ago
12


=============================================================

DEU NA COLUNA “EM TEMPO” DA TRIBUNA DA BAHIA , ASSINADA PELO JORNALISTA ALEX FERRAZ:

Mesma paisagem, mesma promessa

Vejo de relance na TV uma repórter conversando com moradores da invasão de Saramandaia, localizada em pleno centro econômico de Salvador, atrás da Estação Rodoviária e da sede do Detran. As pessoas, quando não estão seminuas (crianças, inclusive) e descalças, cobrem-se com trapos ou antigos abadás de Carnaval e calçam surradas sandálias de borracha com furo no dedão. Como pano de fundo, casebres e, no máximo, casas toscas, com paredes também nuas, no tijolo vivo, notoriamente “armengadas”, em ruas de terra batida.

É sempre assim, em praticamente todo o País – com especial ênfase no Norte e Nordeste -, quando se mostram os bairros pobres e suas tragédias, inclusive na periferia da capital federal.

Na verdade, devo dizer que tem sido sempre assim, há décadas. Começa mandato, vence mandato, de prefeitos, governadores, presidentes, de qualquer partido, de qualquer ideologia (e ainda existe ideologia?), lá estão os miseráveis, em número cada vez maior (viu-se recentemente que, em Salvador, nascem cerca de mil crianças por mês nas maternidades que atendem o pessoal de baixa ou nenhuma renda).

E sempre acontece o Criança Esperança, sempre há campanhas e ONGs anunciando que vão amenizar a miséria, sempre há candidatos, os quais sempre fazem as mesmas promessas básicas: emprego e renda, segurança, saúde e educação públicas para todos.

E nunca se vê, claramente, uma redução da miséria, a não ser nos mirabolantes cálculos e percentuais do economês boçal, papagaiado por uma parte da mídia, mostrando que os R$ 30 ou R$ 40 a mais no salário de uma multidão de trabalhadores subassalariados formam, aí sim, uma bonita cifra de bilhões “injetados na economia”.

Tenho, particularmente, uma opinião formada sobre a causa desta eterna miséria: ao longo de décadas, diria mesmo que desde que o voto foi instituído neste país, os candidatos precisam ter uma plateia zumbi, pobre, a ponto de festejar um saco de cimento ou alguma migalha mensal, e sempre precisando depositar esperança nas promessas de segurança, saúde, educação, geração de emprego e renda…Infelizmente, é uma plateia de tal forma alienada, de tal forma deseducada, de tal forma calejada com a miséria, que nunca pensou, não pensa e duvido que pensará em reagir à altura. A não ser quando aparece alguém para arregimentar a horda, com fins eleitoreiros, até o momento em que vence o pleito. A partir daí, o círculo vicioso continua.

Be Sociable, Share!
Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos