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BOA NOITE!!!

Na coluna RADAR, assinada pelo jornalista Lauro Jardim, a revista Veja publica em sua edição desta semana:

“Os três felizes personagens das fotos deste quadro já são candidatos a sair das urnas como recordistas de votos. De acordo com a primeira das cinco pesquisas que o Ibope fará até 3 de outubro para medir a intenção de voto dos candidatos a deputado federal, Anthony Garotinho (PR), ACM Neto (DEM) e Zeca Dirceu (PT), filho de José Dirceu, lideram no Rio de Janeiro, na Bahia e no Paraná, respectivamente. Em São Paulo, Márcio França (PSB) está na frente.

Como a pesquisa capturou apenas o primeiro dia dos candidatos no horário eleitoral gratuito, o efeito TV pode alçar novos nomes ao topo nos próximos levantamentos. Será a hora de comprovar, por exemplo, se o estardalhaço na TV e no YouTube do palhaço Tiririca, candidato em São Paulo, se transmutará em voto.

ago
29
Posted on 29-08-2010
Filed Under (Newsletter) by vitor on 29-08-2010

El Corte Inglês de Lisboa: sucesso

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Os lucros do El Corte Inglés em Portugal cresceram 13,4 por cento no exercício de 2009, para 13,6 milhões de euros, ao contrário dos resultados líquidos do grupo em Espanha, que caíram 1,5 por cento. O poderoso grupo espanhol, um símbolo em lojas de departamento na Europa, que mantém em Lisboa uma de suas lojas mais concorridas, anuncia novos investimentos para outras cidades portuguesas.

De acordo com um comunicado do Grupo El Corte Inglês à agência Lusa, a divisão portuguesa de um do mais poderoso grupos europeus no ramo de lojas de departamento, registou um volume de negócios no exercício de 2009 (terminado a 28 de Fevereiro deste ano) de 401 milhões de euros, o que representa um aumento de 2,2 por cento face ao exercício anterior.

O grupo, que considera estes resultados como «positivos», afirma-se ainda «empenhado em investir em Portugal», tendo «previstos novos projetos para os próximos anos, adiantando a construção de uma nova unidade de Grandes Armazéns, na área de Cascais, e a inauguração, a curto prazo, de três novos Supermercados Supercor nas áreas do Porto, Coimbra e Aveiro».

Para 2010, o El Corte Inglés em Portugal considera como prioritáriao, entre outros, o «investimento permanente na formação do seu pessoal, a prossecução da incorporação de novas tecnologias na sua gestão, para conseguir maiores níveis de eficiência e produtividade, bem como o aumento do número de utilizadores do cartão de crédito do El Corte Inglés».

Os números do El Corte Inglés em Portugal contrastam com os números globais do grupo, que registou uma quebra de 5,8 por cento no volume de negócios, uma descida de 2,5 por cento no EBITDA (Lucros antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) e uma queda de 1,5 por cento nos lucros líquidos consolidados.
Assim, o grupo fechou o ano de 2009 com um volume de negócios de 16,35 mil milhões de euros (menos 5,8 por cento), um EBITDA de 1.067 milhões de euros (menos 2,5 por cento) e lucros de 369 milhões de euros (menos 1,5 por cento).

«Esta evolução é resultado da redução no consumo e do retrocesso geral da actividade comercial em Espanha durante o exercício de 2009. O volume de vendas do comércio retalhista, que diminuiu pelo segundo ano consecutivo, registou uma descida de 6,1 por cento, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística Espanhol», justificou o grupo.
Por outro lado, «os fundos próprios alcançaram os 7.830,4 milhões de euros, com um aumento de 2,9 por cento em relação ao exercício de 2008».

Num comentário aos resultados, o presidente do El Corte Inglés, Isidoro Álvaréz, assinalou hoje na assembleia geral de acionistas que a empresa «demonstrou força perante as dificuldades do mercado» e acrescentou que «as decisões adotadas permitiram melhorar a gestão e a eficiência», bem como uma adaptação «às alterações do mercado e às exigências do consumidor, obtendo resultados mais favoráveis durante os meses decorridos em 2010».

