Robinho comemora primeiro gol na Copa./AFP/TM

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DEU NO TERRA MAGAZINE

Bob Fernandes

Direto de Johannesburgo

A SABC, TV da África do Sul, mostra imagens da multidão que toma a praia de Copacabana e chama, a todo momento:
– Daqui a pouco o Brasil, o maior time do mundo…

Lá em Santiago, El Mercúrio estampa em manchete:
– Chile joga para quebrar tabu de 10 anos sem ganhar do Brasil.

Galvão Bueno, nosso Himalaia de convicções, informa ao povo brasileiro:
– Cravei quatro a zero no bolão…

Mick Jagger está no estádio. Desde cedo, nas trocas de telefonemas, colegas isentos e imparciais lamentam:
– O cara já secou os Estados Unidos e a Inglaterra e hoje torce pra nós…

No Ellis Park, um Brasil improvisado no sistema defensivo. Custou caro a arrepiada de Felipe Melo em Pepe, o zagueiro brasileiro de Portugal. Pepe devolveu pisando o tornozelo de Felipe, que está fora do jogo contra o Chile. Elano, vítima da pancadaria da Costa do Marfim, também fora.

O Chile de Bielsa é de atacar. Vamos ver como se saem Ramires e Daniel Alves, os substitutos. O Chile, com a zaga reserva.
Dunga no gramado, com o mesmo Hercovitch de muitos botões do primeiro jogo. Os rapazes no túnel de acesso. Julio Cesar morde os lábios. Todos, inclusive Kaká, acertam o passo para entrar em campo com o pé direito.

De novo, sempre, um arremedo do hino do Brasil, que não chega sequer ao final da primeira parte. Para que, então, hinos?

Bielsa, argentino, saltita durante o hino chileno.

Bola rolando. O Chile tenta adiantar a marcação, imprensar o Brasil em seu campo. Daniel Alves faz bom lançamento para Luis Fabiano, que acerta na orelha da Jabulani, aos 4’.

Gilberto Silva, imaginem, Gilberto Silva acerta um chutaço aos 8’, Bravo põe para escanteio. Dunga parece mais calmo que Bielsa, que cisca na área técnica.

Na esquerda, entre Michel Bastos e a zaga, há espaços para o Chile, que tem 55% de posse de bola. Vinte minutos e o Brasil afunila tudo pelo meio, segue sem jogadas pelas laterais.

Vaias da torcida com os recuos de bola da Seleção, aos 22’. Tesoura na área em Lúcio, aos 27’, mas a encenação é excessiva. Kaká, desaparecido, dá um cutucão por baixo e recebe amarelo aos 29’.

Em 32’ o Brasil errou 37% dos seus 153 passes. Isso ajuda a entender o jogo truncado.

Escanteio, bola parada é a saída. E o Brasil volta a usar a fila indiana, um jogador se posta atrás do outro para dificultar a marcação.

Maicon bate aos 34’, Juan salta atrás de Kaká e Luis Fabiano, Lúcio ao lado. Juan para no ar, como Dadá Maravilha, e cabeceia no ângulo direito de Bravo. Dunga sacode os punhos fechados, abaixa a cabeça e vibra.

Contra-ataque, Robinho dispara pela esquerda, entra em diagonal e inicia a triangulação ensaiada à exaustão nos treinos de Dunga, Robinho toca para Kaká que, enfim, entra no jogo. Com a centelha do craque, um único toque, deixa Luis Fabiano na cara do gol.
Autor de bisonha tentativa de calcanhar um minuto antes, Luis Fabiano faz o que sabe fazer com maestria, dribla Bravo e rola para o gol aos 38’.

Galvão Bueno, em dúvida sobre o impedimento de Luis Fabiano, que não houve, narra:
-…driblou o juiz… driblou o goleiro! Ah, vai, driblou o juiz também…

Michel Bastos, mais ousado hoje, arranca e Kaká, aos 44?, abre pela esquerda dentro da área. Michel opta por Luis Fabiano e Kaká sacode os braços, protesta.
Fim do primeiro ato.

