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Postado em 19-08-2010
Arquivado em (Newsletter) por vitor em 19-08-2010 14:27

Ciganos romenos: mandados de volta

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Crescem na Europa as críticas ao presidente conservador Nicolas Sarkozy, por relacionar imigração e criminalidade no mesmo pacote de medidas governamentais na França, considerado historicamente um dos países mais livres e democráticos do mundo.

Os primeiros ciganos romenos que viviam nos acampamentos ilegais que o governo francês mandou desmantelar nas últimas semanas começam a ser expulsos hoje, conforme anunciou o ministro do Interior, Brice Hortefeaux, apesar de uma chuva de críticas da esquerda, da imprensa, da ONU, da Comissão Europeia e das autoridades de Bucareste e de Sofia.

79 ciganos de origem romena vão partir no voo de hoje, 136 serão reconduzidos na sexta-feira e 160 no próximo dia 26, confirmou o secretário de Estado para a integração da minoria cigana da Roménia, Valentin Mocanu, ontem citado pela AFP.

Paris indicou que pretende expulsar até final do mês 700 ciganos romenos e búlgaros que viviam de forma irregular nos 51 acampamentos desmantelados em território francês.

O número de ciganos na França está estimado em 15 mil, mas nem todos são legais. Apesar de membros da União Europeia, um espaço em que existe livre circulação, como ontem lembrou Bruxelas, romenos e búlgaros estão abrangidos por um acordo transitório que os impede de permanecer mais de três meses em território francês caso não tenham aí qualquer atividade. As regras para entrarem no mercado de trabalho são também rígidas. A França alega, por isso, não comete nenhuma ilegalidade.

“As medidas decididas pelas autoridades francesas estão em plena conformidade com as regras europeias e não constituem nenhum atentado à liberdade de circulação dos cidadãos da UE”, disse, à AFP o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros francês, Bernard Valero, lembrando que o mais importante é a Comissão Europeia “apoiar os programas de reintegração” dos ciganos nos seus países de origem. E sublinhou a existência de uma diretiva que permite a um Estado da UE “restringir a livre circulação por razões de ordem pública, de segurança ou de saúde pública”.

TUMULTOS

Na origem do desmantelamento dos acampamentos e das expulsões “quase imediatas” estão os tumultos provocados pelos ciganos em Julho no centro de França, depois de um polícia ter matado um jovem cigano de 22 anos que não parou numa batida policial.

Armados de machados e barras de ferro, os ciganos derrubaram árvores, semáforos, incendiaram carros, atacaram uma padaria e um esquadrão de polícia. Habitantes de alguns dos acampamentos mais antigos, como o de Hanul, que já teria uma década, são auxiliados por autarquias de esquerda, que classificam de “racismo de Estado” o plano securitário do Governo de Nicolas Sarkozy. O Presidente sugeriu mesmo retirar a nacionalidade francesa a pessoas de origem estrangeira que atentem contra as forças de segurança.

A ONU criticou a perigosa relação que está a ser feita em França entre imigração e criminalidade. “Esta política de humilhação dá uma visão degradante da ação pública. A França não é um país racista”, escreveu o Le Monde. “Exprimo a minha inquietação em relação aos riscos de derrapagem populista e de reações xenófobas num contexto de crise económica”, declarou à rádio RFI Roménia o ministro dos Negócios Estrangeiros romeno, Teodor Baconschi.

Mas a verdade é que 79% dos franceses apoiam o desmantelamento dos acampamentos. E isso é o que importa a Sarkozy, candidato à reeleição em 2012. O ministro da Imigração francês, Eric Besson, tentou ontem pôr água na fervura, dizendo que este voo é normal e que este ano já é o 25.º. A França paga 300 euros aos adultos e 100 às crianças, como incentivo ao regresso. Muitos aceitam, mas depois tornam a voltar a França.

(Postado por Vitor Hugo Soares, com informações do Diário de Notícias(Lisboa), Le Monde e AFP)

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 19 agosto, 2010 at 15:15 #

Caro VHS

Tinha de ser no Bahia em Pauta

Tenho acompanhado esse triste Sarkosy, que não se atém a usar saltos altos para ombrear a Carla Bruni, esta obrigada, quase sempre, a usar “rasteirinhas” e “ballerines”. Vai além, e ostenta o comportamente de tiranete de plantão. Tenho publicado algumas matérias a respeito, especialmente do El País.

Mais uma vez reconheço em você o olhar que vai além do jornalismo e capta as mazelas tingidas de cinismo e travestidas de decisões de estado.

A vida aqui imita a arte, e me leva ao filme Le Gitan (1975) com Alain Delon.

aqui

http://www.youtube.com/watch?v=hxwf2O9OZlc&NR=1


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