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O clip de Stevie Wonder e Tony Bennett ,  gravado no “Tony Bennett’s American Classic”, vem do precioso garimpo de Gilson Nogueira. E começa com esta música para varar a madrugada, a despedida saudosa do Bahia em Pauta do formoso e histórico estádio da Fonte Nova, que será implodido neste domingo, 29 , para dar lugar a uma “arena esportiva” (é assim mesmo que se diz?) exigida pelos grandes interesses da Copa 2014 no Brasil, nem sempre tão esportivos assim.

O editor deste BP informa: Mesmo morando distante, atualmente, da área das explosões, vou tapar os ouvidos na hora de explodir a primeira banana de dinamite.

Prefiro guardar na memória a imagem dos torcedores aos borbotões transitando pela apertada Rua do Genipapeiro, no bairro Saúde/Nazaré , que ficava a menos de 500 metros do estádio .

Prefiro conservar nos olhos e nos ouvidos, algumas das minhas melhores lembranças da juventude em Salvador: os jogos presenciados da arquibancada ao lado do velho Alaôr -que não perdia um clássico de domingo – e os gritos de alegria e emoção da multidão de torcedores,explosões na hora do gol que faziam tremer o estádio e balançavam os alicerces do velho casarão do Genipapeiro, 42.

Adeus velha Fonte Nova!!! Que a noite seja mais longa para que não seja tão breve a despedida.

Boa Noite!!!

(Vitor Hugo Soares)


Deputados Antonio Pereira Rebouças e Gê Acayaba de Montezuma

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DEU NO TERRA (ELEIÇÕES 2010)

Rosane Soares Santana

O século XIX, no Brasil, foi marcado pela ascensão dos mulatos, com diploma de bacharel, a postos de destaque na política e na administração pública, depois da implantação das faculdades de Direito de Olinda (PE) e São Paulo (SP). O elemento racial era fator de diferenciação da elite, composta de uma maioria identificada socialmente como branca, numa sociedade escravocrata e estigmatizada pela cor da pele.

À época, raros foram os indivíduos egressos das classes menos favorecidas da sociedade, geralmente negros e sem instrução superior, que conseguiram romper o apartheid. Como disse Johann Moritz Rugendas (“Viajantes Estrangeiros na Bahia Oitocentista”, Cultrix, 1980) “os homens de cor embora muito assimilados aos brancos, constituem em sua maioria as classes inferiores da sociedade”. E os altos escalões da burocracia e o Parlamento eram dominados pela minoria branca e rica, descendente de europeus – grandes proprietarios de terra e comerciantes.

Essa discriminação gerou o fenômeno da politização da cor, que ganhou destaque nas duas décadas posteriores à Independência (1822), segundo a historiadora Keila Grinberg, autora de estudos sobre o Brasil oitocentista (“O fiador dos brasileiros”, editora Civilização Brasileira). Jornais, movimentos e até revoltas, como a Sabinada, na Bahia, reivindicavam a igualdade entre homens livres. Inaugurou-se nesse período, de acordo com Keila, o que poderíamos chamar de “luta contra a discriminação racial”.

Mulatos na política

O mulato baiano Antonio Pereira Rebouças, de origem pobre, foi uma exceção digna de registro. Rábula, foi eleito seguidas vezes para a Câmara dos Deputados, a partir dos anos 30 do século XIX, ocupando, simultaneamente, também a cadeira de deputado provincial na Assembléia da Bahia. Nasceu na cidade de Maragogipe, no Recôncavo baiano, filho do alfaiate português Gaspar Pereira Rebouças com uma liberta (ex-escrava). É conhecido ainda como pai do engenheiro e abolicionista André Rebouças.

Autodidata em Direito, em 1846, por notório saber, a Câmara dos Deputados concedeu-lhe licença para advogar em todo o País. Aprendeu direito trabalhando em um cartório, segundo um de seus biógrafos, Antonio Loureiro de Souza. Foi também secretário do governo de Sergipe e Conselheiro do Imperador D. Pedro II e um dos maiores especialistas em direito civil no Brasil Imperial.

