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Postado em 12-08-2010
Arquivado em (Newsletter) por vitor em 12-08-2010 15:25

Bonner e Fátima no JN: sem regras

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“Por oportuno, aqui Helio Fernandes, Tribuna da Imprensa”, diz Luiz Fontana, atento e antenado editor do Blogbar, na área de comentário do Bahia em Pauta, sobre a sabatina com os presidenciáveis no Jornal Nacional, da Globo. Por relevante, BP traz para o primeiro plano do espaço de opinião do BP, o artigo do editor da Tribuna da Imprensa. Com agradecimentos a Fontana e a Hélio. Confira, que vale a pena, como opinião e como texto jornalístico. Garanto.
(Vitor Hugo Soares )

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DEU NA TRIBUNA DA IMPRENSA

HÉLIO FERNANDES

Na Band pelo menos HOUVE debate dentro das regras. No “Jornal Nacional”, os candidatos OUVEM as lições, se ficarem bem atentos, e utilizam os “12 minutos” presidenciáveis.

Em 1917/18, o jornalista John Reed era correspondente do “The New York Times” na Rússia. Assistiu perplexo à guerra civil que acabou com “todas as Rússias”, fez nascer o que se chamou de União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

Mandou correspondência diária para o seu jornal, juntou tudo, escreveu um livro definitivo, que muita gente, hoje, devia ler ou reler.

“10 dias que abalaram o mundo”. Sucesso tão grande, que ao morrer, Reed foi enterrado nos muros do Kremlin, honra para poucos, principalmente estrangeiros. Mais tarde um filme ótimo, com título magnífico: “Reds”. (Embora ele não fosse comunista).

Viciados, vidrados, voluptuosos de História, Fátima Bernardes e William Bonner, estão preparados e preparando um livro, que na certa se chamará: “12 minutos que abalaram a sucessão presidencial no Brasil”.

Parcialíssimos, deixavam bem claro: “Estamos entrevistando para a História. Quem não for aprovado aqui, não se elege”. Foram complacentes com Dilma, implacáveis com Marina. Não fizeram uma só pergunta importante, que correspondesse à resposta que elucidasse, esclarecesse ou informasse o telespectador. Que em 3 de outubro, além de cidadão-contribuinte, será também eleitor.

Esses debates múltiplos não acrescentam muito nem ao candidato nem ao futuro eleitor. Na Band, existiam as regras clássicas, que todos seguiam. O Ricardo Boechat se colocava como jornalista mediador e “não como arauto da História”, como estava escrito no vocabulário de Fátima e Bonner.

Ela prejudicou a “entrevista”, queria aparecer mais do que marido. Veio a ordem, utilizando a tecnologia: “Interrompa a Fátima, estamos caindo no Ibope”. Como se sabe, tudo é “milimetrado”. Bonner mudou, calou a Fátima.

Na Band, Dilma foi péssima, Serra histriônico e falador, Marina nem apareceu. Dilma “fugiu” da pergunta do Joelmir Beting sobre “dívidas”, uma das mais importantes. E a própria Dilma falou sobre portos, mas se embaralhou toda, os nossos são os mais atrasados do mundo.

(Os americanos, que são os que mais compram e vendem para a Índia e a China, ficam assombrados. Esses países carregam e descarregam mais de 50 ou 60 navios por dia, sem o menor atropelo. No Brasil, Santos não funciona, Paranaguá sempre engarrafado. São os maiores do Brasil).

Nas “entrevistas” do “Jornal Nacional”, além da arrogância e prepotência dos entrevistadores, a visível discriminação. Como Dilma ia muito mal (nem liguemos para falhas que chamam de gafes, sem qualquer importância) resolveram protegê-la, sem perguntas aprofundadas. E ainda “deram parabéns a ela”. Inacreditável.

Não sei qual o interesse do “Jornal Nacional” (Fátima e Bonner eram apenas “representantes”) em polarizar a “entrevista” entre Dilma e Serra. Todas as perguntas eram sobre “o relacionamento dela com o presidente Lula”. Perda de tempo, não há ninguém, entre os mais ou menos informados, que desconheça a ligação Lula-Dilma.

Com isso, “estimularam” o caráter PLEBISCITÁRIO da eleição, que é o sonho de Lula desde o início. Mas qual o interesse da TV Globo em jogar a eleição para uma luta Serra-Dilma, que é o que acontecerá mesmo? (Por falta de uma REFORMA PARTIDÁRIA que imponha CREDIBILIDADE e REPRESENTATIVIDADE à eleição).

