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Postado em 03-07-2010
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 03-07-2010 11:10


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As estranhas discrepâncias nos resultados das pesquisas de opinão dos principais institutos especializados do País dão linha, novelo e pano para o artigo deste sábado do jornalista político Ivan de Carvalho, na Tribuna da Bahia, que Bahia em Pauta reproduz. O “gancho” jornalístico para a análise é a pesquisa do Datafolha, divulgado ontem, cujos números registram um empate técnico entre José Serra (39%) e Dilma Rousseff (38%), os dois principais candidatos à presidência da República. Confira e curta em seguida o jogaço Argentina x Alemanha.

(Vitor Hugo Soares)
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OPINIÃO POLÍTICA

A batalha das pesquisas

Ivan de Carvalho

O feriado baiano do 2 de Julho acabou sendo bastante movimentado no Brasil, o que não significa que haja sido feliz. A dose forte de infelicidade e tristeza veio, naturalmente, com a eliminação de nossa seleção de futebol da Copa do Mundo, em um jogo em que a mãe do juiz oriental deve ter pago pelos muitos pecados que não cometeu. Mas não sou comentarista esportivo. Portanto, deixo a jabulani e suas adjacências para outros mais habilitados.

Fico com o outro fato de impacto, que se restringe a um público menor, pois não inclui pessoas com menos de 16 anos de idade e pode excluir, a depender delas, as que já têm mais de 70 anos. Entre os 16 e os 70 anos ficam os cidadãos e cidadãs que compõem o corpo eleitoral do Brasil e são os responsáveis, em última análise, pelo exercício do regime democrático no país.

O fato de impacto diz respeito a pesquisas eleitorais. Existem no Brasil quatro institutos considerados de maior credibilidade e de maior fama quando se trata desse tipo de sondagem de opinião pública. Pela ordem de fama são o Ibope, o Datafolha, o Vox Populi e o Sensus. Pela ordem de credibilidade no meio político e nos meios midiáticos, são o Datafolha, o Ibope e o Vox Populi no mesmo patamar, e finalmente o Instituto Sensus. (Não estou incluindo institutos menores e menos conhecidos, mas importantes, nessa avaliação) A credibilidade maior atribuída ao Datafolha não é propriamente técnica, mas devida ao fato de que não aceita trabalhar para partidos, para campanhas de políticos nem para governos interessados em conhecer situações eleitorais.

Mas o que me levou a essas classificações, que, evidentemente, podem ser contestadas ou rejeitadas legitimamente por qualquer cidadão? Bem, é que muito recentemente o Ibope indicou, em sua última pesquisa eleitoral, uma, digamos, espetacular virada, invertendo as duas primeiras posições em suas pesquisas – o tucano (oposicionista) José Serra, que estava sempre na frente, passou para segundo lugar com 35 por cento das intenções de voto e a petista (governista) Dilma Rousseff atingiu pela primeira vez no Ibope a liderança, com 40 por cento. Aí vem o Vox Populi e confirma o Ibope com absoluta precisão – Dilma, 40 e Serra, 35.

E então vem o Datafolha e faz de conta que não leu nem ouviu os resultados obtidos pelo Ibope e Vox Populi. Com todos os candidatos a presidente já oficializados pelas convenções, o Datafolha sai à coleta de dados e encontra os seguintes resultados: O oposicionista José Serra lidera com 39 por cento das intenções de voto, a governista Dilma Rousseff pisa nos calcanhares dele, com 38 por cento (o que é chamado de “empate técnico”, mas é bem diferente dos cinco pontos de vantagem que ela ganhou do Ibope e do Vox Populi). Marina Silva, do PV, ultrapassa no Datafolha a barreira dos oito e nove pontos e atinge os dez por cento das intenções de voto.

Apesar disso, quando o eleitor é questionado sobre a expectativa de vitória, 43 por cento acham que Dilma vencerá e 33 por cento acreditam na vitória de Serra. Seria capaz de apostar que essa impressão dos entrevistados decorre de resultados das pesquisas Ibope, Vox Populi e, um pouco mais atrás, do Sensus. As pesquisas eleitorais são um fator de imensa importância na definição das eleições no Brasil há muito tempo, apesar de alguns episódios surpreendentes, como na eleição do governador Jaques Wagner em 2006.

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Comentários

Marco Lino on 3 julho, 2010 at 13:54 #

“Rebaixou” o Ibope, meu amigo?! Até pouco tempo atrás o amigo elegeu o Ibope e o Datafolha como os únicos dignos de confiança… Saiu do esperado, rebaixado!!

Lembre que o Ibope trabalha para a toda poderosa Globo, hein? E ela, a Globo, juntamente com a FSP, é quem alimenta a todos nós que pensamos mais à direita.

Ah, tem mais, seu presidente, mister Montenegro, já garantiu que Dilma não leva… Então, não rebaixe agora não pois na próxima pesquisa os papéis do Data e do Ibope podem ser invertidos e o amigo terá que, constrangido, rebaixar o Data-Folha (dos paulistas).

Abs


oriana lopes on 3 julho, 2010 at 19:09 #

E é por isso que a turma do PT, que não quer perder a boca anda contratando os institutos que vendem até a mão, no dizer de Ciro Gomes, para divulgar falsas pesquisas. Aguardemos, porque se a essa altura a Sra Dilma Rousseff não ultrapassou Serra, com mi~lhões od scofres publicos derramados para tanto, duvido que vença a eleição. Na Bahia, a ACM dizia que podia eleger até um cabo de vassoura. Mas, Lula, que segue a risca a cartilha, esqueceu que o Brasil não é a Bahia. No Sul e Sudeste, a Dilma toma de goleada. No Norte e Centro Oeste, ganha por muito pouco. Só no Nordeste, exclusivamente, graças ao Bolsa Família e outras migalhas mais, tem tido expressiva votação. Subindo mais um pouco no Sudeste (há espaço pra isso), Serra manda Dilma de volta pra casa.


oriana lopes on 3 julho, 2010 at 19:09 #

corrigindo: vendem ATÉ A MÃE


oriana lopes on 3 julho, 2010 at 19:10 #

Correção: expressiva intenção de voto nas pesquisas.


Marco Lino on 3 julho, 2010 at 20:00 #

Mais uma do Ciro Gomes (na Folha):

“Serra não tem escrúpulos. Se for preciso, ele passa com um trator por cima da mãe”


danilo on 4 julho, 2010 at 14:19 #

e a juventude cearense cara-pintada cantava nas ruas na época do impeachmente de Collor:

“o povo não esquece
Ciro Gomes já foi do PDS”

é… e pelo visto continua sendo. afinal o PT é o novo PDS.

ambos, partidos dos grotões


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