Por setores comerciais, as maiores quebras no volume de negócios registaram-se nos Hipermercados Hipercor (uma queda de 16,3 por cento face a 2008), no Grupo Viagens El Corte Inglés (menos 12,4 por cento) e nas Tecnologias de Informação e Comunicação (17,3 por cento).
O El Corte Inglés é líder no comércio em Espanha, tendo recebido, em 2009, um total de 653 milhões de visitantes.
( Com informações de Lusa / SOL )

ago
29

Deu no Diário de Notícias , de Portugal, em reportagem assinada pelo jornalista SÉRGIO BARRETO MOTTA, direto do Rio de Janeiro. O texto foi publicado com destaque na edição dominical do tradicional diário europeu, editado em Lisboa

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O desespero começa a apoderar-se da oposição brasileira. A mais recente sondagem, elaborada pela Datafolha, mostra a candidata oficial do Partido dos Trabalhadores (PT), Dilma Rousseff, com 49% de intenções de voto, contra apenas 29% de José Serra, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).

Embora uma eleição costume esconder surpresas, sobretudo no Brasil, já começa a ser comentado que a táctica da oposição ao actual poder político vai centrar-se em objetivos menores, à medida que vai perdendo a esperança de vir a conquistar o Palácio do Planalto.

Para o PSDB, importa sobretudo manter o controle de algumas das mais importantes regiões que tem sob o seu domínio, como os estados de São Paulo, Paraná e Minas Gerais, de modo a evitar que Lula e o seu PT tenham uma presença excessivamente forte no cenário nacional.

A oposição pode vencer com o ex-candidato presidencial Geraldo Alckmim em São Paulo, Beto Richa, no Paraná e Aécio Neves, em Minas Gerais. Qualquer deles lidera, destacado, as sondagens que têm vindo a ser divulgadas.

No palácio presidencial, nota- se um enorme esforço para conter a euforia. A sondagem da Datafolha indica que 79% dos brasileiros consideram o governo Lula ótimo ou bom, o que, após quase oito anos de mandato e após enfrentar uma crise económica mundial em 2009, acaba por ser um resultado incrível.

A verdade é que o PT perdeu a sua visão radical – que previa, inicialmente, o não-pagamento da dívida externa, a revisão da dívida interna e o apoio à invasão de propriedades agrícolas pelo Movimento dos Sem Terra – e aliou-se ao centrista PMDB, que tem vindo a revelar-se o maior partido do país em eleições legislativas.

Assessores de Lula disseram ao DN que o PT pode, numa visão optimista, acabar por ficar no poder por duas décadas consecutivas. Basta fazer as contas. Em Dezembro, Lula completará dois mandatos sucessivos de quatro anos; se Dilma vencer, supõe-se que, em 2014, não tente a reeleição mas ceda a vez de novo a Lula, que ficaria mais oito anos à frente do Brasil.

Seriam então 20 anos de PT no palácio presidencial, com 16 de Lula e quatro de Dilma. Cálculos que, naturalmente, estão sujeitos às incontroláveis variações da política.

Antes de chegar ao poder, Lula passou por várias derrotas eleitorais e quase desistiu de se candidatar. A sua oportunidade surgiu enfim em 2002, quando o presidente Fernando Henrique Cardoso, impedido de se recandidatar pela Constituição, não conseguiu transmitir a sua popularidade política a José Serra, seu correligionário. A população não recebeu bem as privatizações feitas durante o mandato de Fernando Henrique, e, além disso, houve uma crise de energia que obrigou os brasileiros a reduzir o consumo de eletricidade.

Lula também enfrentou dificuldades, relacionadas com o escândalo do “mensalão” – pagamento ilegal a deputados para votarem a favor do Governo -, mas conseguiu superar a crise, acabando por ser reeleito em 2006.

As sondagens dão a vitória a Dilma, eventualmente logo à primeira volta. Depois, Lula pode voltar. Talvez por mais oito anos.

ago
29

Ecos do comício na Praça Castro Alves

DEU NO IG

UM dia após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva subir no palanque de Jaques Wagner (PT), candidato ao governo da Bahia, o adversário do atual governador e também candidato Geddel Vieira Lima (PMDB) se dizia abalado. Por volta das 23h30 da última quinta-feira, homens armados invadiram a sede estadual do partido e levaram computadores que continham informações estratégicas de sua campanha.

