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Rosane Soares Santana

Direto de São Paulo (Terra-Eleições 2010)

Em 1834, pela primeira vez, o Brasil realizou eleições para deputados provinciais. Um ato adicional aprovado pela Câmara dos Deputados, naquele ano, estabeleceu a criação das Assembleias Provinciais, em lugar dos Conselhos de Província, instituídos pela Constituição de 1824. Com a criação do novo Poder Legislativo, buscou-se conciliar os interesses das oligarquias regionais e controlar o poder local, principal foco de mandonismo, clientelismo e corrupção, dando prosseguimento à modernização e à descentralização das estruturas políticas do país pós- independência.

As Assembleias Legislativas Provinciais nasceram no período considerado o mais conturbado da história política do Brasil, a Regência (1831-1840), durante a minoridade de D. Pedro II. Movimentos revolucionários eclodiam de norte a sul do País. De um lado, grupos exaltados desejavam a federação e a república, seguindo o modelo das colônias da América Espanhola; de outro lado, saudosos dos privilégios obtidos no Primeiro Reinado, os caramurus (ultraconservadores) tramavam a volta do Imperador D. Pedro I, que abdicou em 7 de abril de 1831, após forte pressão popular envolvendo civis e militares no Campo de Santana, no Rio de Janeiro.

Em meio às lutas políticas do período regencial, desenvolveu-se no Parlamento as sementes daquilo que viria a ser o Partido Conservador, que ascendeu ao poder depois da queda do regente Diogo Feijó, diante dos insucessos na tentativa de conter as revoltas que sacudiam o país. Liberais moderados, como o deputado mineiro Bernardo Pereira de Vasconcelos, um dos maiores parlamentares do seu tempo, aprovaram um conjunto de reformas que, em 1837, colocaraim um freio no processo de descentralização de poder iniciado no período. Tudo isso, dizia Vasconcelos, para “parar o carro revolucionário”, que colocava em risco a integridade territorial, além de trazer de volta o fantasma do Haiti, com a revolta dos Malês, em 1835, na Bahia.

O clima de disputa era tamanho, que em muitas províncias acabavam sendo eleitas duas assembleias de facções opostas, como ocorreu no Rio Grande do Sul, palco da Revolução Farroupilha, em 1835. As principais assembleias provinciais, com 36 deputados cada uma, eram as da Bahia e Pernambuco, produtores de açúcar no Norte do território; Minas, São Paulo e Rio de Janeiro, onde a lavoura do café já despontava como o maior pólo econômico do país, deixando para trás um passado de ouro das lavouras canavieiras e engenhos do recôncavo baiano, cuja riqueza gerou a mais numerosa e mais preparada elite intelectual e política do Império brasileiro, devido a formação educacional na Europa, em especial Coimbra, Portugal.

Cada legislatura das recém-criadas assembleias deveria durar dois anos, embora a primeira tenha se estendido de 1835 até o fim do ano de 1837, conforme estipulou o Artigo 4.o do Ato Adicional de 1834. A reeleição era permitida pela legislação eleitoral. A lei previa sessões anuais com uma duração de dois meses, podendo ser prorrogadas ou convocadas extraordinariamente por decisão do presidente da Província, como aconteceu na Bahia, durante todo o conturbado período regencial.

A Constituição permitia o acúmulo de mandatos (art.32). Um mesmo indivíduo podia ser deputado provincial e geral. Enquanto estivesse no exercício de um cargo, deveria licenciar-se do outro sendo substituído pelo suplente imediato, mas esse dispositivo constitucional foi infringido continuamente com a anuência da Assembléia Geral. O titular não perdia o mandato quando se licenciava, exceto nos casos em que deputados gerais eram indicados conselheiros ou ministros de Estado. Ainda assim, procedia-se nova eleição para preencher a vaga, da qual podia ele participar. Mas, na prática isso nem sempre foi a regra.

O novo Poder Legislativo nasceu poderoso. Os deputados provinciais, sucedidos pelos estaduais da república, podiam legislar sobre a criação de novos empregos, matérias financeiras das Câmaras Municipais, em tese controlando as despesas e receitas do poder local, além do provincial; criação de novas escolas, sobre o Poder Judiciário, com a suspensão dos desembargadores; polícia e segurança pública etc., mas teve suas atribuições parcialmente reduzidas após o Regresso.

