jun
25

Dunga furioso na beira do campo

DEU NO TERRA:

Bob Fernandes
Direto de Durban

Robinho com dores musculares, poupado. Estamos na bancada da imprensa cercados por jornalistas portugueses. Um deles, em nome de todos eles, corneteia:
– Carlos Queiroz está a inventaire.

Ricardo Costa, zagueiro, joga pela direita, na lateral que Miguel ocupava. Queiroz optou por três zagueiros, embora Ricardo Costa já tenha sido lateral com Mourinho no Porto, tanto na direita quanto na esquerda.

Simão deu lugar a Duda, Hugo Almeida a Danny e Pedro Mendes a Pepe. No Brasil, o já esperado Julio Baptista na vaga do suspenso Kaká, Daniel Alves no lugar de Elano e, inesperado, Nilmar no ataque com Robinho fora.

Belo o estádio de Durban, 25 graus e, enfim, depois da gélidas noites de Johannesburgo, uma tarde ensolarada para o futebol brasileiro.

Dunga, já no gramado, reza ou murmura algo para si mesmo. As câmeras da FIFA focam em Luis Fabiano, o grande destaque da última partida da Seleção.

Lentes em Julio Baptista. Nos olhos, nos movimentos nervosos do corpo, toda a ansiedade da estreia em uma Copa do Mundo, do peso de substituir Kaká.

A câmera diante do rosto de Dunga mostra a testa vincada, duas rugas profundas. Felipe Melo, de cabeça baixa, ora.

Rola a bola.

Sete minutos. Portugal, o time inteiro, espera o Brasil em seu campo. A Seleção cerca, toca a bola, busca uma brecha.

Aos 12’ Felipe erra um passe, contra-ataque para Portugal. Desde a estreia, há coisa de um ano, esse é um grande problema de Felipe, as bolas cruzadas no meio-campo ou na intermediária do Brasil.

Quinze minutos, Portugal começa a sair para o jogo. Aos 21’ Felipe Melo racha, a sola da chuteira raspa o cotovelo e o rosto de Pepe. Sinais claros de descontrole; excesso de vontade, escassez de frieza.

Difícil achar uma vereda, uma jogada no ataque. A bola gira de pé em pé, Julio Baptista, Daniel, Fabiano, Nilmar… Portugal não dá espaço e o Brasil não consegue inventá-lo.

Sem Kaká e Robinho, falta inspiração, luz, a centelha de um craque do meio para a frente.

Contra-ataque, passe longo para Cristiano, que dispara, resta a Juan enfiar a mão na bola. Cartão amarelo.

Luis Fabiano sassarica aos 29’, acha Nilmar, que afunila pela esquerda e toca de pé esquerdo. Na trave.

Contra-ataque, Tiago tenta cavar um pênalti. Cartão amarelo.

Felipe racha aos 34’, a bola passa longe, mas na direção de Carlos Queiroz, que encrespa e aponta Felipe para Archundia, o juiz mexicano.

Há algo estranho, Felipe Melo está alguns tons acima.

Pepe esperou 17 minutos, mas dá o troco em Felipe. Pisa no seu tornozelo aos 38’. Cartão amarelo para Pepe, que olha para Felipe e mostra com os dedos: 1 a 1. Felipe devolve três minutos depois, atropela Pepe no meio-campo.

Cartão amarelo, um esporro de Gilberto Silva. Ao pé do ouvido, mas a câmera capta alguma coisa:

– …você não quer jogar? Caral…porr…

Dunga, imediatamente, manda Josué entrar. Felipe sai e passa por Dunga, que já esteve lá, conhece a sede de um volantão do gênero quando as coisas escapam dos trilhos. Ambos se cumprimentam.

Segundo ato.

Josué, Gilberto Silva, Daniel Alves, Julio Baptista, Luis Fabiano… quem vai criar?

Duas vezes Cristiano dispara pela esquerda e Portugal quase chega. Sai Duda, entra Simão.

Gilberto Silva erra feio no meio-campo, Cristiano Ronaldo invade pela direita, ao desarmá-lo Lúcio toca para Raul Meirelles, que perde diante do gol. Na jogada Julio Cesar sente, parece ser o mesmo local da contusão na partida contra o Zimbabwe.

Dunga esbraveja, xinga, Jorginho lhe diz alguma coisa. Portugal melhor em campo.

Michael Bastos pela esquerda, aos 20’, isola a Jabulani. Jogada bisonha, vaias da torcida. Cristiano Ronaldo cresce. Portugal, no contra-ataque, busca jogar. Sem bola, se fecha. O Brasil toca, toca, mas não busca o jogo lateral, não consegue avançar.

A bola gira e ninguém aparece para o jogo, todos estáticos, presas fáceis para a marcação portuguesa. Daniel tenta de longe aos 26’, fraco, sem direção. Vaias. À torcida restam as Olas.

Josué erra o 100º passe do Brasil, Dunga pula, salta à beira do gramado. Jogadas grotescas se sucedem, o Brasil apanha da Jabulani. Dunga chia, Jorginho olha o relógio e avisa o técnico:
– Faltam dezenove…

Julio Baptista erra mais um passe. Dunga chama Ramires aos 40’. Julio sai. De cabeça baixa.

Faltam dois minutos para acabar o suplício. Daniel Alves parado, mão na cintura. Dunga o chama e esbraveja. Vaias da torcida aos 44’.

Escanteio, Lúcio e Juan sobem para a área de Portugal. Michel Bastos, encarregado da cobertura, se posiciona mal, além do meio-campo. Dunga berra, as vuvuzelas atrapalham, o técnico se agacha, enlouquece à beira do gramado. Quando Michel percebe e olha… encontra Dunga a sapatear e gesticular.

Juan se aproxima da lateral. Bronca monumental do técnico, endereçada a alguém. Lúcio toca de calcanhar, bola perdida na lateral esquerda, Juan a domina na área e… perde-a sozinho, quase gol.

Dunga, claro, pira à frente do banco.

Fim de jogo. Uma vaia enorme ecoa pelo estádio.

Com 61% de posse de bola, o Brasil errou 113 em 703 passes; daqueles passinhos laterais, curtos. Portugal errou 104 em 379. Em 18 chutes da Seleção, 5 chegaram ao gol. Portugal chutou 13 e fez chegar 3.

Da posse de bola do Brasil 63% se deu no meio-campo, entre o círculo central e as laterais, e isso diz tudo quando, sem Kaká e Robinho, a criação fica a cargo de Felipe Melo, Gilberto Silva, Julio Baptista, Josué…

Sobrou vontade física, vontade de disputar a bola, mas faltou inspiração, criação, luz, a centelha. O sapateado, o berreiro de Dunga à beira do gramado é a melhor análise da partida. Ele agora está na sala de imprensa, na coletiva. Exausto.

Faltou futebol.

jun
25
Posted on 25-06-2010
Filed Under (Artigos, Janio) by vitor on 25-06-2010

CRÔNICA/CRAQUES E BOLAS

O sofrimento da Jabulani

Janio Ferreira Soares

Minha primeira bola foi um presente do meu tio Lindemar e veio acompanhada de calção, meião, camisa e chuteira. Eu tinha lá meus sete anos e ele achava que eu seria um craque. Mas assim que eu percebi que não levava nenhum jeito para o futebol comecei a devorar seus livros, discos e revistas. Foi melhor assim.
Também foi ele quem me levou para ver o meu primeiro jogo numa Fonte Nova ainda térrea e segura. Foi um Bahia e Cruzeiro daqueles, já que no time mineiro estavam Tostão, Dirceu Lopes e Cia. Saí do estádio hipnotizado, achando que todos os jogos da minha vida seriam espetáculos iguais. Mas bastou um Galícia e Leônico para que eu percebesse que jogadores capazes de fazer um menino do interior voltar para o sertão acreditando que anjos existem eram raríssimos.
Dito isto, estou bem à vontade para dizer que continuo admirando o que realmente vale à pena, independente de paixão ou patriotismo. Isso serve tanto para o esporte como para qualquer tipo de arte. Ou você é daqueles que torcem para que um filme brasileiro ganhe o Oscar mesmo sabendo que ele é muito inferior a uma produção, digamos, argentina, só por causa de sua porção Dom e Ravel? Se for, pisou na bola.
E por falar nela, jamais presenciei uma ser tão maltratada como essa de nome Jabulani. Até agora só a vi acariciada quando tocada pelos pés de Messi ou pelas mãos dos árbitros ao pegá-la no pedestal antes das partidas. No mais, é só dor em vários idiomas.
Aliás, se essa bola falasse, certamente diria que felizes foram suas antepassadas, que mesmo sem nenhuma tecnologia de ponta eram tratadas como deusas por craques que apesar de calçarem pesadíssimas chuteiras de couro cru, flutuavam pelos gramados feito anjos conduzidos pelas mesmas asas que eu vi naquela noite nos ombros de Tostão e Dirceu Lopes, num tempo em que o futebol e a vida eram de fantasias, e a Bahia, com seus geniais artistas e poetas desfolhando bandeiras, organizando movimentos e orientando carnavais, era a ponta-de-lança da geléia geral brasileira que o Jornal do Brasil anunciava.

jJanio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso, no Vale do São Francisco .

jun
25
Posted on 25-06-2010
Filed Under (Newsletter) by vitor on 25-06-2010

Alvaro Dias: o vice, afinal

Deu na Folha. Poder

CATIA SEABRA
DE SÃO PAULO

O senador tucano Alvaro Dias (PSDB-PR) será o vice do correligionário José Serra na chapa presidencial que disputará as eleições deste ano.

Fontes do PSDB ouvidas pela Folha já dão como certa a escolha de Dias para a vaga, que, conforme revelou o “Painel” da Folha na última quinta-feira, já vinha pressionando a cúpula do partido para ocupar a vice.

jun
25
Posted on 25-06-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 25-06-2010

Chips: onde seu carro estiver

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Em seu artigo desta sexta-feira, na Tribuna da Bahia, o jornalista Ivan de Carvalho volta a alertar para a resolução do Contran, um simples órgão subordinado ao Ministério das Cidades, que impõe a aposição, em todos os veículos (automotores), inclusive os utilitários e os veículos de passeio, de “placas eletrônicas”, isto é, chips, que permitirão a antenas fixadas nos semáforos e postes de iluminação (sem excluir outros pontos) mandar informação para estações que as repassarão a centrais. Carro transitando sem o chip de localização e rastreamento, acarretará penalidades para seu proprietário O Siniav, a ser implantado e operado pelo Estado, é um instrumento totalitário, afirma Ivan no texto que Bahia em Pauta reproduz.
(VHS)
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OPINIÃO POLITICAIvan de Carvalho

Uma aposta no STF

Ivan de Carvalho

Em seu artigo desta sexta-feira, na Tribuna da Bahia, o jornalista Ivan de Carvalho volta a alertar para a resolução do Contran, um simples órgão subordinado ao Ministério das Cidades, que impõe a aposição, em todos os veículos (automotores), inclusive os utilitários e os veículos de passeio, de “placas eletrônicas”, isto é, chips, que permitirão a antenas fixadas nos semáforos e postes de iluminação (sem excluir outros pontos) mandar informação para estações que as repassarão a centrais. Carro transitando sem o chip de localização e rastreamento, acarretará penalidades para seu proprietário O Siniav, a ser implantado e operado pelo Estado, é um instrumento totalitário.

Permitirá ao verdadeiro Big Brother saber em tempo real onde está o seu carro.

Abordei na terça-feira, neste jornal, sob o título “OAB reage ao Big Brother”, a decisão do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil de que o seu presidente, Ophir Cavalcanti, deve ajuizar no Supremo Tribunal Federal uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) contra a Resolução 212 do Contran, de novembro de 2006. Esta resolução instituiu o Sistema Nacional de Identificação Automática de Veículos (Siniav), baseado em tecnologia de rádio-frequência.

Resumindo: a resolução do Contran, um simples órgão subordinado ao Ministério das Cidades, impõe a aposição, em todos os veículos (automotores), inclusive os utilitários e os veículos de passeio, de “placas eletrônicas”, isto é, chips, que permitirão a antenas fixadas nos semáforos e postes de iluminação (sem excluir outros pontos) mandar informação para estações que as repassarão a centrais. Carro transitando sem o chip de localização e rastreamento, acarretará penalidades para seu proprietário.

O Siniav, a ser implantado e operado pelo Estado, é um instrumento totalitário. Permitirá ao verdadeiro Big Brother saber em tempo real onde está o seu carro. E assim, na prática, saber – com pequena margem de erro – onde está você o que provavelmente estará fazendo. Coisas que não são da conta do Estado. Já estão colocando pulseiras eletrônicas nos condenados. Agora, querem grampear os não condenados também, por enquanto, por intermédio de seus carros.

O pleno do Conselho Federal da OAB entendeu, como entenderá qualquer pessoa que preze sua cidadania, que o Estado conhecer a exata localização do veículo de um indivíduo fere o direito constitucional à garantia de privacidade, cláusula pétrea (imutável, inderrogável) inscrita no artigo 5º, inciso X, da Constituição Federal de 1988, que estabelece a inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e imagem das pessoas.

A Resolução foi apresentada ao público, por intermédio da mídia, sob duas justificativas: combater o roubo e o furto de veículos e cargas e fornecer dados que permitam um melhor conhecimento e administração dos fluxos de trânsito. Isto é meia verdade. E a outra metade dela? No âmbito privado, o poderoso lobby das seguradoras de veículos e cargas interessadas em reduzir seus índices de risco com roubo e furto de veículos e, no âmbito estatal, a fiscalização da frota para detectar os veículos que não estão em dia com o pagamento de impostos, taxas e seguro obrigatório.

