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Postado em 23-08-2010
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 23-08-2010 02:33

Temer: vice comanda tropa do PMDB

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O PMDB começa a colocar a corroça adiante dos bois, aparentemente seguro de que a vitória da petista Dilma Rousseff na eleição de outubro já está no papo.

Segundo reportagem do Estadão no domingo, o principal partido da aliança governista já tem até plano de partilha de cargos no governo que sucederá o de Lula e já avisa: sem essa de servir de “barriga de aluguel”, como no caso da indicação do atual ministro da Saúde, nome do peito do governador do Rio, nomeado na cota do PMDB. “Aposto que o PT, se continuar na Presidência da República, vai fazer um esforço descomunal para que as coisas não aconteçam como quer o PMDB”, diz o jornalista político Ivan de Carvalho em seu artigo desta segunda-feira, na Tribuna da Bahia, que Bahia em Pauta reproduz.
(VHS)
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OPINIÃO POLÍTICA

O PMDB e a natureza do PT

Ivan de Carvalho

“Aposto que o PT, se continuar na Presidência da República, vai fazer um esforço descomunal para que as coisas não aconteçam como quer o PMDB.”

Com a dianteira assumida nas pesquisas eleitorais pela candidata do governo e da coligação liderada pelo PT a presidente da República, o PMDB, principal aliado, tanto da base do governo quanto do PT na coligação, apressa-se a marcar a fatia do bolo que imagina comer no futuro a aparentemente provável governo de Dilma Rousseff.

A coisa mais essencial de todas é que o PMDB espera continuar sendo o maior partido no Congresso Nacional. Está certo de que terá a maior bancada no Senado, como já ocorre atualmente, e quase certo de que conseguirá também contar, como já ocorre, com a maior bancada na Câmara dos Deputados. Neste último objetivo, há uma certa ameaça do PT, mas os peemedebistas confiam que, embora por uma diferença que poderá ser mínima, terão mesmo a maior bancada dentre todos os partidos.

Não é da lei – porque os presidentes do Senado e da Câmara são eleitos e qualquer senador ou deputado pode apresentar sua candidatura –, mas é da praxe, por todos admitida e reconhecida publicamente, que o partido que tenha a maior bancada numa Casa do Congresso indica o presidente dessa Casa.

Como o PMDB espera ter as maiores bancadas no Senado Federal e na Câmara dos Deputados, espera “fazer” os presidentes das duas Casas que compõem o Legislativo federal. E faz saber – por enquanto, com porta-vozes no anonimato – que exercerá sua “prerrogativa” de indicar os presidentes das duas casas, estando fora de cogitação estabelecer, como ocorreu sob Lula, um rodízio com o PT na presidência da Câmara.

De agora em diante, rodízio no Congresso, se houver, só de pizza. O que, forçoso é admitir, parece bem provável, tendo em conta os precedentes. Além dos presidentes das duas Casas do Congresso, o PMDB conta ter, naturalmente que se Dilma Ducheff (esse lapso está me perseguindo, é Rousseff, gente) for eleita, o que nunca teve desde a primeira redemocratização, em 1945 – o vice-presidente da República, na pessoa de Michel Temer, presidente da Câmara e do próprio PMDB.

Outra coisa que o PMDB está avisando (o jornal O Estado de S. Paulo publicou matéria a respeito ontem) é que não aceitará mais ser “barriga de aluguel”. Explicando melhor: o presidente Lula quis nomear alguém indicado pelo governador fluminense Sérgio Cabral (do PMDB, por conveniência) para ministro da Saúde e então nomeou José Gomes Temporão, atribuindo o cargo à cota do PMDB, que como partido não foi ouvido nem cheirado a respeito, apenas “alugou a barriga” para Lula fazer o filho. Daí que o PMDB, ó…

Pois não aceitará mais isto. E avisa que o cenário, uma vez eleita Dilma, será radicalmente diferente do que havia no governo Lula. O PMDB não será um aliado “convidado” a participar do governo depois da eleição de Lula. Será também dono da casa, do governo que terá ajudado a eleger. E quer poder dividido “meio a meio”. Não sei como pode ser isso, se a Constituição só admite um presidente e só um (a) será eleito. Mas quer Henrique Meirelles na equipe econômica, ministérios com “porteira fechada” – antigamente, o nome era mais sutil, dizia-se “ministérios verticalizados” –, sua cota de cargos, inclusive de comando, nas estatais.
Aposto que o PT, se continuar na Presidência da República, vai fazer um esforço descomunal para que as coisas não aconteçam como quer o PMDB. Não é da natureza do PT conformar-se com o que o PMDB pretende.

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Comentários

Marcos Salles on 23 agosto, 2010 at 14:48 #

Assim como no governo federal, a Bahia fará uma forte aliança entre Geddel e Dilma. É isso o que a Bahia precisa. Uma aliança que gere trabalho para o estado e não apenas a amizade pela amizade, como foi o caso entre Wagner e Lula.


F. Carvalho on 23 agosto, 2010 at 20:15 #

A Bahia já escolheu: é Dilma e Geddel. A aliança que fará o estado se desenvolver. A Bahia tem pressa, ela precisa acelerar.


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