No processo eleitoral estava em jogo a disputa por uma das cadeiras do novo legislativo, que dava ao seu ocupante poder para interferir na criação de cargos, aumento de salários e nomeação de apadrinhados numa estrutura política marcada pela barganha e troca de favores entre os parlamentares e suas clientelas. Some-se a isso o fato de que a eleição para a Assembléia Provincial representava um passo importante na carreira política que poderia terminar, por exemplo, no Senado – uma garantia de prestígio e estabilidade financeira para toda a vida – como de fato aconteceu com vários daqueles parlamentares.

Rosane Soares Santana é jornalista, com mestrado em História pela UFBA. Estuda o Poder Legislativo, elites políticas e eleições no Brasil. Integra a cobertura de eleições do Terra
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P.S: Este artigo é dedicado à memória da fotógrafa e escritora Maria Sampaio, que registrou como poucos, a memória cultural da Bahia. Obrigada, Sampa.
Da autora

Leia mais e Terra-Eleições 2010

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4473768-EI6578,00-Em+a+primeira+eleicao+estadual+em+clima+de+revolucao.html

jun
06
Posted on 06-06-2010
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DEU NA UOL

Com o tema “Vote contra a Homofobia, Defenda a Cidadania”, a Parada do Orgulho GLBT, que acontece neste domingo, 6, em São Paulo, vai levar o tema eleições para a rua com um propósito: alertar a comunidade a não votar em candidato “no armário”.

A afirmação é de Toni Reis, presidente da ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) e um dos organizadores do evento. “Não queremos candidatos no armário, em cima do muro”.

Para Reis, o maior desafio do próximo presidente será executar as 600 propostas aprovadas no 1º Conselho Nacional LGBT, realizado em 2008, onde foi criado o Plano Nacional de Cidadania e Direitos Humanos GLBT. “Queremos a execução dessas propostas. Com isso já estaríamos felizes e satisfeitos”, diz.

No Legislativo, a expectativa é que os novos eleitos consigam articular a base aliada para aprovar três projetos: o Projeto de Lei da Câmara (PLC) nº 122/2006, que criminaliza várias formas de discriminação, inclusive por orientação sexual e identidade de gênero, o PLC nº 072/2007, referente ao nome social, e o Projeto de Lei nº 4914/2009, que reconhece a união estável homoafetiva.

Em alguns estados brasileiros tais propostas já foram aprovadas, como é o caso do Pará, com a governadora Ana Júlia Carepa, e de São Paulo, com os decretos assinados pelo ex-governador José Serra. “O que eles fizeram em seus estados, nós queremos para o Brasil”, afirma Reis.

jun
05
Posted on 05-06-2010
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DEU NO ESTADÃO

O jornalista e consultor Luiz Lanzetta se desligou neste sábado, 05, da campanha da ex-ministra Dilma Rousseff, pré-candidata à Presidência da República pelo PT. Reportagem publicada pelo jornal “O Estado de S.Paulo” mostrou que Lanzetta, dono da empresa Lanza Comunicação – responsável pela contratação de jornalistas -, teve encontro com arapongas ligados aos serviços secretos oficiais que produzem ilegalmente dossiês sobre adversários de seus clientes.

Em entrevista na sexta-feira ao “Estado”, Lanzetta confirmou o encontro com os espiões. Neste sábado ele disse que não aceitou a proposta para produzir material contra os tucanos. “Ele me fez uma proposta, eu não aceitei. Nunca mais vi o cara”, afirmou o consultor, referindo-se ao sargento da reserva Idalberto Matias de Araújo, o Dadá. O “Estado” revelou que o espião tem passe valorizado em épocas eleitorais, integrou vários escândalos políticos e esteve na polêmica Operação Satiagraha, que prendeu o banqueiro Daniel Dantas.

“Não existe contrato de serviço”, completou Lanzetta. “Não existem dossiês.” O consultor disse que a decisão de sair da campanha foi dele mesmo. “Fora da campanha, estou livre para me defender.” A jornalista Helena Chagas, coordenadora do comitê de imprensa de Dilma Rousseff, disse que por volta do meio-dia deste sábado foi informada pela direção do PT de que o consultor havia se desligado da campanha. Lanzetta disse que os últimos 40 dias de trabalho no comitê petista foram “estranhos”.

