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Postado em 15-07-2010
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 15-07-2010 10:19

O jornalista político Ivan de Carvalho analisa nesta quinta-feira em sua coluna na Tribuna da Bahia, a polêmica levantada pelo presidente Lula esta semana, ao atribuir a Dilma Rousseff, ex-auxiliar de seu governo e candidata a sua sucessão, grande parte da responsabilidade pela obra do trem bala, que ainda não começou, evidentemente. Segundo o colunista, desde que lançou a candidatura de Dilma Rousseff, o presidente tem dado não raramente a impressão de que no período em que ela esteve na chefia da Casa Civil, ele esteve sempre de férias. “É que Lula tem feito constar para o distinto público que sua candidata, perdão, ex-ministra, fez quase tudo nesse período. Daí, quase nada terá sobrado para ele,” assinala Ivan no texto que Bahia em Pauta reproduz.
(VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

O trem bala e a crueldade

Ivan de Carvalho

Uma das polêmicas em curso na política brasileira refere-se ao comportamento do presidente Lula, que em solenidade ligada ao lançamento do edital de concorrência para construção e operação do trem bala (Trem de Alta Velocidade, TAV), que ligará o Rio de Janeiro a São Paulo. Na ocasião, o presidente elogiou sua ex-ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, atualmente candidata a presidente da República por coligação liderada pelo PT, partido do atual presidente.

Lula atribuiu à ex-auxiliar e candidata a sua sucessão grande parte da responsabilidade pela obra do trem bala, que ainda não começou, evidentemente. Aliás, desde que lançou a candidatura de Dilma Rousseff, o presidente tem dado não raramente a impressão de que no período em que ela esteve na chefia da Casa Civil, ele esteve sempre de férias. É que Lula tem feito constar para o distinto público que sua candidata, perdão, ex-ministra, fez quase tudo nesse período. Daí, quase nada terá sobrado para ele.

Ontem, a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, candidata do PV a presidente da República – e sobre quem Lula não se sente “quase que na obrigação moral” de dizer o que ela fez em solenidades oficiais, como disse em relação a Dilma no caso do trem bala, o que cria o risco de misturar governo com propaganda da candidata e outro risco igualmente importante, de se ter um presidente que desafia a legislação de seu país. Como ele apoiou o ex-presidente de Honduras, deposto porque desafiava a Constituição hondurenha, as coisas ficam mesmo com péssima aparência, apesar das desculpas que o presidente pediu ontem, admitindo que pode ter cometido “uma falha”. Mas ele já fora multado várias vezes pelo TSE e a quem ocupa o cargo que ele ocupa não é dado o direito de falhar tanto praticamente na mesma coisa. “Nós que somos pessoas públicas devemos ter total observância da lei. O fato de ser mais aceito pela população, de ser carismático, não nos dá direito a extrapolar a legislação”, ensinou ontem Marina Silva.

Mas deixemos esta polêmica e vamos a outra, correlata. A construção do trem bala. Pelo edital publicado ontem no Diário Oficial da União, deve entrar em operação em 2016 e custar R$ 33 bilhões. Ligará o Rio de Janeiro a Campinas, passando por São Paulo, Guarulhos e São José dos Campos. Deverá atingir velocidade superior a 300 quilômetros por hora. Uma maravilha.

Mas… mas o especialista Jurandir Fernandes (vou dispensar a repetição do currículo encontrável na Internet) afirma que a implantação do projeto vai, fatalmente, estourar o orçamento previsto no edital, podendo chegar a R$ 45 bilhões, explicando que esse tipo de obra sempre custa 30 por cento mais do que o previsto. Diz ainda que se trata de obra que, por seu porte, consome sete a oito anos para ficar pronta, daí só chegaria a esse ponto em 2017 ou 2018, depois das Olimpíadas do Rio de Janeiro, quando o governo anuncia que já estará em operação.

Vi na TV, na terça-feira, que mais de 24 por cento dos nordestinos – uma a cada quatro pessoas da região – sobrevivem “abaixo da linha de pobreza”, vale dizer, na miséria. Sobrevivem ou morrem. E muitas dessas pessoas morrem mesmo por isto.
Ora, que importa, se já vamos fazer trem bala, igualzinho ao Japão, a um custo de R$ 45 bilhões, ou, para quem quiser acreditar no cálculo oficial, R$ 33 bilhões. Isso é que é governo com “políticas públicas de prioridade ao social”, para usar linguagem da moda.

