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Postado em 07-07-2010
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 07-07-2010 10:29

No artigo que assina nesta quarta-feira, na Tribuna Bahia, o jornalista político Ivan de Carvalho analisa a movimentação internacional do presidente Lula. Atualmente ele está em périplo por vários países do continente africano, que culmina na África do Sul, onde o presidente assistirá no domingo a partida final da Copa do Mundo, que será decidida entre duas seleções da Europa. “Nesse final de governo, mais especificamente este ano, o presidente Lula vem caprichando no aprofundamento de relações com governos que não merecem sequer um aperto de mão”, assinala o articulista no texto que Bahia em Pauta reproduz.
(VHS)

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Gentili: agressão em Santo Andtré

OPINIÃO POLÍTICA

Lula falta aqui e sobra lá

Ivan de Carvalho

Faço daqui ao presidente Lula, em uma grandiosa missão na África, um humilde apelo que desde já considero frustrado – desfaça depressa o que acertou com o governo da Guiné Equatorial e volte ao país o mais depressa possível para ajudar sua candidata à presidência da República a controlar as patrulhas petistas. Parece não ser correta, presidente, sua conclusão de que Dilma Rousseff já está pronta para fazer por conta própria a campanha eleitoral para a presidência e ainda precisa muito da sua ajuda.

Mas vamos por partes, como diria Jack, o estripador. Embora a mim não mova qualquer sentimento ou instinto maldoso ao abordar a passagem do presidente pela Guiné Equatorial nem a passagem de sua candidata Dilma Rousseff por Santo André. Muito pelo contrário, escrevo em favor da liberdade, dos direitos humanos e da paz nos corações.

Começando pelas tratativas com o governo da Guiné. Nesse final de governo, mais especificamente este ano, o presidente Lula vem caprichando no aprofundamento de relações com governos que não merecem sequer um aperto de mão ou um breve aceno, embora os povos que dominam estejam passando por extrema necessidade de apoio que não lhes é dado e, em certos casos, é ostensivamente negado – quando se dá força ao algoz, fere-se a vítima.

Ao lado do ditador Obiang Nguema Mbsogo, há 31 anos no poder, o presidente do Brasil assinou acordos e ambos divulgaram um comunicado no qual afirmam que os dois países são comprometidos com a democracia e o respeito aos direitos humanos (meu Deus, como se mente nesses comunicados diplomáticos). Mbsogo, um dos governantes mais ricos do mundo, se reuniu com Lula no seu suntuoso palácio presidencial, onde o chão e paredes de mármore e madeira maciça e os lustres de cristal contrastam com a escandalosa pobreza do resto do país. Há uma certa semelhança, algo mitigada, é verdade… mas deixa isso prá lá. Por enquanto.

Ora, o presidente Lula igualou a democracia brasileira, ainda que seja muito imperfeita, a uma ditadura intensamente acusada por entidades internacionais de desrespeitar sistematicamente os direitos humanos, perseguir e matar opositores, essas coisas a que não devemos dar maior importância porque, como explicou o chanceler Celso Amorim, se nos ligarmos nisso não venderemos manteiga para os banquetes da Guiné Equatorial, ele que constatou que a manteiga consumida lá pela comitiva brasileira era importada da França. “O exemplo tem muito mais força do que a pregação moralista”, ensinou o ministro Amorim. Mas eu, droga, tendo em vista a aplicação ao caso, mais de exemplo que de pregação, não entendi nada.

Ah, disse nas primeiras linhas que estamos precisando com urgência de Lula no Brasil para controlar as patrulhas petistas (militantes agrediram, outros tentaram evitar a agressão) que aplicaram empurrões, chutes e murros nas costas do repórter Danilo Gentili, do CQC, um programa humorístico da Band. A pancadaria ocorreu quando a equipe do CQC tentou se aproximar do palanque para fazer uma pergunta a Dilma Rousseff. Quando esta percebeu, interrompeu o discurso e pediu ao público que respeitasse os profissionais da emissora e até pediu aplausos para eles. Mas não a atenderam. “…vai ser impossível…”, comentou a candidata.

Dilma atenuou a agressão, reconheceu Gentilli, que disse, depois, com bom humor, que “a Dilma salvou a minha vida”. Mas os problemas são: 1) Dilma não foi obedecida. Será que, eleita presidente, o PT a obedecerá, como obedece a Lula? 2) São as mesmas as diretrizes de Lula (que já deixam muito a desejar) e Dilma?

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Comentários

Marco Lino on 7 julho, 2010 at 17:49 #

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