Deu na coluna Tempo, do jornalista Alex Ferraz, ns edição de hoje(11) da Tribuna da Bahia:

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Uma perigosa e fatal vista grossa

A Feira do Rolo, ali no início da Avenida Suburbana, já virou uma “tradição” (como gosta de dizer a imprensa na Bahia, onde tudo que se realiza por mais de oito ou dez anos vira “tradição”). É antiga, como antigos são os problemas que ali acontecem, desde a comercialização de objetos roubados (inclusive armas!) até a imensa desordem no trânsito e o perigo de tiroteios, como vimos ocorrer no último domingo, resultando na morte por bala perdida de uma garotinha de nove anos. Claro que existem comerciantes honestos, devo assinalar, mas a gente sabe que rola muita coisa ruim.
E não somos apenas nós que sabemos disso. A Polícia também sabe. Daí que, na minha opinião, só há duas opções para as autoridades de segurança pública: ou acabam com a feira ou assumem que ela existe e passam a tratá-la como algo do calendário soteropolitano, com direito a segurança policial e até mesmo revistas para flagrar quem vai para um evento que mobiliza tanta gente levando armas na cintura (aliás, neste país só o cidadão honesto não tem direito de andar armado, porque a bandidagem…).
Em outras palavras, acabem com a armadilha. Não finjam que a feira não existe, não finjam que lá não ocorrem irregularidades para, assim, agradar a gregos e troianos. Acho que as pessoas que acorrem, às centenas, quiçá milhares, todos os domingos, àquela feira, têm o direito de fazê-lo, assim como os vendedores têm direito de expor suas mercadorias. O que não é possível é essa coisa híbrida, essa inconcebível mistura de legal e ilegal, essa vista grossa que acaba fazendo com que o evento provoque muito mais problemas do que deveria, alguns deles, como vimos, fatais. O povo que ali vai, honestamente, vender ou comprar, tem direito à segurança, sim!

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