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Postado em 13-07-2010
Arquivado em (Newsletter) por vitor em 13-07-2010 14:24


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MARIA OLÍVIA

Direto de São Paulo

Morreu ontem, 12, no Rio de Janeiro, Paulo Moura (seu nome dispensa qualquer adjetivo). Ele estava internado na Clínica São Vicente desde o último dia 4. O corpo será velado no Teatro Carlos Gomes, localizado no centro do Rio, e a família não divulgou onde o corpo do músico será enterrado. Paulo Moura sofria de linfoma (câncer no sistema linfático).

A história musical do clarinetista, jazzista, chorão, sambista e brasileiro dos bons Paulo Moura é riquissíma. Vale recordar aqui no Bahia em Pauta que ele tocou e foi parceiro dos maiores nomes da músical intrumental do mundo. Acompanhou Dolores Duran, Elis Regina, Rafael Rabelo, Sérgio Mendes, Tom Jobim, Yamandu Costa, Armandinho, Carlos Galhardo, Dizzy Gillespie, Duke Ellington, João Donato, Milton Nascimento, Nivaldo Ornellas, Maysa, Wagner Tiso, Clara Sverner, Joel Nascimento, Waldir Azevedo, Núbia Lafayete, Abel Silva, Zé da Velha e um monte de Músicos, com M maiúsculo mesmo, que este espaço seria pequeno para citá-los.

Paulo Moura nasceu em São José do Rio Preto (SP) e logo cedo se entregou à música, aos 14 anos. Ele transitava com maestria entre o erudito e popular. Tocou na Orquestra de Ary Barroso, com quem viajou para o exterior. Em 1956, criou a primeira orquestra inspirada nas Big Bands americanas para tocar na Rádio Jornal do Brasil e animar bailes. Tocou, e botou muita gente para dançar, durante muito tempo na Gafieira Estudantina, no Rio, e também na Gafieira do Circo Voador, no Arpoador. Seu primeiro disco, êpa!, LP , foi Escolha e Dance com Paulo Moura e sua Orquestra de Dança, daí pra frente, mais discos e participações mais que especiais em dezenas de outros belos trabalhos musicais que encantou, e vai continuar encantando a todos que amam música.

Vale lembrar que em 1959, PM entra, por concurso, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, executando a Primeira Rapsódia de Debussy, classificou-se em primeiro lugar. Ele também participou do belíssimo documentário Brasileirinho, do finlandês Mika Kaurismaki.

Na década de 80, PM gravou Consertão, com Elomar, Artur Moreira Lima e o magnífico Heraldo do Monte ao violão. No ano passado lançou o CD Afrobossanova, com o guitarrista baiano Armandinho. Também no ano passado, tive o prazer e o deleite de participar – ao lada da jornalista baiana Patricia França – na cidade maravilhosa de um ‘Sarau’ no Posto Oito (casa em Ipanema onde se toca música de primeira) comandado por Wagner Tiso, onde Paulo Moura deu uma ‘canja’ inesquecível. Sua última apresentação foi no Copacabana Palace. A gafieira ‘lá em cima’ vai pegar fogo, Paulo Moura foi se juntar a outros bambas da música instrumental do planeta. Amém.

Maria Olivia é jornalista

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Comentários

Omar Babá Torres on 13 julho, 2010 at 15:10 #

Sinto saudade e tristeza bem dentro de mim…
Em 1991 Paulo Moura acompanhado do Grupo Ociladocê lançou um disco só com músicas de Caymmi. Em 1959 ela já tinha feito visita igual à obra do Maestro Radamés Gnattali.
Na década de 90, em data que se perdeu da minha memória, Ele, Armandinho e Rafael Rabelo se apresentaram no TCA para um público de não mais de vinte pessoas. A ausencia de público restringiu a temporada a essa única apresentação. Azar da Bahia e dos baianos. Sei que a apresentação ficou gravada pelos técnicos de som.
Só quem já conviveu em ambientes musicais no exterior pode dimensionar o prestígio de Paulo Moura. O Brasil, mais uma vez, foi ingrato com um dos seus mais brilhantes filhos.
Omar Babá Torres


Carmem on 13 julho, 2010 at 16:07 #

Com certeza Omar, parabéns pela lembrança. A Bahia e o Brasil só prestigiam o que não presta, infelizmente. Lá fora Paulo Moura era respeitado e muito prestigiado. Por aqui, estava se apresentando em pequenos espaços, uma lástima. Fiquei feliz com a lembrança da Gafieira Estudantina, no Rio de Janeiro. Já dancei naquele festejado espaço ao som do já saudoso Paulo Moura. Que ele descanse em paz.


Carmem on 13 julho, 2010 at 16:14 #

Será que em algum lugar vai rolar um revival entre esses dois ‘monstros’ sagrados da música
instrumental brasileira? Viva Paulo Moura, Viva Rafael Rabelo!!! Parabéns ao Bahia em Pauta pela escolha deste dueto sensasional, Paulo Moura/Rafael Rabelo e a bela canção do também saudoso Tom Jobim, Luiza.


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