Questionado sobre as disputas internas na campanha, ele se limitou a dizer que “achava que estava tudo normal, mas não estava”. “Tudo foi estranho, a própria reunião (com arapongas); era uma suspeita atrás da outra.” A estratégia petista foi isolar a crise na figura de Lanzetta, apontado como articulador de uma central de dossiês.

À tarde, o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, afirmou que o jornalista não tem “nenhuma relação” com a campanha de Dilma nem autorização ou recomendação de seu comando para tratar de contratação de arapongas e da fabricação de dossiês contra adversários políticos. Dutra evitou defender o consultor. “Cada um é responsável pelos seus atos. Esse assunto nunca foi discutido conosco. Não existe subordinação dele (Lanzetta) com a campanha. Não há vinculação dele com a campanha. Se ele praticou uma coisa ilegal, as pessoas que se sentiram atingidas que o responsabilizem”, afirmou Dutra. “A empresa dele foi contratada para alocação de mão de obra, de jornalistas. Se ele agiu sozinho, não há nada que a gente possa fazer”, acrescentou o petista

jun
05


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“Trem das Onze”, com os paulistas do Demônios da Garoa”, faz uma longa viagem entre a Baia de Todos os Santos, na costa do Atlântico, até as margens da Baia de San Francisco, na Califórnia, na homenagem do Bahia em Pauta a uma aniversariante especial deste sábado, 5, sempre presente neste site blog: Fernanda Gabriela, a Gabee.

Difícil encontrar alguém que, mesmo a tamanha distância, guarde tanto amor e carinho por Salvador , a cidade da Bahia, terra de sua mãe Regina e de muita gente que lhe quer bem, ou por uma música.

“Trem das Onze” é a cara de Gabee. Algo que realmente vale a pena é vê-la ou lembrar dela cantando com paixão e generosidade o samba de Adoniram Barbosa em dupla com a filha Cloe.
PARABÉNS EM SUA DATA, GABEE. E NA BAHIA AGUARDAMOS VISITA PARA MAIS UMA APRESENTAÇÃO DO TREM DAS ONZE .

(Vitor Hugo Soares , editor, e Margarida, revisora, com saudades)

jun
05
Posted on 05-06-2010
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Decididamente, quando eu pego o cd-player da Doris Day e ponho pra tocar Stardust, qualquer coisa de etéreo, sobrenatural, ligação estranha com estrelas e amores, é assim, aperto a tecla repeat e lá vou eu…embarco na suavidade e cintilo o brilho empoeirado de estrelas perdidas no universo infinito. A letra fala de saudade de amores no seu começo, quando os beijos são os de ontem, os que não se repetem, aqueles dados com a expectativa do novo. E ela canta sobre as noites solitárias quando ela pode reviver estar novamente nos braços do amado que ficou lá atrás, no tempo. Seu consolo, na letra é observar o céu, sonhar, no seu coração a melodia das suas memórias represadas, e, eu, num feriado de Corpus Christis, já ouvi esta música durante a manhã, umas 40 vezes, sem exagero…

Nada como reviver o sentimento melhor sem sofrer por ele. Assim, vou me preparando para almoçar com a Maria Leonor, no reduto dos jornalistas antigos, o Lamas, onde vamos relembrar também velhos tempos, rir e rememorar delícias da vida, coisas boas que temos para relembrar, ainda bem. O feriado está ensolarado, o sonho é solto, a Doris me inspira, o amor é um céu noturno empoeirado de brilhos difusos com milhões de estrelas cintilando na alma da gente.

Vou em frente, sonho com a voz da Doris da minha adolescência. Era uma alegria assistir seus filmes, o jeito americano de dizer que a vida podia ser comprada a preço de um dólar furado, ou que o amor tinha o preço da ilusão, mas que podia até dar certo, por sorte ou acaso…

Amor é feriado ensolarado. É noite estrelada, é voz aveludada, é saudade da mocidade, é reencontro com a velha amiga, é esperança de distribuir energia vital, é movimento das marés, é grito de crianças na vila onde moro, é aconchego de almofada fofa onde posso descansar a cabeça, na falta de um ombro amigo, mas, evitando chorar. Porque, se for parar para chorar as mazelas, é como desperdiçar o tempo já que há tantos momentos que são prêmios. Pássaros voam e regorgitam à volta de flores e do verde. Há borboletas por aí, esvoaçantes, sensitivas, há bons amores, não é necessários lembrar os que não o foram.

