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Postado em 24-07-2010
Arquivado em (Aparecida, Crônica) por vitor em 24-07-2010 23:18

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Vó Maria, viúva de Donga chefe da Polícia, no abraço de Fernando Pamplona do Salgueiro. De vermelho, o agora saudoso Fausto Wolf, o lobo do uísque. De blazer, o escritor Arthur José Poerner entre o chargista Chico Caruso e ao fundo o sorridente anfitrião João Sérgio Abreu, que é produtor cultural. De dedo em riste, o poeta Tavinho Paes. A foto é mais uma de uma documentação antropológica das bivandas da vida, na Plataforma, Leblon…
(DEU NO CORREIO DA LAPA)
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CRÔNICA/ MULHER-RIO

VÓ MARIA E AS MULHERES FORTES

Maria Aparecida Torneros

A noite da Lapa, uma quinta-feira, a voz entusiasmada da “coleguinha” que nos emociona sempre: Tania Malheiros. O samba corre solto, de Carmen Miranda a Donga, quando Vó Maria sobe ao palco e canta junto com a Tania, o primeiro samba gravado oficialmente, “Pelo telefone”. Ela é uma mulher forte, tem 99 anos, viúva de Donga, plena de bênçãos, aplaudidíssima, nos comove, intensamente.

Um momento memorável, claro, um presente de Deus, como declarou Tania, enquanto sambávamos e curtíamos mais uma noite na Lapa carioca. Aí, cerca de meia-noite, cedo ainda, voltei pra casa, como uma Cinderela, pensei antes de que meu táxi virasse “abóbora”, que faço parte do elenco dessas mulheres fortes.

Durante o show, comemoramos o aniversário da Eliane, jornalista e fotógrafa, a que escala pedras e montanhas, nas horas vagas, mãe da Maria Clara, adolescente que vi pequenininha, e que já começa a trilhar os caminhos femininos da independência. Reencontrei muitas outras amigas de profissão e de vida, o momento era de confraternização, algumas eu conheço há 40 anos, como a Sandra Chaves, intensa e presente, ou a Gloria, que me avaliou com lucidez o fim do Jornal do Brasil, ali, no calor da música, com a consciência de uma profissional responsável. Sonia, uma ex-aluna de faculdade e colega de tantos momentos de trabalho, Beth, antiga companheira de muitos percursos na estrada do jornalismo, Sandra Peleias, outra que dividiu comigo diversas incursões no mundo tanto da comunicação como da política.

E na berlinda, nos coroando com sua Luz, Vó Maria, ao lado de Tânia Mallheiros, cantando: O chefe da polícia pelo telefone manda me avisar!

Já em casa, lembrei mais, de uma outra mulher forte que me cantava essa música quando eu era menina e me contava que nos idos de 1911 e 12, ela ia dançar junto aos brasileiros, na praça XI, exatamente esse samba.

Minha avó Carmen Torneros, que chegou da Espanha em 1910, se reunia aos imigrantes para aprender sobre a cultura brasileira e o tal lugar era reduto dos afro-descendentes, que iniciavam um movimento chamado oficialmente de “samba”, o qual atraía portugueses, espanhóis, italianos, etc, para miscigenar histórias e sentimentos, num Rio de Janeiro que era a capital do Brasil, no início do século XX.

Prazer inenarrável participar do show da Tania na noite da Lapa, exatamente, numa quinta-feira, 22 de julho, com a presença de Vó Maria e tantas outras mulheres fortes…

Cida Torneros é jornalista e escritora. Mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Mulher Necessária.

 

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