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Postado em 06-08-2010
Arquivado em (Artigos, Claudio) por vitor em 06-08-2010 11:31

Cenário do Debate: bastidor mais quente
DEU NO TERRA MAGAZINE (ELEIÇÕES 2010)
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Claudio Leal, Marcela Rocha e Marsílea Gombata

Três, dois, um. Câmeras em Dilma.

A minutos do primeiro debate presidencial de 2010, na Rede Bandeirantes, em São Paulo, a candidata do PT aparece num tailleur branco com decote de babado. Sentem falta do terninho vermelho.

– Vim de branco pela paz…

Preparados para cenários mais quentes, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, o publicitário João Santana Filho e ex-ministro Antonio Palocci acompanham a pacificadora. Mas, nos olhares petistas, a tensão se desvia dos temores políticos: Dilma, de branco? Na TV, não pode.

Um mandamento pétreo das aparições televisivas recomenda que não se deve usar branco diante das câmeras. Aconselhada pelo marqueteiro, ela encarou o tabu.

Passos atrás, o grito.

– Michel Temer!

Otávio Mesquita, o amigueiro apresentador da Band, aborda o presidente da Câmara e vice de Dilma, Michel Temer (PMDB).

– Eu faço luzes no meu cabelo. E tenho o mesmo cabelo seu. O senhor também faz luzes?

Constrangido, Temer informa uma temeridade:

– Uso uns xampus que me indicaram…

Pinceladas do corre-corre: Serra se esquiva dos jornalistas ao entrar na emissora; a primeira-dama da República, Marisa Lecticia, repete o drible serrista e passa emudecida; atrasado, o ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves (PSDB) brinca com uma provocação do repórter Danilo Gentili, do CQC, sobre seu retorno à candidatura à presidência:

– Em 2014, vai ser a reeleição do Serra. Acho que vou ficar pra 2018…

(O CQC teve acesso limitado ao debate na própria emissora).

Hora de se posicionar diante dos aparelhos de TV. Secretário nacional de comunicação do PT, o deputado federal André Vargas admira Dilma no início do debate:

– O cabelo dela tá bonito! Difícil é dar um jeito no meu. Aí vem alguém reclamar: “ela levou uma maquiadora pra Nova Iorque”. Todo mundo usa maquiagem, pô. Até o Alvaro Dias! Falei isso e uma jornalista publicou. Desde então, quando eu vejo Alvaro, me desvio… – diz Vargas, brincando de tiro ao álvaro.

No final do primeiro bloco, o ex-governador e candidato ao Senado em São Paulo, Orestes Quércia (PMDB), elogia o desempenho do aliado Serra, mas se surpreende:

– O Plínio se saiu muito bem!

Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL, no personagem de “franco-atirador”, conquista a simpatia dos jornalistas a cada ataque. O tucano Aloysio Nunes Ferreira sai para respirar e embarca na onda Plinio:

– Dilma e Serra começaram um pouco nervosos. Mas o Plinio… Tá bom, tá bom…

Ah, o senador Eduardo Suplicy… Mansamente, avança sobre a mesa de pães, sem desprezar os refrigerantes e os sucos, parte da boca-livre oferecida pela Band. “Deixa eu ir, porque quero ver a Marina”.

Os candidatos voltam à liça.

No meio do segundo bloco, uma baixa na claque do PT: José Eduardo Dutra sai às pressas do estúdio. Pulmão represado. Num impulso, tosse, tosse e tosse. Cada vez mais acre, Dutra sorri e, secamente, tosse.

– A Dilma estava falando e eu segurando, para não tossir. Cof, cof, cof! É uma coisa crônica! Cof! Eu não podia tossir na hora da Dilma. Quando ela acabou de falar, vim correndo aqui pra fora! Cof, cof!

Atrás dele, com ar de inspetor, Eduardo Suplicy procura outra vez a mesa dos pães. Pega um de salame e queijo. Deve ter apreciado: e mais outro.

– Estou gostando do debate, está equilibrado. Plínio se excedeu em alguns momentos… Dizer que a Marina parecia do PT, por exemplo… Não pegou bem – critica Suplicy.

