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Haroldo lima: na alça de mira

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deu no site de CHICO BRUNO

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Miriam Leitão

O mico e a pressa

Um plano nacional de contingência para conter vazamento de petróleo é o que o Brasil deve fazer diante das novas circunstâncias criadas pelo desastre do Golfo do México. O que deve ser abandonada é a atitude de que os estrangeiros não sabem nada, e nós sabemos tudo, que está em cada declaração do governo. A postura é arrogante, e mostra desconhecimento de como funciona o setor.

“Esse pessoal da Europa não tem a experiência que nós temos”, como disse ontem o diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Haroldo Lima, na entrevista a Ramona Ordoñez, publicada no jornal O Globo.

A British Petroleum foi a primeira empresa a sair da sua região para explorar o petróleo. Antes desse desastre, a BP usou a mesma sonda para perfurar outro poço a mais de 10 mil metros, no campo de Tiber, onde a Petrobras participa. A Petrobras é sócia desse “pessoal da Europa”, para usar a expressão de Haroldo Lima. No poço que deu o problema, o de Macondo (a obra-prima de Gabriel García Márquez não merecia isso), a BP está associada à Anadarko que é a única empresa que no Brasil encontrou petróleo no pré-sal sem estar associada à Petrobras. Ninguém está sozinho ou detém uma tecnologia só sua nesse setor.

– A indústria de petróleo se desenvolve pela interação que existe entre empresas especializadas em serviços e as grandes companhias de petróleo – diz Wagner Freire, ex-diretor de Exploração e Produçãoda Petrobras.

O professor Helder Queiroz, do Grupo de Economia da Energia da UFRJ, confirma:- As tecnologias das empresas são as mesmas, as empresas parapetrolíferas fornecem serviços que são contratados por todas as companhias. A competição e a cooperação entre as firmas é que faz avançar a tecnologia. E isso ficou confirmado na reunião de Houston, quando estiveram 200 empresas do setor discutindo o problema do Golfo do México.

A Petrobras teve quatro acidentes, dois em Enchova, um em Roncador e o da Refinaria Duque de Caxias. Todos com pouco impacto ambiental exceto o vazamento na Baía de Guarabara. Esse histórico já deveria dar à empresa, ao governo brasileiro e à ANP um pouco de humildade. Essa é uma atividade de risco, a nova fronteira de exploração de petróleo é offshore, mesmo que dois terços da produção ainda sejam em terra, a produção de petróleo no mar do Golfo é maior do que a do Brasil. Enfim, há vários motivos para redobrar os cuidados e nenhum para a atitude de superioridade que o governo brasileiro tem demonstrado em seus atos e palavras.

Um fato de pouca repercussão, mas da maior gravidade, é o acidente que acabou de acontecer no Libra, poço que a Petrobras estava perfurando para a ANP na Bacia de Santos. Na visão de Wagner Freire, a situação é toda estranha:

– A perfuração acontece à margem da legislação e das disposições legais porque não é concessão, apesar de ser esse o regime vigente. E como é um poço para a agência reguladora fica mais estranho. A ANP não tem condição de ser operadora e não se sabe a que título a Petrobras está perfurando, se é terceirizada da agência ou não. Não fica claro também a responsabilidade de cada um.

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Comentários

danilo on 27 julho, 2010 at 16:21 #

o Haroldo Lima também deve ser um dos “heróis” de Marco Lino. vejam a empáfia do nosso burocrata do petróleo: o Brasil é o maioral, o melhorzinho da parada.

já vimos este discurso lá nos não-saudosos anos de chumbo, quando burocratas encrustados nas estatais batiam no peito varonil e bradava:

“este é um país que vai pra frente… Brasil, ame-o ou deixe-o”.

é igual àuqle musiquinha dos anos 80 cantada por Léo Jaime:

“ô ô ô nada mudou…”


marco lino on 27 julho, 2010 at 20:56 #

Olha Danilo, o comuna Haroldo Lima andou vacilando outro dia, falando em passar aos gringos o que era nosso. Felizmente o juízo voltou.

Sobre a tecnologia da Petrobras em águas profundas, não é bazófia do baiano – não duvide. A tecnologia da empresa brasileira é hoje uma das mais avançadas do mundo, quiçá a mais.

Já a Mirian está esperando o retorno dos tucanos para voltar a apostar no Brasil. É incrível o pessimismo dela.

Outro dia, com o vazamento nos EUA, ela sugeriu que o Brasil repensasse o pré-sal… sei lá, que deixássemos para a evolução dos pinguins…


Carmen on 28 julho, 2010 at 9:36 #

Deixa a Mirian Leitão ‘por conta’ do jornalista Paulo Henrique Amorim, que sabe das coisas. Dizem que ela fica uma fera com o blog Conversa Afiada…


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