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Postado em 09-08-2010
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 09-08-2010 11:01

Geddel e Souto: caminhos cruzados

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“Se Paulo Souto (DEM) e Geddel Vieira Lima (PMDB) decidirem disputar lugar no segundo turno desconstruindo reciprocamente suas candidaturas, então talvez não haja mesmo segundo turno” , opina o jornalista político Ivan de Carvalho em seu artigo desta segunda-feira, na Tribuna da Bahia, que BP reproduz.
(VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

Um lugar no segundo turno

Ivan de Carvalho

A última pesquisa do Ibope não é, certamente, a última palavra na sucessão baiana. O governador Jaques Wagner aparece bem na fotografia, os números do momento lhe dariam a vitória sem necessidade de segundo turno, mas a campanha eleitoral – pelo menos na sua fase oficial e mais aguda, porque a campanha crônica e “antecipada” já vem sendo realizada há meses – está ainda no começo.
Teremos um fato relevante, apesar do horário tardio em que terá início, que é o debate entre os candidatos a governador na Band, na quinta-feira desta semana, uma espécie de desdobramento, sob o aspecto midiático, do debate entre quatro candidatos a presidente, realizado na quinta-feira passada.
A fase mais importante da campanha começa, no entanto, no dia 17 de agosto, data a partir da qual os candidatos vão dispor do horário gratuito de propaganda eleitoral no rádio e na televisão. A partir desse dia, a campanha irá progressivamente se intensificando e despertando um interesse maior dos eleitores, que por enquanto estão muito mais ligados nas coisas do cotidiano deles mesmos e no futebol do que nas eleições.
Assim, há motivos de sobra para afirmar que a pesquisa do Ibope, bem como as de quaisquer outros institutos, que tenham sido ou sejam divulgadas na fase atual, não representam a última palavra. Esta constatação é um lugar comum entre analistas de pesquisas eleitorais e as direções técnicas dos institutos que as realizam, mas vale citá-la, pois corresponde à verdade.
Se os números de pesquisas na atual fase não são a última palavra sobre o que vai acontecer nas eleições, eles representam, no entanto, uma sinalização importante. A credibilidade dos institutos varia, mas há que considerar o conjunto e levá-lo a sério.
No caso da Bahia, convém notar que o governador Wagner teve o privilégio de, durante mais de um ano, ficar falando sem concorrência, através da propaganda de seu governo e isto lhe valeu, sem nenhuma dúvida, a boa posição de que hoje desfruta nas pesquisas. Agora, a legislação eleitoral já não lhe permite manter aquela propaganda, mas se sua candidatura tiver uma preferência clara, objetiva, do presidente Lula, com a imensa popularidade de que dispõe o presidente na Bahia, isto poderá compensar, em parte, o fim da propaganda solitária.
Em síntese: para as oposições, a batalha não é nada fácil. E tudo que foi dito nas linhas precedentes o foi para que se chegasse à seguinte conclusão: as oposições, se quiserem disputar as eleições de governador para valer, terão que traçar já uma estratégia conjunta, cujo ponto mais essencial será (ou seria) não se canibalizarem pelo menos as duas forças principais da oposição, as coligações lideradas pelo DEM e pelo PMDB.
Se Paulo Souto e Geddel Vieira Lima decidirem disputar lugar no segundo turno desconstruindo reciprocamente suas candidaturas, então talvez não haja mesmo segundo turno em que qualquer deles possa estar. Só há uma maneira de um dos dois chegar lá: procederem como companheiros de viagem, considerando adversário apenas o atual líder das pesquisas, o governador, e deixarem que a campanha de cada um e a simpatia do eleitor decida qual dos dois irá para o segundo turno, se o eleitor decidir que haverá um.

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