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O poeta Vinicius/Estadão

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DEU NO ESTADÃO

Rose Saconi – Estado de S. Paulo

Foi com emoção que o Brasil recebeu, no dia 9 de julho de 1980, a notícia da morte do poeta e compositor Vinícius de Morais. Depois de passar a madrugada compondo músicas infantis com seu parceiro Toquinho, sentiu-se mal ao acordar pela manhã. Antes que ambulância chegasse, morreu ao lado de sua mulher Gilsa. Estava com 66 anos de idade.

Além da notícia estampada na capa do Estado, duas páginas inteiras foram dedicadas para homenagear o poeta, com informações sobre sua vida pessoal, discografia, livros publicados, fotos, charges, reprodução de poemas e artigos enaltecendo a sua contribuição à música popular brasileira.

Repercussão. Considerado um dos maiores nomes da poesia contemporânea, Vinícius deixou uma forte marca na memória das pessoas com as quais conviveu. “Ele era perfeito, senhor absoluto de sua arte e soube interpretar, de maneira fina, o sentimento do seu povo”, falou ao Estado, o escritor Carlos Drummond de Andrade.

“Eu o conhecida há quase 50 anos. Era como se fosse meu irmão mais moço. Vinícius ocupa um papel enorme na poesia e na música popular”, destacou o historiador Sérgio Buarque de Hollanda.

Antonio Callado lamentou, “estou bastante chocado, pois há pouco mais de um mês estive com ele e pareceu-me bem de saúde”.

Sua musa Heloísa (Helô Pinheiro), a moça que inspirou Garota de Ipanema, a mais conhecida de suas composições, foi ao enterro e declarou à reportagem “A música silenciou. Ele representava o amor e o carinho, tudo o que uma pessoa pode ter de bom”.

BIOGRAFIA

O carioca Vinícius de Moraes era predestinado à poesia. Filho de um casal da classe média (seu pai, Clodoaldo, era funcionário público), nasceu no dia 19 de outubro de 1913, no bairro da Gávea.

Formou-se em Direito, mas não exerceu a advocacia por mais de um mês. Trabalhou como redator, foi crítico de cinema durante algum tempo (combateu o cinema falado), e foi até censor cinematográfico.

Em 1943 ingressou na carreira diplomática. Serviu em Los Angeles e em Paris, onde era mais encontrado nos bistrôs (em que tomava bons vinhos) do que na embaixada onde dava expediente. Nesse tempo nasceu o apelido carinhoso, Poetinha.

Apesar de notória aversão ao trabalho burocrático, exerceu o ofício até ser aposentado, compulsoriamente, pelo AI-5, em 1968. Ao perder o emprego, porém, já se dedicava para a Música Popular Brasileira. Participou do surgimento da bossa nova e era o autor de clássicos como a Canção do Amor Demais, Soneto da Separação e Garota de Ipanema.

Mulheres. Vinícius amou tanto quanto pôde. Além das inúmeras paixões pelas quais foi acometido ao longo da vida, ao morrer havia sido casado nove vezes, tinha cinco filhos e três netos.

Depois de demitido do Itamaraty, passou a viver de música, apresentando-se ao lado de Toquinho, do Quarteto em Cy, de Maria Creuza, entre outros.

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 9 julho, 2010 at 16:52 #

Caro VHS

Talvez seja o dia…

Talvez o café, e as carolines…

Por certo esse teu site, e essa Bahia por conhecer, não como turista, mas como transeunte que encontra personagens em cada esquina…

Sei que este post trouxe à memória a crônica de um jornalista, amigo que reconheci, confome Vinicius ensina, em momentos outros da vida, chamado Júlio Cezar Garcia, tendo como tema o Vinicius de 1972, que por coincidência também conheci, eu em Maríilia-SP, minha cidade natal,o Júlio ainda em Assis-SP, fruto das andanças do poeta, com Toquinho, Marília Medalha e Trio Mocotó.

Assim, por impulso, reproduzo aqui nesse cantinho ameno e acolhedor a crônica de Júlio:

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Relatos de um ser sem brilho – Júlio Cezar Garcia

Júlio Cezar Garcia

Das duas dúzias de pessoas que me lêem neste espaço, suponho que meia-dúzia deva se lembrar da toalha que “furtamos por empréstimo” para pôr sobre a mesinha de Vinícius de Moraes em um show que ele, Toquinho, Marília Medalha e Trio Mocotó fizeram em minha cidade. Hospedamos a trupe na fazenda do então deputado federal Santilli Sobrinho, que era da minha cidade. Santilli era um político respeitável. Desses que fazem falta. Não dos que, ao morrer, suscitam a frase que li no Pasquim: “Essa ausência vai preencher uma grande lacuna.” Voltando aos artistas, eles gostaram da fazenda e resolveram ficar um dia a mais. Acabamos promovendo um rachão de futebol no gramado em frente à sede da fazenda. Vinícius, sempre com o copo de uísque à mão, só assistia. Na época, estava casado com Gesse, aquela baiana que a gente observava de longe e suspirava: “Que Deus a conserve e não nos desampare.” Eu olhava para eles com olhos de fã. Já era repórter, juvenil, foca, mas não senti necessidade de entrevistá-los. Apenas fazia relatos da rotina deles na fazenda. Na verdade, o empresário havia pedido para a gente evitar entrevistas. Mas o editor do jornal insistia:

– Pega uma exclusiva para nós.
Eu me retraía. Exclusiva? Sobre o quê? Haveria alguma novidade? O que é entrevista exclusiva numa cidade com um único jornal?
Creio que o Poetinha gostou do sossego e daquela molecada que havia promovido um show com tanto sucesso no sertão do Paranapanema.
Comentei com Gesse a exigência do jornal a respeito de uma novidade exclusiva. Ela riu. Com um sinal discreto, por trás do poeta, me chamou:
– Peça ao Toquinho que cante a música dos vícios. Ninguém publicou.
Os amigos do poeta, nos anos 60, no Rio de Janeiro, haviam criado uma musiquinha para “homenageá-lo”, quando chegava aos bares.
Depois do rachão, falei com Toquinho. Ele pegou o violão e cantou, com a melodia da canção infantil “Se esta rua fosse minha”.
“Se eu tivesse
Se eu tivesse muitos vícios
O meu nome
O meu nome era Vinícius.”
Todos riram.Vinícius balançou a cabeça com falso desdém. Toquinho continuou:
“Se meus vícios
fossem muito imorais
eu seria
o Vinícius de Morais.”

Nunca soube se a “homenagem” dos amigos no Rio era verdadeira ou se Toquinho a tinha inventado ali. Dias atrás, 36 anos depois, uma colega me emprestou o DVD “Vinícius”, e nele está, em uma cena quase no final, a atriz Tonya Carrero a repetir a história e a cantar a mesma musiquinha dos vícios imorais. Ela fazia parte, nos anos 60, do grupo de amigos que provocavam o poeta com aquela cantiga. Lembro-me dessas passagens com uma emoção tola, infantil, como se tê-las vivido me fizesse ser parte da biografia do poeta. Besteiras de quem não tem brilho próprio.

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Tim Tim!!!


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