Mas, apesar de suas posições liberais na Câmara dos Deputados, Rebouças “repudiou veementemente qualquer associação entre cor e posições políticas ou condição social, segundo Keila Grinberg, autora da mais completa biografia sobre o parlamentar. O motivo é simples. Como a maior parte dos movimentos sociais e revoltas do Brasil, de então, tinha a participação dos mulatos e negros (maioria da sociedade), revindicando igualdade de direitos e melhores condições de vida, Rebouças temia ser identificado como um radical.

Isso lhe valeu a crítica e o desprezo dos sabinos, que liderados pelo médico mulato Francisco Sabino, na Bahia de 1837, tomaram Salvador, capital da província, de assalto, destituindo o governo e nomeando um governo independente. Em um conflito com notória dimensão racial, o mulato Antônio Rebouças ficou do lado dos legalistas, organizando a resistência na vila de Cachoeira, no recôncavo baiano, que derrotou os revoltosos.

Outro mulato, também baiano, destacou-se no Parlamento, no século XIX. Trata-se do deputado geral Gê Acayaba de Montezuma, constituinte em 1846, já tendo sido ministro de várias pastas do Império na década de 30 dos oitocentos. Foi condecorado visconde de Jequitinhonha por D. Pedro II. Diferentemente de Rebouças, possuía origem abastada, tendo estudado direito na prestigiosa Universidade de Coimbra, onde formou-se a maior parte da elite política brasileira do século XIX, até a Independência.
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Rosane Soares Santana é jornalista, com mestrado em História pela UFBA. Estuda o Poder Legislativo, elites políticas e eleições no Brasil. Integra a cobertura de eleições do Terra

LEIA MAIS ELEIÇÕES NA HISTÓRIA

http://terramagazine.terra.com.br/interna/

ago
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Posted on 28-08-2010
Filed Under (Charges) by vitor on 28-08-2010

Son Salvador – Estado de Minas – Belo horizonte, MG
Reproduzido pelo Blogbar do Fontana – http://fontanablog.blogspot.com/

Sergio Reis em Barretos: desafio a Protógenes

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Em Barretos, a paulista capital country do País, o delegado Protógenes Queiroz não fez feio. O cantor Sérgio Reis convidou o candidato a deputado federal pelo PC do B, que visitava a cidade, a subir ao palco onde o famoso compositor e intéprete de música sertaneja se apresentava para mais de 20 mil pessoas.

No palco, o artista elogiou a coragem do “xerife” da PF e disse para o público presente: Saibam que, quando um delegado da Polícia Federal prende alguém, ele já investigou muito, por muito tempo.

Em seguida Sérgio Reis perguntou ao baiano de nascimento criado em Niteroi se ele sabia tocar berrante. O delegado respondeu “vou passar vergonha, mas tenho coragem de tentar”. Realmente, o som que saiu não foi nenhum sucesso, mas seu executor foi muito aplaudido no final.

Seguramente pela coragem.

(Postado por Vitor Hugo Soares)

BOA TARDE!!!

ago
28

DEU NO IG

Passados dez dias do início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, consolidou sua posição na liderança da corrida presidencial, segundo pesquisa Ibope divulgada neste sábado. O levantamento, encomendado pelo jornal O Estado de S. Paulo e pela TV Globo, dá à petista 51% das intenções de voto, o que lhe dá uma vantagem de 24 pontos sobre o adversário tucano José Serra.

Dilma cresceu oito pontos porcentuais em relação à pesquisa anterior, quando tinha 43%.Serra, por sua vez, tinha 32% na última pesquisa. A senadora Marina Silva, que disputa a Presidência pelo PV, oscilou negativamente de 8% para 7%. Se a eleição fosse hoje, Dilma venceria a disputa no primeiro turno. Pelo levantamento, ela tem 59% das intenções de voto. Não foi divulgada a quantidade de votos em branco e nulos. A margem de erro é de dois pontos, para mais ou para menos.

Pela pesquisa, Dilma também levaria com folga a disputa em um eventual segundo turno. Ela ficou com 55% das intenções de voto, contra 32% do tucano. A petista também tem rejeição menor que a do rival, em 18% contra 27%. Marina, nesse caso, é rejeitada por 14% dos entrevistados.

Os números também apontam que a avaliação positiva do governo está em 78%, enquanto os que consideram a administração federal regular ficam em 17% e os que a consideram ruim ou péssima são 4%.