“É um absurdo”, disse o ex-ministro ao receber o iG na produtora da sua campanha, em Salvador. Antes de seguir para o interior do Estado, onde cumpriria agenda de candidato, ele resolvia as burocracias do incidente da véspera. Entre um telefonema e outro, falou à reportagem sobre o megacomício que reunira na véspera o rival, seu antigo chefe no governo, e a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, para o qual não foi convidado.

Apesar de considerar a presença de Lula “normal” no comício de Wagner, líder nas pesquisas, Geddel disse que foi surpreendido pela visita do presidente ao seu Estado. Por isso, recorreu a Michel Temer, presidente do PMDB. Ainda assim, ele diz que não passam de “especulações” as notícias de que teria pedido ao vice de Dilma para pressionar Lula e a presidenciável a não comparecerem em eventos públicos com Wagner.

Nos bastidores, houve apelo dos peemedebistas para Lula evitar novas aparições ao lado do governador petista, mas o pedido foi ignorado. O presidente já havia deixado claro meses atrás seu descontentamento com o fato de que Geddel sair candidato e inviabilizar um palanque único para Dilma na Bahia.

A seguir, os principais trechos da entrevista ao iG:

iG: A ex-ministra Dilma Rousseff disse, durante visita a Salvador, que precisaria consultar sua agenda ao ser questionada se subiria no palanque do senhor. Como o senhor recebeu essa declaração da candidata?

Geddel: É lógica essa declaração dela. É evidente que ela precisa olhar a agenda dela, assim como eu vou olhar a minha para ver em que momento posso convidá-la para alguma comício na Bahia.

iG: O senhor fará um convite a ela?

Geddel: Certamente, se tivermos algum comício que seja do porte de uma candidata à Presidência convidaremos. Ela já esteve na convenção, foi um grande evento, é natural que ela condicione a vinda dela com a sua agenda. Precisamos discutir datas coincidentes.

iG: Wagner também comentou um eventual palanque duplo de Dilma . O governador disse que não pediria aos dois que evitassem um comício do senhor, mas disse que existe uma situação eleitoral que precisa ser considerada, referindo-se à vantagem dele nas pesquisas.

Geddel: Se tem uma pessoa que não tem autoridade política nenhuma para sustentar discurso em pesquisa é Wagner. Quando eu o apoiei, ele tinha 4,5% de intenção de voto e não era levado a sério por ninguém. Nesse momento, em 2006, Paulo Souto (candidato do DEM) tinha 56% e Wagner aparecia com 10, 12%, uma coisa assim. Então, se pesquisa definisse eleição, você estaria entrevistando Paulo Souto e não Wagner.

iG: E a presença do Lula no palanque de Wagner?

Geddel: Absolutamente normal. Claro que eu queria tê-lo aqui, mas acho natural que ele tenha vindo aqui se manifestar sobre um partido, sua preferência. O que eu precisava é da palavra do presidente e eu a tenho, que são inúmeros elogios a minha atuação como ministro, que permitiu que ele inaugurasse inúmeras obras. Quer um exemplo? Transposição do rio São Francisco. Quando Lula quis fazer no primeiro mandato o ministro da articulação política era Jacques Wagner. Um bispo (d.Cappio) da minha igreja iniciou uma greve e foi designado que ele resolvesse o problema. O resultado, qual foi? Ele encerrou a greve, mas a obra parou. Comigo, Lula quis começar de novo. O mesmo bispo entrou em greve, me foi delegado buscar a solução. Abri diálogo, a greve acabou e o primeiro trecho da obra esta na hora de ser inaugurado. A Bahia vai julgar. Eu não tenho o direito de fazer críticas em relação presidente Lula, porque foi sua generosidade que me deu a grande oportunidade de servir a minha pátria.

iG: O PMDB estaria pressionando o presidente Lula para não vir ao palanque de Jaques Wagner. Antes desta visita de Lula, o senhor não fez nenhum tipo de pressão, nem recorreu ao Michel Temer?

Geddel: São especulações. O Michel Temer é candidato a vice-presidente da República. Eu converso e relato a Michel Temer coisas que acontecem na Bahia. Em momento algum eu pedi e nem Michel Temer se prestaria a fazer qualquer tipo de pressão para cercear o presidente de ir e vir. Conversas políticas existirão sempre, mas o presidente sabe que em momento algum foi abordado para abortar sua vinda à Bahia.

iG: Mas o senhor se queixou a Temer?