É preciso crer em amores melhores, observar bem as estrelas do céu, divisar aquela que nos diz o quanto alguém nos ama, talvez aquela que sintoniza do corpo do Cristo crucificado, puxa vida, o mesmo que os homens condenaram quando falou tanto de amor.

Doris, onde quer que você esteja agora, saiba que sua voz me faz rever conceitos. Faz-me espreitar os bons sentimentos, dá-me fome de boas memórias, ora, oferece-me um mundo de positivas possibilidades. Thank you, querida Doris, doce companheira das tardes adolescentes nas salas suburbanas de cinemas antigos, e hoje, incrivelmente, grande confidente da manhã de um feriado de Corpus Christie!

Aparecida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Mulher Necessária.
http://blogdamulhernecessaria.blogspot.com/

jun
05
Posted on 05-06-2010
Filed Under (Newsletter) by vitor on 05-06-2010

Rossi: dor na pista

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O motociclista italiano Valentino Rossi (Yamaha) sofreu neste sábado uma fratura exposta na tíbia e no perónio da perna direita, como consequência de uma queda na segunda sessão de treinos livres para o Grande Prêmio de Itália.

O múltiplo campeão do mundo de MotoGP foi transportado para a clínica do circuito italiano de Mugello, onde no domingo se disputa a prova, tendo os primeiros exames revelado a fratura, devendo Rossi ser transportado de helicóptero para um hospital de Florença para ser operado.

Rossi, que tinha conseguido o melhor tempo na primeira sessão de treinos livres, ficara ausente da corrida de domingo e tem comprometida a luta pela revalidação do título mundial.

Esta lesão obrigará o piloto a ficar fora das pistas pelo menos dois meses, pelo que se despede do Mundial deste ano.

(Informações do jornal português PÚBLICO )


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“Sapato Velho”, com a turma do Roupa Nova, é a música para começar o dia no Bahia em Pauta. Vai especialmente para Ivan Bittencourt, que ontem, 04, comemorou 70 anos dos mais bem vividos. Amigo querido dos que fazem este site blog, o aniversariante em sua festa mostrou mais uma vez as múltiplas facetas da rica e cativante personalidade.

“Ivan, o terrível”, como muitas vezes foi citado pelo músico ao microfone nas referências ao seu lado folião, boêmio, tocedor desbrado do Bahia. Mas também o Ivan profissional competente do setor público, o marido romântico e sempre apaixonamo por Ana – a guerreira Aninha Dourado -o paizão dos filhos que o rodeiam sempre, sobretudo nos momentos mais difíceis, o avô derramado em paixão, o sogro merecedor do belo e tocante filme produzido pela nora Consuelo, que termina com a música do dia no BP.
Grande Ivan, que muitas festas como a de ontem se repitam.

(Vitor Hugo Soares, em nome dos que fazem o Bahia em Pauta)

jun
05
Posted on 05-06-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 05-06-2010

Serra: mudança de rumo

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O empate nos 37 pontos entre os pré-candidatos presidenciais Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) na pesquisa Data Folha, mudou o curso da campanha, constata o jornalista político Ivan de Carvalho em seu artigo deste sábado na Tribuna da Bahia. Isto teve reflexos profundos nas articulações políticas e na campanha, que do lado das oposições, seguindo uma estratégia escolhida por José Serra, vinha fria, explica o colunista no texto que Bahia em Pauta reproduz.

(VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

Datafolha mudou fase da campanha

Ivan de Carvalho

A campanha eleitoral apelidada de pré-campanha entrou numa fase mais importante a partir da última pesquisa Datafolha, que indicou empate entre os dois candidatos na liderança das intenções de voto – 37 por cento para cada um.
Foi um momento especial para a candidatura da petista Dilma Rousseff, que chegou a esse resultado principalmente graças a um programa de “propaganda partidária”, de dez minutos transmitido em rede nacional.
No entanto, o PT decidiu que, pelas vantagens que podia tirar e pelas dificuldades que sua candidata estava enfrentando para alcançar o adversário José Serra, do PSDB, valia a pena infringir a lei. E fez todo o programa com notória propaganda, não partidária, mas eleitoral, a favor de Rousseff, com o presidente Lula como uma espécie de garoto propaganda. E Dilma chegou ao empate na pesquisa Datafolha, realizada após o programa de propaganda do PT.
Isto teve reflexos profundos nas articulações políticas e na campanha, que do lado das oposições, seguindo uma estratégia escolhida por José Serra, vinha fria. É que, enquanto estava com uma boa vantagem, Serra não tinha interesse em esquentar as coisas. Foi forçado a mudar de estratégia ante o empate nas intenções de voto e partir para o ataque direto à adversária (o último míssil que disparou foi comentar que “me acham feio, mas não tenho duas caras”, numa alusão a alguns fatos e/ou posições dúbias da candidata petista). O noticiário político tem dado conta da pancadaria pública entre esses dois concorrentes à presidência.
Mas Serra passou também a avançar bandeiras de campanha que até então mantinha guardadas para a fase seguinte, a iniciar-se na convenção que oficializará sua candidatura, a realizar-se em Salvador, no dia 12. A primeira delas, ele a lançou na Bahia: o anúncio de que, se eleito, empenhará a fundo a União, o governo federal, no combate à insegurança pública, sustentando que esta não terá solução sem uma participação muito forte e a coordenação da União, responsável pelo combate ao contrabando de armas e tráfico de drogas através das fronteiras brasileiras. No embalo, avisou que criará um Ministério da Segurança Pública.
Aí ele pegou Dilma no contra-pé, porque o governo Lula, do qual Dilma participou, inclusive como a quase todo-poderosa ministra-chefe da Casa Civil, foi e continuará sendo um fracasso total no setor da segurança. A única coisa que a candidata do PT conseguiu dizer foi que é desnecessário um Ministério da Segurança Pública. Opinião dela, mas os bandidos agradecem.
Ela tratou, no entanto, de encontrar uma bandeira para o contra-ataque. E então descobriu que “uma coisa com muito imposto é o remédio” e que “é uma questão de justiça reduzir os tributos dos remédios e garantir redução nos preços”. Fiquei feliz. Acho que afinal encontrei uma leitora para o que escrevo neste jornal. É que dias antes abordara a questão da carga tributária média sobre os medicamentos no Brasil, de 35 por cento, aproximadamente, chamando a atenção para o absurdo, quando no México e Estados Unidos, por exemplo, eles são isentos, enquanto em outros países desenvolvidos ou emergentes têm uma carga tributária que não ultrapassa os dez por cento.
Mas Serra, que já tinha a garantia de acesso aos remédios como uma bandeira de sua campanha, acaba de ir à tréplica, prometendo desonerar alguns produtos da cesta básica.

jun
05

Stone e Dilma Rousseff: convergências

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ARTIGO DA SEMANA

AO SUL DA FRONTEIRA

Vitor Hugo Soares

Com lançamento nacional de “Ao sul da Fronteira” previsto para esta sexta-feira, 04, o mais recente filme de Oliver Stone chega às telas cercado de críticas e polêmica políticas, muito mais que de apreciações sobre o conteúdo e qualidades cinematográficas da fita. Aspectos, aliás, para os quais quase ninguém parece prestar atenção ou dar a mínima bola.

O furor “a favor e contra” é causado tanto pelo realizador norte-americano em si, como pelos personagens principais do documentário, que mexe, entre outros materiais explosivos, com o papel dos meios de comunicação nos Estados Unidos e na América Latina. O barulho se propaga rapidamente e alcança decibéis cada vez mais elevados: de Los Angeles a Nova Iorque, de Caracas a Cochabamba, de Buenos Aires a Córdoba, do Rio de Janeiro e São Paulo a Brasília.

Por um desses paradoxos difíceis de entender, praticamente tudo o que se imaginava iria acontecer em relação ao filme nacional “Lula, o Filho do Brasil”, de Fábio Barreto – monumental fracasso de público e crítica desde o lançamento – , parece ocorrer ao inverso agora com o filme de Stone, “Ao Sul da Fronteira” que desperta interesse e já motiva debates acalorados na imprensa e entre candidatos políticos do governo e oposição neste modorrento período da pré-campanha eleitoral.