Os presidentes do PCdoB e PSB, Renato Rabelo e Roberto Amaral, também apelam para os pães da Band. Amaral vocifera pedacinhos:

– Excelente! Excelente! – diz, a respeito de Dilma. – Até agora, ela foi favorecida pela fragilidade dos adversários.

Já o comunista Rabelo… apenas come.

Perdido na noite, o empresário e candidato ao governo pelo PSB, Paulo Skaf, procura um assessor esquecido no frio de 10 graus.

O tédio se impõe. Por dois momentos, Plínio quebra o bom-mocismo do debate.

– Agora vocês entendem por que o Serra é hipocondríaco. Ele só fala de saúde!

Os jornalistas gargalham com a tirada. Adiante, o político veterano enverdece Marina:

– Você não sabe pedir demissão! Você devia ter pedido demissão (do governo Lula). Quer conciliar em tudo…

Escarrapachado numa cadeira, um assessor da candidata do PV não move músculo. Outro acrescenta que imaginavam o debate como uma locomotiva andando, veloz, mas reconheceu: Marina precisará aquecer suas intervenções.

Fim de confronto, e a meia-noite de inverno faz os participantes tiritarem. Vice anti-Farc e galã do DEM, o deputado Indio da Costa acerta flechada adocicada numa jornalista:

– …Como vai? Veja que coincidência: pensei ainda hoje em você. Peguei o cartão que você me deu naquele dia. É um cartão verde, não é? Lembrei na hora…

Naquela exata zona de ser ou não ser o publicitário de Marina, Fernando Meirelles desmerece a atuação de Dilma. O diretor de “Cidade de Deus” registra erros de português da petista:

– Serra resolveu atacar o governo Lula. Que é a estratégia boa. Marina se saiu bem. Dilma ficou muito nervosa nos dois primeiros blocos. Errou até na concordância! Teve uma hora que ela errou a concordância. E não sabe nem olhar para a câmera… Perdida, coitada…

Meirelles surfa na onda Plínio.

– Ele sabe falar. É rápido, ágil…

Né por nada, não, mas o que ele faz na campanha de Marina?

– Não, não… Eu só vim aqui. Fiquei ali no cantinho, viu? – desvia-se, depois de fuxicar com o candidato ao governo Fabio Feldmann (PV) e o ex-ministro José Gregori (PSDB).

Na boca do estúdio, os jornalistas aguardam os candidatos, expõem um medo:

– Ai, tomara que não seja Suplicy o primeiro a aparecer… Não… Ele vai falar horas sobre o renda mínima…

Na saída, Serra aborda a família de Plínio para devolver a pecha de “hipocondríaco”.

– Eu não sou hipocondríaco. Plínio é que é!

Outra idiossincrasia logo em frente. Serra confessa para uma jornalista que queria converter cada pintinha de seu rosto num voto. “Eu ganharia a eleição”, calculou o ex-governador. Touché. Cada pintinha da moça ficou vermelha.

Coordenador de comunicação da campanha de Dilma, Rui Falcão não se espantou com a ausência da polêmica sobre os vínculos do PT com as Farc, atiçada pelo PSDB no último mês. Depois do confronto na TV, ele classifica as notícias que cogitavam o uso dessa arma por Serra:

– Aquilo era contra-informação…

Eduardo Suplicy não volta à mesa dos pães. Bem mais surpreendente: sem falar da renda básica de cidadania, entra num potente Chevrolet. Se você quer saber, no mesmo carro da ex-mulher, Marta.

Último do comboio serrista a deixar a emissora, Indio da Costa confere o celular:

– Tem uma ligação perdida do Serra… O que será?

Bate o fio e retorna:

– Vou encontrar com ele!

Mais debate np Terra Magazine:
http://terramagazine.terra.com.br/interna

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 6 agosto, 2010 at 16:26 #

E Plínio deu uma de São Paulo F. C.

jactou-se de ser o tal “quarto” participante

Como o time paulista, ganhou e não levou.

Juntou-se a quem?