Geddel: Absolutamente. Eu registrei fatos e registrarei sempre.

iG: O que seriam esses fatos?

Geddel: A vinda do presidente Lula à Bahia para que Michel fique informado. Mas isso não é queixa. Isso é informação, troca de idéias.

iG: O senhor informou Temer e ele respondeu..?

Geddel: Nada. Vamos torcer para que não haja nenhum atrito, troca de farpas, que não induza o presidente a entrar em nenhuma bola dividida.

iG: O presidente Lula gravou para o senhor?

Geddel: Não gravou e eu também não pedi. Mas ele aparece na propaganda com declarações públicas fazendo aquilo que me orgulha muito. Não falando de uma amizade que não construí com ele há 30 anos, mas como gestor que tira as obras do papel.

iG: O senhor é o terceiro colocado nas pesquisas na Bahia. Já foi ministro do governo Lula. Caso não vença a eleição no Estado, estaria aberto a um convite de um eventual governo Dilma para compor o quadro de ministros?

Geddel: Acho até um desrespeito especular sobre esse assunto. Estou focado no Estado. Vamos seguir o preceito bíblico: cada dia com a sua agonia.

ago
29

Heliana Frazão (UOL)
Em Salvador

Bastou um único click no acionador e, em 17 segundos o anel superior da Fonte Nova, batizada Estádio Octávio Mangabeira, a maior arena esportiva da Bahia, em Salvador, foi abaixo, às 10:24 horas na manhã deste domingo, 29, como um gigante que vai ao chão. Com ele, saíram de cena 59 anos de história do principal palco do futebol baiano. Em seu lugar será erguida uma nova arena esportiva, à cargo do consórcio Arena Salvador 2014 (Odebrecht e OAS). O novo estádio irá sediar jogos da Copa das Confederações em 2013 e jogos da Copa do Mundo de 2014.

O ministro dos Esportes, Orlando Silva, prestigiou o acontecimento, ao lado de várias outras autoridades estaduais e municipais. Logo depois, o presidente do consórcio Dênio Cidreira, entregou ao ministro um pedaço de concreto da, agora, antiga arena, para ser guardada como lembrança.

Nos dias que antecederam a implosão, porém, quem passava pela Fonte via somente o anel superior. O inferior já havia sido demolido. Restou ainda a tribuna de honra, que cairá em outro momento, com o auxílio de máquinas. A opção por uma posterior demolição mecanizada visou evitar danos em edifícios localizados em áreas próximas.
Toda a engrenagem montada para histórica e inédita demolição do estádio, a primeira da América Latina, impôs mudanças à rotina dos baianos, com evacuação de residência do entorno, ruas interditadas, estacionamentos proibidos, mudanças das linhas de ônibus, desvios e inversões de tráfego. Essas ações visaram garantir a segurança da população.

A recomendação passada era a de que as pessoas ficassem em casa, assistindo pela televisão, afinal todos os canais locais transmitiram ao vivo a implosão. Ainda assim, um grande número de pessoas se fez presente nas imediações, para assistir ao fim da velha Fonte Nova, que sempre foi uma referência não só esportiva, mas social, cultural, turística e até do ponto de vista geográfico da cidade.

Por ser o nosso principal estádio, a Fonte Nova permanecerá em nossas lembranças, a implosão não apagará a suas história. Agora, sai a velha e entra o conceito do novo, com mais segurança, e mais conforto”, disse Raimundo Nanato, o ex-jogador Bobô, diretor geral da Superitendência de Desporto da Bahia (Sudesb).
A missão de apertar o botão que tirou de cena o estádio ficou à cargo do engenheiro civil Morgan Wattinks, engenheiro da civil da Arcoeng, empresa responsável pela demolição. Mas o comando foi do também engenheiro civil baiano Carlos Augusto Freire de Carvalho, frequentador do estádio desde 1966. Ele revelou ter guardado como lembrança alguns pedaços do estádio.

“Está é também minha primeira vez atuando na implosão de um estádio e justo este onde vivi tantas emoções. São muitas as recordações”, disse Carvalho, que é torcedor do Bahia, time que tinha o seu mando de campo na Fonte Nova.

