ago
06
Postado em 06-08-2010
Arquivado em (Artigos, Eventuais) por vitor em 06-08-2010 17:08

==================================================

Artigo/ Comunicação

Falsa polêmica

Washington José de Souza Filho*

A perda do título da Copa do Brasil, na quarta-feira, depois de vencer o Santos por 2×1, no Barradão – o time paulista foi o campeão, porque ganhou a primeira partida, em São Paulo, por 2×0 – colocou o Vitória no meio de uma falsa polêmica, porque a ironia utilizada contra o clube, na capa do Correio, edição de quinta-feira,5, esconde um debate, sobre o poder nas redações, desconhecido do público.

A reação de muitos torcedores, fortalecida pela manifestação da diretoria do clube, serve para demonstrar a indignação. A atitude do jornal é algo que não pode servir de referência para um meio de comunicação, porque o parâmetro adotado é o de total desrespeito à informação como interesse público. Em tempo de transformação tecnológica, de necessária interlocução e contato com o público, atingir uma parcela dos leitores, torcedores de um clube, é um despropósito. Em especial, quando o veículo faz um esforço enorme para alterar a sua imagem, retirar da sua marca a referência a parcialidade.

O cartunista Lage, conhecido pelo trato cordial e a verve crítica, manifestada através do seu traço, usado para charges e cartuns, uma vez, quando vivo,assumiu a responsabilidade de não permitir a publicação da capa de uma revista, da qual fazia parte, porque a ilustração poderia representar uma afronta à Irmã Dulce, uma religiosa identificada como um símbolo da Bahia, pela dedicação aos desassistidos. Para um jornalista que viva no Rio de Janeiro, por exemplo, é inconcebível, ele pensar em usar o mesmo recurso com o Vasco da Gama, clube que como o Vitória é ironizado, quando perde as disputas. E ele nem precisa do manual de redação, que sempre fala em isenção, pluralismo e apartidarismo.

Outra situação ocorre no Rio Grande do Sul, do conhecimento de qualquer gaúcho. É impossível, apesar da polarização entre Grêmio e Internacional, qualquer meio de comunicação, agir para provocar uma ou outra torcida. O ocorrido na Bahia reflete um padrão de jornalismo, estabelecido no século 18, pelos barões da imprensa norte-americana. É o período da penny press – sendo penny a referência à moeda em uso na época, algo como um centavo.

Para vender os jornais, tudo era possível. Esta concepção, tanto tempo depois, ainda é prevalecente no jornalismo. A questão é saber por que os jornalistas não brincam com os assuntos que são do interesse dos seus patrões? Ou alguém consegue imaginar uma manchete como a citada se o assunto fosse, por exemplo, Política?

Washington José deSouza Filho , Jornalista, trabalhou em redações de jornais, revistas e televisões da Bahia e de outros Estados, professor da Faculdade de Comunicação (UFBA).

Be Sociable, Share!

Comentários

marco lino on 6 agosto, 2010 at 20:39 #

O último parágrafo foi certeiro e cheio de veneno. Parabéns!


Olivia on 6 agosto, 2010 at 20:59 #

Bravo, Washingtinho, artigo de primeira e muito oportuno. Uma aula de jornalismo para essa gente que insiste em não querer aprender.


Lilian on 6 agosto, 2010 at 22:53 #

Palavras contundentes e certeiras. Eles perderam o bom senso, abusaram fazendo escracho da política do bom jornalismo. Alguns tem defendido isso como se fosse um INOVADOR JORNALISMO. Não creio nesta “fórmula”. O Vitória é patrimônio da Bahia. O jornal desmereceu a história de uma instiuição que – independente de não ter levado o título representou e honrou o nosso Estado. Parabéns pelo artigo!


Leleto on 7 agosto, 2010 at 9:01 #

O tiro saiu pela culatra. A intenção seria criar polêmica com as duas torcidas.Realmente, mesmo com todas as mudanças ocorridas naquele jornaleco permanece o mesmo. Acho que é o DNA. Parabéns pelo Artigo.


Humberto on 7 agosto, 2010 at 15:11 #

“Para vender os jornais, tudo era possível”. Dizer mais o quê? Se vender jornal um dia para boa parte da torcida tricolor, vale não vender nunca mais (ou pelo menos por um bom período) pra torcida rubro-negra, a contabilidade do Correio dirá.
Washington, você foi preciso. Parabéns.


Gregory Despain on 16 outubro, 2011 at 16:09 #

The new Zune browser is surprisingly good, but not as good as the iPod’s. It works well, but isn’t as fast as Safari, and has a clunkier interface. If you occasionally plan on using the web browser that’s not an issue, but if you’re planning to browse the web alot from your PMP then the iPod’s larger screen and better browser may be important.


Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos