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Postado em 19-06-2010
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 19-06-2010 11:45

Saramago e Pilar Del Rio

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O jornalista Ivan de Carvalho, em seu artigo deste sábado na Tribuna da Bahia, cita duas figuras emblemáticas – o escritor e comunista ateu sem meias palavras, Jose Saramago, falecido ontem, e Marina Silva, cristã evangélica de fé também declarada, candidata do PV à presidência da República, para mais uma reflexão sobre Política x Religião, que tem sido servido na mesa dos debates da campanha presidencial.Bahia em Pauta reproduz o texto.
(VHS)
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OPINIÃO POLÍTICA

Saramago e Marina Silva 

Ivan de Carvalho 

Talvez o que de mais interessante haja neste momento na política brasileira seja como a senadora Marina Silva, candidata a presidente da República pelo Partido Verde – e, ressalto porque no caso importa dizer, cristã – respondeu a críticas que leitores do seu twitter fizeram ao que ela disse sobre o escritor português José Saramago.
Vamos aqui abrir algum e merecido espaço para Saramago. Prêmio Nobel de Literatura, comunista, portanto ateu, crítico impiedoso de toda crença espiritual, morreu ontem, aos 87 anos. Durante décadas cometeu o evidente equívoco de apoiar o regime totalitário cubano, até que mais um ato bárbaro do regime castrista fez transbordar o copo de suas decepções. Vale citar esta dolorosa confissão que fez a respeito: “Cuba não ganhou nenhuma heróica batalha fuzilando esses três homens, mas perdeu a minha confiança, destruiu as minhas esperanças e defraudou as minhas expectativas”, escreveu Saramago num artigo de opinião publicado no “El País”, com o título “Até aqui cheguei”.
E ele acrescentou que, tendo chegado “até aqui”, “de agora para a frente Cuba seguirá seu caminho”, mas ele ficaria, não a acompanharia mais. Saramago assinalou ainda no artigo que “seqüestrar um barco ou um avião (no caso, foi para fugir de Cuba) é crime severamente punível em qualquer país do mundo, mas não se condenam à morte os seqüestradores, sobretudo tendo em conta que não houve vítimas” no dito seqüestro, do qual cobrou das autoridades cubanas “provas irrefutáveis”.
Bem, mas voltando a Marina Silva, ela escreveu às 9h de ontem em seu microblog: “Morre José Saramago. O mundo perde um grande escritor e os países de língua portuguesa, o nosso primeiro Prêmio Nobel”. Abordado o assunto, vieram mensagens de seguidores do twitter criticavam a fé (ou ausência de fé) de Saramago. “Como podemos lamentar a morte de uma pessoa que blasfemou contra Deus a vida toda?”, escreveu uma das seguidoras em seu perfil. Marina replicou: “A vida é um dom dado por Deus para quem crê e para quem não crê. Louvado seja Deus”.
A candidata a presidente replicou também a outra mensagem, de um seguidor. A mensagem: “Grande escritor é muito subjetivo. Alguém que não respeita a fé alheia não é exatamente um grande escritor”. A réplica de Marina: “Mas o que aprendemos com Jesus é que temos que amar e respeitar as pessoas, mesmo as que não respeitam nossa fé”. Esse debate acabou criando certa polêmica no microblog, o que levou a assessoria de Marina a explicar – para quem não havia sido bom entendedor – que ela não estava criticando Saramago, apenas respondera a críticas que haviam sido feitas a ele.
Agora, fico imaginando como a política brasileira mudaria instantaneamente da água para o vinho, como nas bodas de Caná, se todos os agentes políticos brasileiros – no Executivo, no Legislativo, mesmo no Judiciário – passassem a pensar como pensa Marina.

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