Estados

A pesquisa mostra que Dilma ultrapassou Serra em São Paulo, maior colégio eleitoral do País e reduto eleitoral do tucano. Ela ficou com 42% das intenções de voto no Estado, contra 35% registrados pelo adversário. Em território paulista, Marina tem 11%.

A petista ficou com a dianteira também em Minas, segundo Estado com maior número de eleitores, também governado pelo PSDB. Lá, Dilma ficou com 51%, Serra com 25% e Marina com 7%.No Rio, a petista tem 57%, o tucano 16% e a candidata do PV 8%.

De acordo com os dados, Dilma está na frente também em Estados como Pernambuco (71% a 17% de Serra) e Distrito Federal (43% a 16%).


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Blogbar do Fontana – Nos balcões dos bares da vida

CACO VELHO – O COMENDADOR DA BOSSA NOVA – 1963

CONTINENTAL – 1963

Música – “Não faça hora comigo”

Composição – Caco Velho & Henricão

letra:

“Não faça hora comigo”

Não faça hora comigo
‘Que eu não sou relógio da Praça da Sé
Não faça hora comigo
‘Que eu não sou relógio da Praça da Sé

Sou doce, não sou sou de açúcar
Sou preto, não sou café (não é?)

Não faça hora comigo
‘Que eu não sou relógio da Praça da Sé
Não faça hora comigo
‘Que eu não sou relógio da Praça da Sé (não é?)

Pois é, tá tudo azul (não está?)
Está legal (não está?)
Eu não vim fazer hora
Senão pode ser, eu vou-me embora

*CACO VELHO (MATHEUS NUNES) Nasceu na cidade de Porto Alegre, no estado de Rio Grande do Sul, no Bairro de São João, no dia doze de março de mil novecentos e dezenove. Filho de Geraldina Rodrigues Nunes e Liberato Nunes. A mãe cuidava do lar e sabia tocar violão, o pai foi veterinário no exercito, por muitos anos, sabia tocar violino.

*Trecho extraído do site oficial

ago
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Posted on 28-08-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 28-08-2010

Cartaxo, da Receita: caso mal explicado

“Não acho que a Receita esteja envergonhada. O que aconteceu nela foi, entre outras coisas, uma grande sem-vergonhice” , considera o jornalista político Ivan de Carvalho em seu artigo deste sábado na Tribuna da Bahia, no qual analisa o desdobramento do escândalo da violção do sigilo fiscal de quatro pessoas ligadas ao principal candidato de oposição a presidente da República, José Serra, do PSDB. Duas dessas quatro pessoas são ligadas a Serra por laços familiares e o ex-ministro Mendonça de Barros é outra delas.Bahia em Pauta reproduz o texto. (VHS)
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OPINIÃO POLÍTICA
Receita morre de vergonha

Ivan de Carvalho

Mas que vergonha. A Receita Federal está morrendo de vergonha. Seu chefe, o secretário nacional Otacílio Cartaxo, deu entrevista, ontem, para dizer que a Receita está “envergonhada” porque servidores seus violaram o sigilo fiscal de quatro pessoas ligadas ao principal candidato de oposição a presidente da República, José Serra, do PSDB. Duas dessas quatro pessoas são ligadas a Serra por laços familiares e o ex-ministro Mendonça de Barros é outra delas.

Não acho que a Receita esteja envergonhada. O que aconteceu nela foi, entre outras coisas, uma grande sem-vergonhice. Quando não se tem vergonha não se fica envergonhado. Ou envergonhada.

O chefe da Receita Federal afirma que uma investigação interna apurou que funcionários estariam violando o sigilo fiscal de contribuintes por encomenda de terceiros, em troca de propina. Isto é, o Estado, não como instituição, mas por seus agentes, recebe informações dos contribuintes, viola o sigilo garantido pela Constituição, bisbilhota as informações e vende-as. E o Estado, como instituição, não cuida de impedir que essas coisas aconteçam.

Também ontem a candidata do PT a presidente da República, Dilma Rousseff, deu entrevista sobre o assunto. Confirmou a violação do sigilo, mas alegou que o fato é muito mais amplo, abrangendo “centenas” de casos, e, portanto, segundo ela, constituindo claramente um problema de “corrupção”, problema “evidentemente sem motivação política”.

