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Postado em 10-07-2010
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 10-07-2010 10:28


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Do colunista político, Ivan de Carvalho, em seu artigo deste sábado na Tribuna da Bahia, sobre a praga de não saber de nada, que se propaga da política e na administração do País. Agora, aparece essa estranha (e bota estranha nisso) história do aloprado programa de governo da candidata Dilma Rousseff, registrado no TSE. Confira no texto, que Bahia em Pauta reproduz.
(VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

Ninguém sabe de nada

Ivan de Carvalho

É uma maravilha esse negócio de dizer que não sabia e mandar a responsabilidade para o inferno. O macete foi criado pelo presidente Lula para deixar bem claro ao povo brasileiro (então desconfiadíssimo) que nada tinha a ver com um dos maiores escândalos de corrupção dos mais de cinco séculos de história brasileira – o Mensalão.

O Mensalão, segundo denúncia do procurador geral da República recebida e ainda não julgada pelo STF, sentou praça na chefia da Casa Civil da Presidência da República, habitou o partido do presidente Lula, o PT, fez profundas incursões em diversos partidos aliados do governo, especialmente em suas bancadas na Câmara dos Deputados. E, célere e tentacular, navegava com vento pela popa quando o destino quis que um arrecife chamado Roberto Jefferson se interpusesse em seu caminho.

Começou então um ambiente de “barata voa”, que logo se tornou desesperador. O clímax – aqui sem alusão a fenômenos sexuais – foi quando encontraram os dólares na cueca. Dizem que o presidente, ante todo o histórico anterior do caso, ficou tão deprimido, talvez não com os dólares, mas com o poder desmoralizante do lugar onde os havia escondido seu portador, que pensou até em renunciar. Mas ele já havia dito sobre todo o Mensalão que “eu não sabia” e optou por esta alternativa, que lhe permitiu permanecer no cargo.
Então, reelegeu-se, graças a um talento e um carisma impressionantes e a um povo incrivelmente disposto a confiar no inconfiável. E deu-se depois até ao luxo de lançar um poste para sucedê-lo. Claro que o poste já disse explicitamente que não é poste, embora como tal venha notoriamente se comportando, por enquanto, é claro, pois evolução sempre pode haver.

E constava do currículo do poste na Plataforma Lates do Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq) que é “mestra” e “doutora”. Foram fuçar. Tiveram êxito: nem “mestra” nem “doutora” em coisa nenhuma. Mas o poste logo acendeu aquela lampadinha do professor Pardal. Ou do presidente Lula, se preferirem. Idéia (se já for sem acento, tenho quatro anos para me adaptar neste país em que o idioma é construído por decreto): “Eu não sabia”. Explicando melhor: sabia que não era “mestra” nem “doutora”, mas não sabia que essas qualificações estavam inscritas com letras de fogo na Plataforma Lates.

Bem, houve ainda aquela medonha história do III Plano Nacional de Direitos Humanos, publicado como decreto em 22 de dezembro, ligeiramente modificado e ainda não sepultado, elaborado supostamente sob a responsabilidade do secretário Paulo Vannuchi, da Secretaria de Direitos Humanos, passando ainda pelo crivo do então ministro da Justiça e ex-presidente do PT, Tarso Genro e do ministro Franklin Martins, da Comunicação Social. Após analisar vários aspectos do documento, o internacionalmente reconhecido constitucionalista e tributarista Ives Gandra Martins qualificou a coisa que Lula assinou como “decreto preparatório de um regime ditatorial”. Lula disse que assinou sem ler. E quem levou para Lula assinar? O poste. Que também tinha obrigação de ler, já que chefiava a Casa Civil. Mas não leu, não sabia, coisa tão importante assim. Mas se leu, foi pior, pois concordou e deu ao presidente para assinar. O poste procurou “terceirizar” a culpa, pondo-a solitariamente sobre o secretário dos Direitos Humanos.
Agora, aparece essa estranha (e bota estranha nisso) história do aloprado programa de governo da candidata Dilma Rousseff, registrado no TSE. Quando todo mundo botou a boca no mundo, proclamando quão aloprado é o tal programa, chancelado por Dilma Rousseff com sua rubrica em todas as páginas (depois ela disse que não assinou, só rubricou!!!…), ela disse que não sabia. Disse que pensou que se tratava de outro programa acertado em junho, não o documento aprovado em congresso do PT. Evoluiu. Poste não pensa e ela pensou. Mesmo que haja pensado errado.

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