O Brasil errou 35% dos seus 240 passes, e o Chile, 163 dos seus 260. Ainda para quem gosta de estatísticas: o Brasil correu 49 quilômetros no primeiro tempo, e o Chile, 53.

Números à parte, o comentarista diz na SABC:
– O Brasil pode não estar bem, e não estava, mas quando Robinho, Kaká, Maicon e os outros começam a trocar passes na frente… é infernal…

George Weah, da Libéria, ex-Milan e melhor do mundo em 1995, analisa:
– O Brasil é uma equipe sólida, às vezes demora para começar a jogar, mas quando Robinho, Luis Fabiano, Kaká e outros acham espaço para jogar, para tocar, eles acabam dentro do gol.

Segundo ato.

Sete minutos. Kaká, com passe errado, mata um ataque perigoso. No banco chileno, Bielsa bufa.

Na Globo, discute-se Robinho:
– O Robinho não tá mal pra não decidir, mas também não está bem – diz Casagrande.
– Eu pensaria rapidamente no Nilmar – avalia Falcão.
– Lembrando que foi ele (Robinho) quem puxou contra-ataque para o gol – tenta arrumar Júnior.
– Como ele é um fora de série, a gente cobra muito dele (Robinho), né? – finaliza Galvão.
Ramires arranca aos 14’, dispara com suas passadas largas, dribla um, dois, e entrega, limpa, para Robinho.

De chapa, no canto esquerdo de Bravo, Robinho faz 3 a 0. Bravo voa, vai sair bonito nas fotos, mas este é o 8º gol de Robinho no mesmo goleiro chileno em 6 partidas.
Galvão grita:
– Olha só o que o Robinho fez! Atingiu a marca de Pelé! Oito gols marcados contra o Chile…
Amarelo para Ramires aos 25’; se a FIFA não melar os cartões, ele está fora das quartas de final contra a Holanda. Aos 29’ Robinho quase faz outro, Bravo salva com as pontas do dedos.

Nilmar no lugar de Luis Fabiano. Aos 34’, o Brasil com 50% de posse de bola e apenas 63% de acertos nos seus 392 passes.

Kaká, acertou 19 dos 30 passes e correu 8,5 Km antes da substituição por Kleberson aos 36’. Não jogou uma grande partida, mas deu o toque magistral para o gol fundamental, o segundo, que matou o Chile.

Fim de jogo.

Mick Jagger não secou.
El Mercúrio, em Santiago, lamenta:
– Chile disse adeus à África do Sul depois de cair diante do Brasil.
A SABC mostra imagens do Rio de Janeiro e informa:
– Praia de Copacabana (saudade!), um milhão de pessoas comemoram a vitória do Brasil (Procede?)…

Mick Jagger não secou, BbrSIL manda Clile para casa e agoera tem Holanda pela frente

A Seleção começou como em todas as partidas anteriores. Amarrada, sem jogadas pelas laterais e insistindo pelo meio, até o primeiro gol. Daí em diante administrou e, como é de praxe, goleou o Chile.

Agora, de novo, a Holanda pela frente.

O locutor da SABC, com sua entusiástica e romântica visão do futebol brasileiro, encerra a transmissão:
– Nós produzimos ouro, outros têm platina, diamantes, o Brasil produz os melhores jogadores do mundo… Boa noite.

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Comentários

Marco Lino on 28 junho, 2010 at 21:08 #

“com a centelha do craque, um único toque…”
Meu caro, um passe de 5m e em linha reta… ele até pode vir a recuperar toda a sua forma, mas, ultimamente… medíocre!
Teus textos são bem melhores que o futebol de Kaká.
Abs


danilo on 28 junho, 2010 at 22:42 #

Baiaco era melhor que esse tal de Kaká. o timeco de Dunga é tão medíocre q agora tô torcendo pro Brasil se lascar nessa Copa. sejamos justos com o esporte bretão. não merecemos ser campeões.


ELVIRACollier on 30 junho, 2010 at 5:51 #

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Fátima Soares on 30 junho, 2010 at 8:23 #

Cala boca, danilo!!!!


Marco Lino on 30 junho, 2010 at 15:47 #

hehehee, toma Danilo!


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