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Postado em 22-08-2010
Arquivado em (Newsletter) por vitor em 22-08-2010 11:02


Hotel Intercontinental(Rio):cenário de guerra/DN

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DEU NO DIÁRIO DE NOTÍCIAS (PORTUGAL). EDIÇÃO DE DOMINGO

Numa fracção de segundos, ontem de manhã, o cenário sofisticado do hotel Intercontinental, no Rio de Janeiro, foi transformado num palco de guerra: 40 traficantes da favela da Rocinha, armados até aos dentes, invadiram o espaço em fuga à polícia. O cerco da Polícia Militar ao hotel durou duas horas. Uma eternidade para 35 pessoas feitas reféns pelos traficantes na cozinha do hotel, na maioria funcionários, mas também uma assistente de bordo da TAP a quem foi “apontada uma arma à cabeça”, segundo descreveu ao DN um dos hóspedes portugueses do hotel, Sebastião Pinto Pereira.

No total, estavam hospedados no hotel cerca de 50 portugueses, na maioria profissionais de quatro tripulações da TAP. Sebastião Pinto Pereira está de férias no Rio e decidiu passar a noite de sexta para sábado no Intercontinental para fazer companhia à irmã, que é hospedeira da TAP e estava ali de passagem. “Acordei no meio da ação, a ouvir tiros na rua e o som dos helicópteros. Primeiro não percebi bem o que se passava. Fui à janela e vi o hotel rodeado de helicópteros das operações especiais da polícia.” Um cenário de terror. Sebastião estava no quarto com a irmã hospedeira da TAP. “Ficámos trancados no quarto durante duas horas, o tempo que durou o cerco policial aos traficantes. Não conseguíamos comunicar com a recepção. A dada altura, na varanda do quarto do lado, uns funcionários do hotel que ali se encontravam refugiados disseram-nos para aguardarmos no quarto em silêncio que a polícia haveria de nos ir buscar”, contou Sebastião. “Tentámos manter a calma e fomos acompanhando o desenrolar dos acontecimentos pela televisão do quarto.” Duas horas depois, elementos das Operações Especiais entraram no quarto, libertaram-nos e “revistaram tudo”. Todos os quartos foram varridos, depois de a polícia ter dominado os traficantes.

Sebastião Pinto Pereira já falava ao DN com “alívio” pelo final feliz. “Nós até estivemos bem. Pior foi para os 35 reféns na cozinha, entre eles uma assistente de bordo da TAP. Essa tripulante ia tomar o pequeno-almoço quando foi agarrada por eles. Teve uma arma apontada à cabeça”, descreve.

Sebastião falou com a portuguesa refém depois do pesadelo. “Ela disse-me que já estava com mais medo da Polícia Militar do que dos traficantes”, descreve, entre risos. É que os polícias estavam armados com fuzis, verdadeiras armas de guerra.

“Um helicóptero das Forças Especiais aterrou no telhado do hotel e largou polícias. Era um cenário incrível, de filme”, descreve o português. Segundo conta Sebastião, a assistente de bordo que passou pela experiência de ser refém viajava ontem ao final da tarde para Portugal. “Ia viajar no mesmo voo que a minha irmã.” Sebastião Pinto Pereira não decidiu alterar as suas férias no Rio de Janeiro por causa desta experiência terrível. “Tudo acabou bem e nenhum dos portugueses ficou ferido.”

Isabel Palma, do gabinete de comunicação da TAP, também adiantou ao DN que os 40 tripulantes estavam “todos bem”. Só uma tripulação partiu ontem, as outras três viajam hoje.

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