Não é para menos. Nas entrevistas, de sua passagem pelo continente para lançamento do documentário, Stone não fala bem apenas de Hugo Chaves, derramando-se também em abraços, elogios e palavras de explícito apoio à ex-ministra Dilma Rousseff. Joga mais água fervente no caldeirão dos conflitos entre governo e oposição, com a imprensa no meio.

Uma fala de Stone sobre Dilma, em inglês, legendada e transformada em vídeo, multiplica acessos agora no You Tube, país e mundo afora. Nos ambientes mais restritos da propaganda na campanha da ex-ministra, já não é segredo que outro depoimento do cineasta foi especialmente gravado e reservado como peça de resistência de futuro programa de TV, na fase mais aguda da campanha, como parte do esforço petista de “dar uma cara internacional para Dilma”.

E assim segue Oliver Stone, como sempre, em sua larga trilha de polemista consumado – e bom propagandista de suas realizações, já se vê , principalmente quando mistura cinema e política. Quem não recorda do barulho mundial no lançamento do filme “JFK-A pergunta que não quer calar?”, que reconstitui o dramático assassinato do presidente John Kennedy, em Dallas? Foi assim igualmente em “Salvador, martírio de um povo”, sobre os movimentos guerrilheiros da América Central, também de 1986, como JFK.

O diretor de “Platoon” retoma em 2010 sua antiga receita. “Ao Sul da Fronteira ( South of the border”) é uma espécie de painel cinematográfico com dirigentes que respondem um questionário de perguntas as vezes obvias – tanto quanto os elogios do cineasta americano à candidata petista apoiada por Lula – , na tentativa de reverter a imagem errônea que o americano dos EUA em geral têm da América Latina, principalmente de seus políticos e governantes, segundo imagina o diretor.

É emblemática a cena de abertura de “Ao Sul da Fronteira”. Mostra a jornalista de um programa de televisão, nos Estados Unidos, que faz piada com um de seus colegas, diante de participantes do programa que dão risadas quando ela explica que confundiu “cacau” com “coca”, “porque não entendo nada de drogas”. Em seguida a estas primeiras imagens, Stone transporta suas câmeras para a Venezuela, e entrevista Hugo Chaves, que confessa: “todas as manhã faço meu desjejum com cacau”.

Na Bolívia, durante a sessão de lançamento do filme em um cinema de Cochabamba, é outra cena com Chaves que levanta o público. “You are a donkey, mister Bush (você é um burro, senhor Bush”), diz o presidente da Venezuela referindo-se ao então colega dos Estados Unidos. É a primeira das várias cenas “que arrancaram aplausos do público que ontem presenciou a premier nacional de Ao Sul da Fronteira”, informa um comentarista de “La Prensa”, presente ao lançamento festivo na Bolívia.

Stone viaja por este lado do continente. Desfilam opiniões de Cristina Kirchner, Evo Morales, Luis Inácio Lula da Silva, Rafael Correa e Fernando Lugo. É Cristina Kirchner quem diz a Stone que é a primeira vez que na América do Sul “os governantes se parecem com os governados”. Na conversa com o cineasta, a governante só se mostra e enérgica quando é consultada sobre quantos pares de sapatos tem a presidenta: “Você não perguntaria isso a um homem”, rebate Cristina.

Ainda assim nada parecido com o bafafá de dois anos atrás, quando, de passagem pela Argentina nos preparativos para o documentário, Stone definiu Eva Perón, a sagrada Evita dos peronistas, como “uma mistura de santa e prostituta”. Precisou sair às pressas da capital portenha.

Pelas bandas de cá, no entanto, parece que o maior furor se concentra nas reações às duras críticas de Stone sobre o papel dos meios de comunicação no continente, um dos assuntos mais polêmicos mostrados em “Ao sul da fronteira”. Na entrevista ao portal UOL, o realizador joga mais combustível na fogueira:

”No Brasil, na Venezuela. Na Argentina. Grandes cadeias, grandes famílias, eles são como as oligarquias. Eles são donos dos meios de comunicação, das emissoras de televisão. E eles os usam para interesses próprios. E eles mentem”, ataca o cineasta.