Ora, em primeiro lugar não se tem nenhuma garantia de que a investigação interna da Receita Federal tenha sido imparcial na apuração das motivações. Antes de apresentar suas conclusões na entrevista de ontem, o secretário Otacílio Cartaxo já havia declarado que não havia motivação política no caso. A Receita é parte do governo, é um órgão do Ministério da Fazenda. Tem lá sua autonomia, mas o boi sabe onde arromba a cerca. E onde não arromba.

Em segundo lugar, se realmente – coisa que a Receita precisa ainda provar para os contribuintes e a sociedade – os funcionários que quebraram sigilo fiscal, à moda dos assassinos de aluguel, o fizeram em troca de propina e não por motivação política, o que dizer das pessoas que encomendaram a quebra de sigilo? Quais terão sido elas e com quais motivações? Se investiram tão certeira e diligentemente na obtenção de informações constitucionalmente sigilosas de pessoas ligadas ao candidato principal da oposição, “evidentemente”, como disse a candidata petista, não foi por motivação política. Não se estava, “evidentemente”, no processo de preparação de um dossiê para algum tipo de utilização na campanha eleitoral, por exemplo.

Certo. Então foi por qual motivação? Seria com a intenção de, caso fosse encontrado algo errado, chantagear e extorquir o candidato a presidente da coligação liderada pelo PSDB?

Se não fosse com motivação política ou eventualmente para chantagear e extorquir José Serra, então as pessoas cujas informações fiscais foram visadas seriam outras. É que há centenas, milhares delas que, no Brasil, estão em condições de pagar melhor pelo silêncio dos que houvessem encomendado as informações protegidas pelo sigilo fiscal.

ago
28

Serra: sem achar o compasso

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ARTIGO DA SEMANA

É DE PIOR A PIOR

Vitor Hugo Soares

A mais recente pesquisa do Instituto Datafolha mostra com clareza: é periclitante a situação de José Serra, candidato do PSDB à presidência da República que, na verdade, nunca andou bem das pernas nesta campanha. Ele e os claudicantes aliados que ainda o acompanham pelo país – cada semana em menor número e a cada dia com menos firmeza no discurso – à medida que se aproxima 03 de outubro.

“De pior a pior” segue o ex-governador de São Paulo na disputa à sucessão Lula. Parecido com o xaxado nordestino “A cantiga da perua”, dos saudosos Jackson do Pandeiro e Almira Castilho, sucesso nacional dos anos 50, que fez dançar milhões de brasileiros nos forrós juninos.

egravada mais recentemente pela também paraibana Elba Ramalho, a música pontifica entre as gozações atuais dos petistas do Nordeste aos tucano, e define com perfeição o dilema de um candidato sem rumo, que roda dentro de um círculo que se reduz, sem conseguir sair do lugar.

A diferença a favor da candidata do PT já bate na casa dos 20 pontos percentuais, segundo a última Datafolha. Não falta quem antecipe diferenças ainda maiores em próximos levantamentos de outros institutos. Pode ser puro blefe de apostador, ou pura pirraça mesmo. Mas ainda assim é melhor ficar atento.

“Eleição sem pirraça não tem a menor graça no sertão”, já dizia o falecido deputado pessedista Raimundo Reis. Ele sabia das coisas universais e nordestinas e, nos dois casos, as contava com muita graça e inteligência. Além de político, Raimundo foi também um dos maiores cronistas do cotidiano da Bahia em qualquer época, um conhecedor de almas, de costumes políticos, da transitoriedade e pequenez do poder. O autor de “Enquanto é Tempo” e “Geografia do Amor” faz muita falta em épocas eleitorais casmurras que até censura ao humorismo, como esta que está chegando próximo da sua encruzilhada.

Tudo é possível em eleição, dizem os mineiros. Bob Fernandes, que anda pela Bahia, me liga e percebo que ele também tem lá ainda suas dúvidas, apesar dos números, como é próprio dos bons repórteres. De minha parte confesso: não consigo enxergar sinais visíveis e objetivos (nem mesmo subjetivos) de alguma reação digna do nome no desempenho futuro de Serra: nas pesquisas, na qualidade dos programas no horário eleitoral de propaganda no rádio e na televisão, nos comícios, até mesmo nos rostos cada vez mais contrafeitos e agressivos de tucanos e democratas.

Sem falar nas minguadas arrecadações para o caixa de campanha do ex-governador de São Paulo, na medida que o candidato desce a ladeira. Este, sem dúvida, um sinal vermelho em campanha nacional no país com as dimensões do Brasil.

