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Postado em 02-08-2010
Arquivado em (Artigos, Vitor) por vitor em 02-08-2010 12:27

“John”: polvo e sensitivos em alta

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DEU NA EDIÇÃO IMPRESSA DA TRIBUNA DA BAHIA DESTA SEGUNDA-FEIRA
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COMENTÁRIO POLÍTICO

A HORA DO POLVO

Vitor Hugo Soares

Com a chegada de agosto seria o momento, talvez, de consultar o infalível polvo vidente da Alemanha, sobre as possibilidades dos principais candidatos à sucessão do presidente Lula nas eleições de outubro próximo. De quebra, tentar descobrir o que de mais surpreendente ainda se esconde nas – até aqui previsíveis, sem precisar de ajuda especial – corridas pela conquista dos palácios dos governos estaduais. O de Ondina das famosas cigarras do saudoso cronista e ex-deputado Raimundo Reis, por exemplo.

Mas, já se sabe, o polvo John recebeu merecidas e prolongadas férias ( há notícias até de justa aposentadoria definitiva do molusco) depois do desempenho impecável que lhe granjeou respeito e credibilidade planetária. Afinal ele conseguiu acertar previamente o país da seleção vencedora de todos os principais jogos da recente
Copa do Mundo, na África do Sul.

As bilionárias loterias inglesas, a temida máfia russa e os surpreendentes vencedores do Mundial 2010 ( na Espanha o polvo virou uma devoção nacional ) até já fizeram tentadoras propostas para adquirir o passe do notável vidente aquático alemão, mas seus donos seguem irredutíveis. E ele vai ficando mesmo na Alemanha, onde os habitantes, por justos motivos, nem gostam muito do bicho.

É bastante provável que, diante disso, nem mesmo o presidente Lula, que ultimamente tem encarado todas as paradas nacionais e internacionais – da Justiça Eleitoral ao conflito da Colômbia com a Venezuela e o apedrejamento público de mulheres condenadas por adultério no Irã – consiga reverter o a decisão dos proprietários do crustáceo vidente, fazendo-os permitir a “John” algum arriscado palpite sobre a sucessão no Brasil.

Assim, apesar da onda de descrédito e desconfiança que cobre atualmente os principais institutos de pesquisa de opinião pública do País, é com eles que seremos forçados a contar, tendo eles mais ou menos credibilidade. Ou, as vezes, nem mereçam fé nenhuma. Há quem prefira confiar na intuição de alguns sensitivos ainda acreditados – como o chapéu de Ana e Magalene, as “ciganas” de Irecê, que previram a vitória de Obama para presidente dos Estados Unidos e de vários políticos da região- .para fundamentar análises políticas de possibilidades eleitorais. O fato, porém, é que as pesquisas dos grandes institutos seguem firmes e proliferam como coelhos.

A mais recente delas, a do Ibope (patrocinada pela Rede Globo e jornal O Estado de São Paulo), caiu como potente elixir revigorante ou o velho Biotônico Fontoura, única bebida alcoólica admitida pela candidata Verde, Marina Silva. Só que no caso em pauta, a beneficiada foi a petista Dilma Roussef.

A preferida de Lula abriu cinco pontos percentuais de vantagem sobre José Serra, do PSDB, seu adversário mais próximo. Isso poucos dias depois dos números do levantamento do Data Folha terem apresentado o tucano com um ponto na frente de sua adversária mais direta, o que caracteriza empate técnico no complicado linguajar dos instituto, mas configurava quadro bem mais animador para o tucano e seus aliados.

Além da queda, coice. O resultado da pesquisa divulgada sexta-feira passada era quase tudo que os petistas e os responsáveis pelo marketing da campanha de Dilma, na Televisão e no Radio, mais queriam neste começo de agosto. A candidata de Lula na frente até o início do horário obrigatório da propaganda eleitoral.

Mais: os números do Ibope revelam a ascensão de Dilma na preferência eleitoral nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste. A única exceção é a região Sul, onde José Serra recuperou pontos e subiu de 42% para 46% das intenções de votos, contra Dilma que perdeu quatro pontos – de 35% para 31%. A virada mais significativa de Dilma foi na região Sudeste – a mais populosa, com 58,9 milhões de eleitores ou 43,3% do eleitorado. Nesta região que reúne os Estados do Rio, Minas e São Paulo, Dilma fica com 37% das intenções de votos contra 35% para Serra que, aliás, se segura em São Paulo, mas perde a dianteira para Dilma em Minas, revela o Blog da jornalista Cristiana Lobo, de O Globo. Dados de arrancar os cabelos, se Serra os tivesse na cabeça.

E fiquemos por aqui, por problemas de espaço. Ou falta de alguma novidade relevante vinda do polvo vidente da Alemanha, que, ao que tudo indica, não se meterá de jeito nenhum no jogo eleitoral brasileirol. No baiano, muito menos.

Vitor Hugo Soares é jornalista: E-mail:vitors.h@ig.com.br

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Comentários

Marco Lino on 3 agosto, 2010 at 0:59 #

Caro Soares,

citarei Paulo, o apóstolo, para lembrá-lo de mais um estado do Sudeste: “não extingais o Espírito Santo” (risos)

Abraços!


vitor on 3 agosto, 2010 at 9:07 #

Bem lembrado, Marco. Bem lembrado! Arrepedido, como o apóstolo citado, farei o possível para não tornar a cometer tamanha desatenção e injustiça com o Espírito Santo. Abração e obrigado.


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