Assim, o “aloprado” Siniav sobrepõe o interesse financeiro a cláusula pétrea da Constituição, aos direitos e garantias individuais da inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem. O Siniav – reflita por um momento apenas o leitor – poderá ser usado como um auxiliar extremamente eficiente na preparação de dossiês com objetivos eleitorais, bem como de chantagem política e de outros tipos de chantagem.

O Siniav é, uma vez implantado, um sistema de espionagem de primeira linha e, como buscará demonstrar a OAB, numa Ação Direta de Inconstitucionalidade que entrará para a história institucional do país como um brilhante passo garantidor da liberdade ou uma triste tentativa frustrada de não deixá-la perecer, a depender do que decidir o Supremo Tribunal Federal. Pessoalmente, eu aposto a favor do STF e da liberdade.


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CRÔNICA/AFETOS

UMA VIDA A SER CELEBRADA!

Mariana Soares

Mulheres que mereçam admiração não são mais raridades nos nossos dias, mas, hoje, eu gostaria de reverenciar uma em especial – Regina, advogada , especializada em eleições na Califórnia , com participação profissional em dezenas de pleitos locais e presidenciais nos Estados Unidos. E o que me move a estas linhas:minha dileta e querida irmã, figura também já conhecida de vocês, leitores do Bahia em Pauta, pelos seus textos e comentários, sempre atuais e ricos em informações.

Homenagear essa mulher, seja pela passagem do seu aniversário neste 25 de junho,, seja por qualquer outro motivo, não é tarefa das mais fáceis.Regina é uma mulher cheia de atitude! Apesar de eu ser a caçula e ela a mais velha das filhas mulheres do S. Alaor e D. Jandira, lembro-me dela quando ainda morava em Salvador…Das poesias que escrevia, do riso largo, das músicas que ela vivia cantarolando, das roupas que ela mesma criava e recriava, fazendo sempre parecer novas, das gincanas que ela organizava na Rua do Jenipapeiro, no bairro da Saúde, deixando toda a criançada ouriçada e felizes, das comidas deliciosas que sempre (até hoje) preparou, dos passeios no Farol da Barra…

Foi morar na Terra do Tio Sam sem nem mesmo conhecer direito o inglês, sem jamais ter atravessado um oceano antes e, ainda assim, nada a impediu de ultrapassar os obstáculos que esta aventura humana impõe a qualquer um. Criou seus filhos e, ora, embala no coração, creio que para todo o sempre, sua queridíssima neta. Dificuldades? Muitas! Mas, nada que a raça dessa mulher “retada” não tirasse de letra e sempre com muita dignidade e sem alarde.

Regina ama a música, a verdade e a liberdade! A sua inteligência é algo espantoso! Tudo o que ela se dispõe a aprender e a fazer, é sucesso na certa! É uma fera nos programas de conhecimentos que assistimos e disputamos quando ela visita a nossa terra…ela acerta tuuuddooo…ah…ah…ah…

Para mim ela deixou um legado de imensurável riqueza. Me ensinou as primeiras letras, a lutar pela minha independência, a gostar de música, de poesia, de moda, de conversar sobre tudo. Não é bom nem falar nas nossas contas de telefone, pois, volta e meia, cismamos de dissecar as nossas almas em papos e discussões sobre a vida, via Embratel, como se não estivéssemos separadas por um oceano. Para mim, no entanto, tem valido a pena, pois sempre ganho, com sobra, em amadurecimento. Não teria chegado até aqui, da forma como cheguei, se não tivesse contado com o incentivo e apoio, sempre incondicionais, dela. Muito obrigada, mil vezes obrigada, Regina!

Por isso e por muito mais é que eu rendo as minhas mais sinceras homenagens a Regina, a aniversariante de hoje, pois a sua trajetória e seu exemplo pessoal devem ser conhecidos e jamais perdidos de vista.

Felicidade, sucesso, saúde, paz e muito amor é o que lhe desejo hoje e sempre! Parabéns por mais um ano de vida plena e que este novo ano que se inicia venha cheio de graça, de grana, de lutas e muitas vitórias…

Mariana Soares, advogada, mora em Brasília
Bahia em Pauta: Os que fazem BP, em especial seu editor, poderiam dizer muito mais sobre a aniversariante do dia, principalmente em agradecimento ao seu papel inteligente, leal e sempre presente desde o primeiro dia de vida deste site blog baiano antenado no mundo.Mas a síntese de Mariana é perfeita. Só pode ser completada com boa música e poesia, do jeito que a aniversariante gosta.”Vitoriosa”, de Ivan Lins, por exemplo, que dedicamos a ela como música para começar o dia.Beijos , bolo de puba e canjica.

(Vitor Hugo Soares e equipe do BP)

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