Vejam, por exemplo, o caso baiano. O governador petista Jaques Wagner anunciou, com quase uma semana de antecedência, que o presidente Lula lhe havia garantido presença em Salvador ao lado da candidata “in pectore” à sua sucessão, Dilma Rousseff, no comício que varou a madrugada de ontem na Praça Castro Alves.

Foi o suficiente para a capital baiana praticamente virar um deserto de tucanos e democratas. Não havia buracos suficientes na cidade administrada pelo prefeito João Henrique Carneiro (PMDB), onde tanta gente em fuga pudesse se esconder de uma hora para outra, da mão pesada e dos olhos penetrantes na passagem do “rei” e sua “soberana” pela província.

Mesmo no PMDB do ex-ministro Geddel Vieira Lima, aliado nacional da candidata petista à presidência e ácido adversário de Jaques Wagner no estado, muita gente preferiu “tomar o caminho da roça” para se esconder. Ou fazer campanha no interior, a começar pelo candidato peemedebista a governador.

Ficou João, o prefeito, porque teria sido vergonhoso demais ele sumir de repente quando também o ministro das Cidades visitava Salvador para entregar “as chaves” e prometer mais recursos para o interminável metrô baiano, cuja primeira e única linha está em construção há 11 anos. Além disso, até os mais ingênuos dirigentes de PMDB estão convencidos de que João já caiu nos braços de Wagner há um bom tempo.

No comício de ontem, na Praça Castro Alves, uma cena das mais emblemáticas destes dias e desta campanha. Ao discursar, Lula faz suas escolhas eletivas no estado, com cortes de cirurgião consagrado. Ao governador petista a seu lado, atacado por Geddel na campanha, recomenda: “Não perca a calma, Wagner, quando os adversários estiverem babando de ódio”.

Depois o presidente pediu votos para eleger toda chapa majoritária de Wagner – os candidatos ao senado Lídice da Mata (PSB) e Walter Pinheiro (PT). No palanque Lula vê Otto Alencar (PP), fina flor do antigo carlismo baiano. Agora candidato a vice-governador na chapa petista, Otto veste uma camisa amarela da campanha petista com o “Wagner 13” escrito nas costas. Lula não perde a embalagem: “Companheiro Otto, não sabia que tu ias vestir essa camisa com tanta rapidez”, dispara o presidente. E a platéia ri do constrangido ex-seguidor de ACM.

Enquanto isso, na campanha e nos palanques de Serra, parece prevalecer a lei daquele motorista de caminhão do filme “Macunaima , o herói sem caráter”. Depois de despejar a leva de retirantes sem emprego e sem rumo na periferia da grande cidade o motorista avisa :”Agora é cada um por si e Deus contra”.

“É de pior a pior”, como no xaxado de Jackson do Pandeiro.

Vitor Hugo Soares é jornalista – E-mail: Vitor_soares1@terra.com.br

CHABUCA GRANDA, a imensa compositora e intérpetre peruana, dizia : “Esta canção se inspirou na vida e na obra do senhor Manuel Solari y Swayne, destacado jornalista limenho que obstinadamente trata de resgatar o belo, o realmente entranhado de nossas tradições populares.

Manuel sempre pede pela conservação da nossa belissima cidade de Lima, destruida por alguns terremotos e por muitos prefeitos que são mais frequentes que os terremotos.Escrevi esta canção em 11 de fevereiro de 1956, em uma casa muito antiga, dos Sánchez Concha, que certamente já não existe”.
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Nota do editor do BP: Conheci Chabuca Granda em uma loja de disco na Avenida Corrientes, em Buenos Aires, na minha primeira viagem a Argentina, no começo dos anos 70. Quando a moça da loja colocou o disco para tocar foi paixão à primeira vista. E para sempre!

Quando ouvi Caetano Veloso cantar e gravar “La Flor de La canela” , descobri que desde cedo ele bebera na melhor fonte da música da América Latina. Mais tarde, quando ele gravou “Fina Estampa”, também de Chabuca, se deu a sintonia ainda mais perfeita. Descobri que Chabuca partira, mas deixara uma alma gêmea em seu lugar, e na Bahia.

BOA NOITE!!!

(Vitor Hugo Soares)

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