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Blogbar do Fontana – Nos balcões dos bares da vida

Batatinha – Batatinha & Companhia Ilimitada (1969)

JS Discos – 1969

Música – Não suje o meu caixão

Composição – (Panela e Garrafão)

Cantor – Antonio Moreira

BATATINHA & COMPANHIA ILIMITADA

Salvador, maio de 1969

Aos tantos dias do mês tal do ano qual, fundou-se a sociedade Batatinha & Companhia Ilimitada, com fins musicais.

Tôda a história começou ha exatamente vinte e cinco anos, quando o cidadão Oscar da Penha, a quem o Samba apelidou de Batatinha, resolveu tirar, na caixa de fósforo (não revelo a marca, porque seria propaganda gratuita), o Inventor do trabalho, seu primeiro samba.

Daí por diante vieram várias gravações: Jajá da Gamboa, por Jamelão (que para tanto entrou de bicão: tornou-se parceiro, indevidamente), Diplomacia e Só Eu Sei, por Bethânia (numa só faixa), Bossa Capoeira, pelo Inema Trio (Batatinha, inclusive, foi o introdutor da Capoeira na nossa Música Popular, há anos atrás), além de marchas e sambas carnavalescos.

Tudo isso rendeu ao cidadão Oscar da Penha a importância de NCr.$ milhares de cabelos brancos, capital indispensável para a fundação da sociedade musical Batatinha & Companhia Ilimitada. Batata, até hoje, não conseguiu ganhar a parcela justa no que concerne a direitos autorais etc., diga-se para o bem da verdade, e que seja constado em ata.

Em Assembléia Geral, para que nossa Sociedade fôsse mais importante, votamos a participação de uma dupla de sambistas populares: Panela e Garrafão (que fazem samba com tempêro e birita). Era pensamento de Jorge, diretor da JS, mudar o nome do samba dêstes dois novos associados para efeito de gravação. Sugerimos, então, que nos permitesse fazer a contracapa do disco e explicar tudo.

Na verdade, não temos a mínima intenção de cumprir o combinado: não vamos explicar coisa alguma. Achamos a música (Não suje o meu Caixão) com um título altamente tropicalista (Tropicalismo é exatamente isto: valorização das nossas coisas, em têrmos de arte). O título, aliás, reflete a mentalidade e os preconceitos que condicionam o nosso homem do povo. Em têrmos culturais, pode haver algo mais importante?

Se pode, de certo, não serão as nossas palavras. Apostamos.

Cid Seixas

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Bahia em Pauta agradece ao poeta paulista e blogueiro Luiz Fontana, do Blogbar, por mais esta garimpagem e sensacional sugestão musical que começa o dia no BP. É a frutífera tabelinha Sampa-Bahia que segue fértil e semgue em frente.
(VHS)

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