Sakineh Ashtiani: perigo de morte/Público

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A iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, cuja condenação à morte por apedrejamento (lapidação) causou indignação mundial, confessou ontem à noite numa entrevista na televisão do regime dos aiatolás, ter sido cúmplice da morte do marido. O seu advogado e ONGs de defesa dos direitos humanos receiam que a confissão tenha sido feita sob tortura e que poderá indicar que o regime se prepara para executar a pena. A notícia é uma das principais manchetes da edição online do jornal Público, de Lisboa.

A transmissão na televisão do Estado, segundo seus apresentadores, foi destinada a denunciar a “propaganda dos meios de comunicação ocidentais”. Apareceram imagens de Sakineh Mohammadi Ashtiani, que tinha sido condenada em 2006 por adultério e recebido um castigo em chibatadas. Mas mais tarde a acusação foi alterada para assassínio e Ashtiani foi então condenada à morte por apedrejamento.

Na televisão, Ashtiani reconhecia que um homem com quem tinha uma relação lhe tinha proposto matar o marido, e que ela tinha deixado que ele cometesse o crime à sua frente, num comunicado lido com voz trêmula. O seu rosto estava coberto por um chador que apenas deixava entrever o nariz e um olho. A acusação diz que Ashtiani tinha dado uma injeção ao marido para o deixar a dormir antes que o assassino o electrocutasse. Mas o suposto adultério pelo qual foi condenada teria acontecido quando ela já era viúva.

No comunicado lido na televisão, a voz que supostamente é de Ashtiani diz que nem sequer conhece o seu advogado, Mohammad Mostafaei, e culpa-o por ter difundindo o caso internacionalmente.

MUNDO REAGE

O caso da mulher de 43 anos, revelado em julho pelo seu advogado que entretanto se refugiou na Noruega, suscitou uma onda de indignação e vários países ou associações pediram à República Islâmica que não aplicasse a pena. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, ofereceu asilo a Ashtiani no país. A justiça anunciou que o veredito de 2007 estava suspenso por razões humanitárias, abrindo uma janela de esperança para que Ashtiani pudesse não ser executada.

Mohammad Mostafaei reagiu dizendo, em declarações à CNN, que o tipo de confissão mostra que Ashtiani terá sido coagida a fazê-las depois de dias de tortura.

Mina Ahadi, responsável do Comité Iraniano contra a Lapidação (apedrejamento) diz que esta não é a primeira vez que o Irã põe uma vítima inocente na televisão e depois a executa apoiando-se em condenações forçadas. Era uma prática comum na primeira década da revolução islâmica” de 1979, disse, ao diário espanhol “El País”.

A situação faz temer, diz o advogado e várias ONGs como a Anistia Internacional, que Ashtiani possa ser executada em breve.

(Informações de Público, de Portugal, El País, de Espanha e agências internacionais de notícia)

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