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 15 julho, 2010 at 11:21 #

Ivan…Ivan…….

Não faça assim!

Qual a razão de esconder o rico “curriculum” de Juandir Fernandes, “o especialista”?

Foi, como bem aponta a coligada da Rede globo, EPTV (Campinas – SP), para quem Jurandior concedeu entrevista, ocasião em que externou as críticas colecionadas em teu artigo, entre outras coisas, Secretário de Geraldo Alckmin, o tucano.

Aqui a EPTV:

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“Autoridade no assunto

Jurandir tem autoridade para falar do assunto. Na década de 90, quando trabalhou no governo de Magalhães Teixeira, implantou o Rótula na cidade. Formado em Engenharia Mecânica pelo Instituto de Tecnológico da Aeronáutica (ITA) e com mestrado e doutorado na Unicamp e dois pós-doutorados na França, ele também já esteve à frente do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), atuou como secretário de Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo, na gestão de Geraldo Alckmin, entre 2001 e 2006, foi presidente da Emplasa (Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano) até o ano passado e atualmente é vice-presidente honorário da Associação Internacional de Transporte Público. Além desses cargos, trabalhou também na Unicamp, onde foi professor e pró-reitor de Desenvolvimento Universitário.”

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Teus leitores, por certo, merecem saber de quem absolvem opiniões e certezas.

Bem como ficariam gratos, caso emque, o brilhante jornalista discorrese sobre UITP- International Association of Public Transport, e seus interesses na América Latina.

Já este blogueiro, continua noo mesmo lugar, distante de “Dilmas” e “Serras”.


luiz alfredo motta fontana on 15 julho, 2010 at 11:22 #

errata

absolvem = absorvem


luiz alfredo motta fontana on 15 julho, 2010 at 11:23 #

errata

caso emque, o brilhante jornalista discorrese = caso em que, o brilhante jornalista discorresse

noo = no


Marco Lino on 15 julho, 2010 at 12:20 #

Pois é, nobre colunista,
deixe a torcida para mim que não tenho a responsabilidade social de escrever por ofício em um matinal. Perdoe-me, mas o senhor torce, distorce e se contorce. Algumas vezes tenho vontade de escrever e contestar; outras, apenas sorrio.
Abs


luiz alfredo motta fontana on 15 julho, 2010 at 14:14 #

Uma verdade

Articulistas que afoita, ou racionalmente, assumam posições partidárias, é fenômeno comum e até natural. mesmo que em cenários tão desprovidos de idéias como o presente.

O que é triste, contudo, é perceber a utilização, sem nenhum pejo, de artifícios como o levado a cabo por Ivan.

Ele, de forma astuta, diz: “(vou dispensar a repetição do currículo encontrável na Internet)’…

E, simplesmente, deixa seu leitor fiel, o do jornal no qual publica sua coluna, sem a informação de que o “especialista”, na verdade é figura constante em nomeações para cargos de confiança, de ninguém menos, do que o “sempre presenter” candidato Geraldo Alckmin, tucano de resistente plumagem.

Os leitores baianos não merecem este tratamento, e não são obrigados a reconhecer np “especialista”, um fiel escudeiro de Geraldo.

Beira, assim, ao estelionato intelectual.


luiz alfredo motta fontana on 17 julho, 2010 at 13:12 #

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Contraponto

Aqui Carlos Chagas, mais efetivo, preciso, e certeiro, sem necessitar de “especialista’ camuflado:

________________________________

“Ostentação inconsequente

Não dá para resistir ao comentário. Mais de 35 bilhões serão gastos pelos cofres públicos e as empresas privadas para a implantação do trem-bala ligando o Rio a São Paulo, numa obra capaz de demorar dez anos. Sua finalidade será transportar passageiros entre as duas capitais em 90 minutos. Um luxo. Uma ostentação sem qualquer valor econômico. Por que não aprimorar a ligação ferroviária já existente?”

(Carlos chagas, Tribuna da Imprensa 17/07/2010)


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