Momentos antes da consumação do fato, ele falou pelo rádio com cada um dos nove postos montados ao redor do estádio e, somente após receber constatar que estava tudo certo, ele acionou o detonador, uma espécie de bastão, com cerca de 25 cm.

Toda a operação movimentou um grande contingente estimado em cerca de 1.100 integrantes da Defesa Civil, Polícia Militar, Guarda Municipal, Transalvador, Bombeiros e Salvamar , além do engenheiro John Mark Loizeaux, presidente da empresa americana Controlled Demolition Inc. (CDI), responsável pelo controle de qualidade de todo o processo de demolição.

Mais de dois mil moradores de cerca de 900 imóveis do entorno tiveram que deixar suas casas como medida preventiva por se tratar de uma implosão de grandes proporções. Alguns, o fizeram, contrariados, pois gostariam de assistir ao “espetáculo” de camarote particular A previsão de retorno era até o meio-dia.

O projeto da implosão foi elaborado levando em consideração os limites de vibração toleráveis pelos imóveis históricos e mais críticos, localizados no entorno do estádio. Todos os 138 pilares da Fonte Nova (que foram furados e carregados com explosivos) foram revestidos por uma tela metálica e por uma manta de geotêxtil ultra-resistente, o que reduzirá a projeção de materiais para o entorno. Todos os limites de tolerância às normas brasileiras, no que diz respeito a ruído, poeira e vibração do solo foram obedecidos, conforme explicou Alexandre Chiavegatto, diretor do consórcio.

ago
29
Posted on 29-08-2010
Filed Under (Crônica, Gilson) by vitor on 29-08-2010

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CRÔNICA/DESPEDIDA

Dinamitando a História

Gilson Nogueira

A morte do amado Estádio Octávio Mangabeira, a Fonte Nova, irá se transformar em um espetáculo midiático. Neste domingo, 29, assim que bananas de dinamite implodirem o que restou daquela praça de esportes, ou seja, seu lance de arquibancadas mais perto do céu, o Ibope vai fazer muita gente feliz. Depois, no lugar da Fonte Nova, o vazio, como o marco zero do absurdo.

E que ironia do destino, logo em um domingo, dia que, em passado nem tão distante, assim, ir à Fonte Nova carregava o mesmo sabor de uma feijoada completa, acompanhada de Coca Cola, e a magia de uma missa na Basílica do Bonfim.

Portanto, aproxima-se o momento do tiro fatal, em forma de aperto de um detonador, que irá calar, de vez, o grito de gol que não quis ir embora e que agonizava, ali, raquítico, faminto, tonto, esperançoso, no fosso úmido e fedorento, à beira do campo, já sem as traves, confiante em tomar forma, após a jogada do craque fantasma, capaz de virar o jogo, e, desse modo, não permitir o desmoronamento do templo maior de sua religião futebol.

Rasga-se, assim, com a implosão do último pedaço da Fonte Nova, uma página da história do desporto baiano. Explode-se uma espécie de cofre das mais ricas lembranças do povo da Boa Terra. Mais que isso, um relicário de proezas gigantescas dos jogadores de futebol da Bahia, em defesa das cores de sua seleção e de seus times, no campeonato local, e em disputas oficiais e amistosas com times de outras plagas.

Que saudade da zorra do Guarani, do Galícia, do Ypiranga, do São Cristóvão, do Botafogo, do Leônico, do meu Bahia mais Bahia que o Bahia de hoje. Que falta você vai fazer,minha Fonte Nova abençoada !!!

Ao som das dinamites pipocando, das palminhas de sempre, nessas ocasiões, e dos gritinhos da moda, encenados por quem não experimentou a sensação indescritível de assistir um Bahia e Vitória pelo buraco do portão do Xaréu da Fonte Nova e, com isso, dar-se por glorificado em ver, apenas, o jogador do seu time bater o corner e esperar o grito da torcida, você desaparece do mapa. Em seu lugar pretendem construir uma arena (argh!), com o nome de Nova Fonte Nova. Não gosto desse nome e morro um pouco com você, querida vizinha de muitos anos.

Gilson Nogueira é jornalista, colaborador de origem do Bahia em Pauta e, na juventude, também ex-morador da Rua do Genipapeiro, bairro da Saúde/Nazaré. A casa de sua família ficava a menos de 500 metros do portão de entrada da Fonte Nova.

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