Mas com o jogo visível da “ENTREVISTA”, a TV Globo é “plebiscitária” a FAVOR de Serra ou CONTRA Dilma? Não que isso seja muito importante, haja o que houver a TV Globo estará sempre com o vencedor.

Depois “se queixaram” que Dilma falou 8 vezes o nome de Lula. Não era isso que pretendiam? Na “entrevista”, Dilma já tinha os dados (só publicados depois de sua fala, e antes da de Serra): “22 por cento não sabiam que ela é A CANDIDATA DO LULA”.

Não se sabe se conseguiu o objetivo, mas o “Jornal Nacional”, perdão, a TV Globo, se despediu dela sem raiva ou rancor.

Esses sentimentos surgiram no dia seguinte, quando a “entrevistada” era Marina do PV, ex-PT. Ela que desapareceu (ou não apareceu) no debate da Band, na TV Globo começou em grande forma. O casal tentou interrompê-la de todas as maneiras, fazia a pergunta, não permitia a resposta.

Expressando-se muito bem, (ao contrário da Band) continuava falando com enorme clareza, mesmo sendo interrompida, mas não tomando conhecimento de que tudo aquilo era deliberado e planejado.

Decidiram então, não se sabe bem a razão, MASSACRÁ-LA. Vieram as perguntas tendenciosas, mas que não foram feitas aos outros candidatos. A primeira, vergonhosa discriminação, confissão do desespero: “A SENHORA NÃO PROTESTOU CONTRA O ESCÂNDALO DO MENSALÃO, ENTÃO É CONIVENTE”. (Textual, palavra por palavra). Marina respondeu, não tinha nada com isso e em matéria de escândalos está acima de qualquer suspeita.

Nova tentativa de COMPROMETÊ-LA: “A senhora disse em determinado momento: “ESTAVA DESCONFORTÁVEL NO GOVERNO. Então por que não deixou o ministério?”. A resposta calou os entrevistadores, que receberam “ORDENS” para “jogar bola da Lagoa”. Já haviam se passado 10,03 (10 minutos e três segundos), o melhor era acabar, nem se despediram cordialmente.

Pergunta obrigatória: por que tentar humilhar e desconsiderar eleitoralmente Marina? Para diminuir sua votação e decidir a eleição no primeiro turno? Mas a favor de quem?

A TV Globo é sempre uma “caixa-preta”, inimaginável. Levou a questão para um PLEBISCITO, nenhuma dúvida. Mas e a decisão para possível resultado no primeiro turno? Para quem a TV Globo “torcerá”?

Nessa maratona de “debates” e “entrevistas”, José Serra foi o último. Muito justo, pois ele não irá ganhar mesmo. Sem dúvida, foi o mais insincero. Insincero e fugitivo, em matéria de respostas.

Quando o reloginho do “Jornal Nacional” marcava exatamente 3 minutos, Serra já havia falado 4 vezes a palavra futuro. Foi quem mais deixou de responder perguntas, desde a primeira. Que foi esta: “Por que o senhor não critica o presidente Lula, tem receio de enfrentar a popularidade dele?”.

Resposta: “Ele não é candidato, a partir de 1º de janeiro, estará fora de tudo”. E tratou de mudar de assunto.

O “Casal 20” da televisão, podia ter encurralado o “candidato”, (insistem em não dizer o nome ou os cargos), perguntando, “por que o senhor cita tanto FHC, que não é candidato nem tem qualquer posição na sua campanha?”

E logo a seguir, Serra dizia, deixando todos surpreendidos: “FHC criou o Plano Real, que tirou o Brasil de UMA INFLAÇÃO DE 5 MIL AO ANO”? 5 MIL. Mesmo com Mailson ficou muito longe, e embora não seja favorável, existiam, compensações.

***

PS – Serra diz que não é CENTRALIZADOR. Não está bem de memória, foi vetado 5 vezes para o cargo que tanto desejou, o de Ministro da Fazenda. E foram vários os presidentes que não o aceitaram.

PS2 – Fala sempre e repete. “meus pais eram humildes, tive uma infância modesta, NUNCA PENSEI QUE ESTIVESSE AQUI NO JORNAL NACIONAL, como candidato a presidente”.

PS3 – Nesse ponto, perde de mil a zero para Lula. Fugiu da pergunta sobre o PTB, fugiu do fato de ter apoiado ABERTAMENTE Kassab, contra Alckmin, candidato do seu partido.

PS4 – Nem quero comentar sua resposta sobre o vice. Deixa para outra eleição.

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