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DEU NA REVISTA DIGITAL

Marcela Rocha

Para o diretor-geral da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, a quebra de sigilo fiscal de quatro tucanos não pode ser vista como um ato com fins eleitorais, mas sim como “mercantilização de dados sigilosos”. Já para um dos atingidos, o vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, as declarações do representante da Receita fazem parte de uma “operação abafa” do caso em favor do PT, chamado pelo tucano de “facção”.

“É lamentável que o secretário da Receita atue não como defensor da instituição dele, mas como agente político em favor de uma facção, rompendo com a tradição do órgão”, ataca Eduardo Jorge.

Em coletiva dada nesta manhã de sexta-feira (27), o diretor da Receita alegou que o órgão “se pauta pela legalidade”, e não pelo tempo político. “Os governos vêm e vão, mas a Receita, na qualidade de órgão de Estado, permanece sempre. Não vislumbro nenhuma motivação eleitoral. Foi uma mercantilização de venda de informações sigilosas”, explicou o chefe do Fisco, destacando que a instituição foi pega de “surpresa” com o episódio.

Eduardo Jorge, depois de entrar com reiterados pedidos, recebeu uma cópia do processo e garante que “não há nenhum indício de que se trate de uma comercialização de dados sigilosos”. E acrescenta: “Cartaxo não poderia dizer isso sem ter indicio”. O tucano pretende requerer diligências e provas destinadas a elucidar o caso. “Porque, até agora, o órgão só está investigando o mecanismo dentro da Receita”, justifica.

Para o vice-presidente do PSDB, é preciso explicar o que foi feito como os dados fiscais das pessoas, quais foram as motivações para a quebra do sigilo e para quem foram entregues as informações. O corregedor-geral da Receita Federal, Antonio D’Ávila, afirmou que existem indícios de que as servidoras responsáveis pelas quebras dos sigilos teriam recebido propina para acessar sem motivação os dados fiscais.

Além do vice-presidente executivo do PSDB, Eduardo Jorge, a Receita Federal violou, sem razões profissionais legais, os sigilos fiscais de outras três pessoas ligadas ao PSDB. Em Mauá (SP), foram vasculhadas informações do Imposto de Renda do ex-ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, do ex-diretor da Previ (fundo de pensão do Banco do Brasil) Ricardo Sérgio e de Gregorio Marin Preciado, ligado ao presidenciável José Serra.

A Receita fará duas representações criminais no Ministério Público contra as servidoras Antonia Aparecida Neves Silva – que detinha cargo de confiança na agência da Receita de Mauá, em São Paulo – e Adeilda Ferreira Leão dos Santos por participação no episódio.

EJ, como é conhecido o tucano, acredita que as coletivas de imprensa do secretário e do corregedor-geral da Receita Federal, Antonio D’Ávila, são “pura enrolação”. “Até dois dias atrás, ele (Cartaxo) dizia que o inquérito era sigiloso, nem pra mim entregava a cópia da sindicância. Agora, o inquérito é tão publico que ele diz que é mercantilização? Deixou de ser sigiloso quando?”, questiona.

O PSDB também pediu que o Ministério Público entre na investigação, pois o partido atribui ao comitê de campanha da petista Dilma Rousseff a elaboração de dossiês para incriminar tucanos ligados ao presidenciável José Serra. Descrente do envolvimento do MP no caso, EJ levanta novo questionamento. Desta vez, foi provocativo: “o Ministério Público não entrou no mensalão, vai entrar nisso agora?”. E arrematou: “eu ficaria muito surpreso se o MP entrasse nisso”.

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Comentários

Marco Lino on 27 agosto, 2010 at 22:22 #

A tucanada anda sonhando com um novo dossiê… quer repetir 2006, arranjar 2° turno.

Globo, Folha, Estadão e Abril estão a postos. Aloprados ao PT não faltam. Difícil.

Alckmin tinha a cara de conservador, e este público o abraçou. Serra não tem cara. Aliás, tudo em Serra é falso, até a favela é falsa – as favelas de São Paulo já foram todas queimadas?!

Que coisa patética…


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