço!
Regina


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