Talvez ao Palocci

Inatacável pelos outros três

Serra e o PSDB o defenderam mais do que o PT durante sua gestão frente ao Ministério de Economia

Dilma, tratou de posar ao seu lado, entregando-lhe, de brinde, a coordenação da campanha, para não desagradar o tal Sistema Financeiro

Marina adora, louva, adula e, por fim adota, sua politica econômica.

Assim, Plínio, juntou-se ao nada, ou melhor à inteira falta de opção de “nosostros”. pobres eletores compulsórios.

Votar em quem?

Na “preferida” do Rei (Doutara Dilma)?

Na “preterida” pelo mesmo Rei (Marina, a jaguatirica)?

Ou naquele que “quer ser Rei no lugar do Rei”, versão tucana de “Iznogud” (Serra, o Narciso tupiniquim)?

Já Suplicy, fez o que sempre soube fazer, posou da papagaio de pirata.

Pena que Sabrina, a Sato, não lhe tenha ofertado outra “cueca vermelha”, ou seria mais apropriado uma sacola ecológica para transporte de pães.


luiz alfredo motta fontana on 6 agosto, 2010 at 16:26 #

Your comment is awaiting moderation.

E Plínio deu uma de São Paulo F. C.

jactou-se de ser o tal “quarto” participante

Como o time paulista, ganhou e não levou.

Juntou-se a quem?

Talvez ao Palocci

Inatacável pelos outros três

Serra e o PSDB o defenderam mais do que o PT durante sua gestão frente ao Ministério de Economia

Dilma, tratou de posar ao seu lado, entregando-lhe, de brinde, a coordenação da campanha, para não desagradar o tal Sistema Financeiro

Marina adora, louva, adula e, por fim adota, sua politica econômica.

Assim, Plínio, juntou-se ao nada, ou melhor à inteira falta de opção de “nosostros”. pobres eletores compulsórios.

Votar em quem?

Na “preferida” do Rei (Doutara Dilma)?

Na “preterida” pelo mesmo Rei (Marina, a jaguatirica)?

Ou naquele que “quer ser Rei no lugar do Rei”, versão tucana de “Iznogud” (Serra, o Narciso tupiniquim)?

Já Suplicy, fez o que sempre soube fazer, posou da papagaio de pirata.

Pena que Sabrina, a Sato, não lhe tenha ofertado outra “cueca vermelha”, ou seria mais apropriado uma sacola ecológica para transporte de pães.


danilo on 6 agosto, 2010 at 16:55 #

confesso que os silêncio prolongados de Dilma, os seus engasgos e a sua respiração ofegante me davam a impressão que ela estava prestes a ser acometida por um mal súbito e desmaiar [literalmente] ao vivo perante as câmeras.


Carmen on 6 agosto, 2010 at 21:05 #

Também tive a mesma impressão, Danilo. A agonia de Dilma, quase arfando, me incomodou, achei ela um tanto aflita. Mas, a participação de Plinio de Arruda Sampaio ajudou chegar até o fim do debate sem mudar de canal.


danilo on 6 agosto, 2010 at 21:32 #

verdade, Carmencita. o Plínio esteve bem, quase um humorista.

e se por acaso ele tivesse feito uso de algumas palavras de médio calão, eu juraria que estava assistindo a uma apresentação de Costinha…


Carmen on 6 agosto, 2010 at 22:01 #

Querido Danilo, o professor Plinio de Arruda Sampaio tem uma bela história.


Lilian on 6 agosto, 2010 at 23:07 #

Debate morno. Plínio aumentou sua popularidade e independente de suas tiradas irônicas que por vezes nos provocava risos – ele tem uma grande história.


waldir on 8 agosto, 2010 at 20:05 #

Este negócio de debates de candidatos a presidencia na tv é tão ruim que a maioria dos que assistem só o fazem porque não tem mais nada a fazer naquele horario.Por que o que se fala não é o que pensam quando acaba uma rodada de perguntas ,todos correm ao encontro dos marqueteiros para avaliar o que foi dito e nos temos que ver isto.


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