Tem mais, mas não conto. Quem quiser saber que vá ao cinema, até para desancar o filme “Ao Sul da Fronteira” e seu diretor. Com fatos e algum conhecimento de causa, naturalmente.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail:vitor_soares1@terra.com.br

jun
04
Posted on 04-06-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 04-06-2010


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Em seu artigo desta sexta-feira, na Tribuna da Bahia, o colunista político Ivan de Carvalho comenta a entrevista à revista digital Terra Magazine, da professora Maria da Dores Campos Machado, da Universidade Federal do Rio de Janeiro , especialista em voto e religião, julga preocupante que não existam regras sobre promoção de candidatos nas igrejas e defende um controle sobre as mensagens passadas aos fiéis pelos sacerdotes.
Para o jornalista, aí começa o ataque à liberdade religiosa no Brasil e a entrevista pode se tornar um marco histórico, caso a tese prospere. Quem iria controlar? Pergunta Ivan no texto que Bahia em Pauta reproduz.

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OPINIÃO POLÍTICA
Religião e política
iVAN DE cARVALHO

(VHS)

Ivan de Carvalho
O dia de Corpus Christi, ontem, suscitou na mídia brasileira uma temática que mistura religião e política. Não é uma coisa despropositada. Quando Pilatos advertiu Jesus de que tinha poderes para mandar crucificá-lo, ouviu uma resposta que lhe terá soado surpreendente: “Nenhum poder tens sobre mim, senão o que te foi dado do Alto”. Estava aí posta pelo fundador do cristianismo uma relação entre a realidade espiritual e a política.
Mas o próprio Jesus recomendara antes uma certa separação – coisa que a ditadura teocrática iraniana, tão amada pelo governo brasileiro, não faz – quando lhe foi perguntado se os tributos a Roma deviam ser pagos. Ele pediu uma moeda e, ao indagar e ouvir que era do imperador romano (César Tibério) a efígie que estava nela, recomendou: “Daí a César o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus”.
No entanto, houve também a recomendação para que seus seguidores se aproximassem (também) dos governantes, de modo a falar-lhes e convencê-los a comportamento compatível que os ensinamentos de Jesus, recomendação que foi adiante seguida de ressalva no diálogo entre Pilatos e Jesus, no qual este último afirmou, inquirido se era o “rei dos judeus”, que “meu reino não é deste mundo”. Mais adiante, no entanto, já ressurreto, ele anunciou aos discípulos: “Me foi dado todo o poder nos céus e na Terra”.
É normal que os candidatos a presidente busquem a simpatia dos espiritualistas, assim como dos ateus. Também é normal que procurem atrair o apoio de denominações religiosas específicas, mas não é correto que, caso seja algum deles ou delas ateu ou atéia, tente passar aos eleitores católicos, evangélicos ou de qualquer

É exigível a quem se candidata a presidente da República que não minta, não engane o eleitorado, não ponha disfarces e máscaras sobre suas posições, inclusive sobre espiritualidade, religião e temas correlatos, como é o do aborto e vários outros. É exigível que não fale por meias palavras, ou enrolando a língua para enrolar as pessoas, pois não é exigível que em um país de nível educacional tão baixo quanto o Brasil todos os eleitores sejam bons entendedores, para os quais meia palavra basta. É exigível, em nome da cidadania e da verdade, bem como do caráter de futuro presidente, que os candidatos a tão alto cargo não se aproveitem da educação que seus antecessores não asseguraram a uma grande parte do eleitorado para enganá-la.
Em tempo: em entrevista ao Terra Magazine, a professora Maria da Dores Campos Machado, da Universidade Federal do Rio de Janeiro e especialista em voto e religião, julga preocupante que não existam regras sobre promoção de candidatos nas igrejas. E defende um controle sobre as mensagens passadas aos fiéis pelos sacerdotes. Pronto. Aí começa o ataque à liberdade religiosa no Brasil. Esta entrevista pode se tornar um marco histórico, caso a tese prospere. Quem iria controlar? O Congresso com suas leis e a Justiça Eleitoral. O Estado, portanto. Ora, assim vai-se dar a César o que é de Deus.

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