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Posted on 19-06-2010
Filed Under (Multimídia) by vitor on 19-06-2010


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Postado diretamente da Cidade Maravilhosa, em sábado luminoso na Baia de Guanabara, o e-mail do jornalista e amigo do peito do Bahia em Pauta, Gilson Nogueira, para o editor:

“Grande Vítor, sob o azul do Rio, a caminho do Cristo Redentor, reformado, envio-lhe um abraço direto dessa terra que seduz, agora e sempre, dia e noite, como se a vida fosse só verão!”

Grande Gilson, que inveja!

Obrigado também pela garimpagem das canções com alma carioca que você nos manda como sugestão para terminar o dia no BP, acompanhada de votos de sucesso para a seleção neste domingo contra a Costa do Marfim. Façamos figa!
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BOA NOITE!!!

(Vitor Hugo Soares )

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CRÔNICA/AMORES

Revendo “Out of Africa”

Aparecida Torneros

Em época de Copa do Mundo, desde a África do Sul, busquei um filme antigo ontem. E o assisti porque precisava era mesmo disso. Da sensação de voltar no tempo, coisa que às vezes me invade como retrocesso pertinente ao sentido do tempo versus espaço, capaz de ser presente eterno na vivência emocional.

Às vezes, confesso, sei que tudo parece tão distante, inalcançável até, e me pergunto por que encontramos e descobrimos coisas e pessoas, um dia, nessa vida… Vou lembrando …

Volto aos anos 60, a menina aluna do curso ginasial que tinha um trabalho de geografia para fazer. Devia escolher um país qualquer, do mundo inteiro. Escolhi, aos 12 anos, o Senegal. Nem me perguntem porque, eu não saberia explicar.

Na classe, foi um festival de apresentações sobre França, Portugal, Inglaterra, Itália, Estados Unidos e por aí… O professor e a turma se espantaram quando mostrei o pouco que meu pai conseguiu para que eu tivesse material, correndo consulados africanos e a pequena representação diplomática do Senegal.

Eu quis entender aquele continente, ou tentar entender… afinal, dele vieram tantos brasileiros afro-descendentes, de tribos que na América se tornaram escravas. Ali, não foi difícil perceber, havia e ainda há, muita riqueza mineral, e a colonização baseada na exploração dos mais fortes sobre os mais fracos, começava a diminuir naquela década, com a independência de alguns povos e a instabilidade civil que se traduziu em guerras cruentas nos anos seguintes.

Ontem, revi esse filme antigo, sobre a África e a vida de uma dinamarquesa que para lá foi nos anos 20, interpretada pela atriz Meryl Streep, contracenando com o ator Robert Redford.

Intitulado em português como “entre dois amores” , o enredo onde me situei pelo menos há vinte anos atrás, quando vi o mesmo filme pela primeira vez. A bela e selvagem África.
Sentindo o continente negro dentro da minha alma, mais uma vez, me reportei ao Senegal, ao Kenia, a Moçambique, a Angola, a Africa do Sul, passeei nas savanas, busquei o cheiro animal do selvagem encontro da vida com a procriação…
Pude me ver projetada em algum lugar mais hospitaleiro, talvez uma cabana perdida na imensidão do mundo, onde o pôr do sol seja de um encanto tamanho que me faça reencontrar o amor, o mesmo que levo dentro de mim, onde quer que eu vá…

Sei que a gente daquele Continente fica , permanece, no meu coração, como tantas permanecem, e transcendem o tempo, transcendem a história… tudo está certo, é parte de um contexto maior, na nossa história…

Mandela e o apartheid. A alegria de fênix, daquela gente explorada, apesar de tudo, sua lição de felicidade interior, ou da busca incessante de escolher como no filme, “entre muitos amores”…

Ou se ama a vida e se luta por ela, ou se entrega os pontos e se deixa explorar pelos desbravadores que lhes levam, ou tentam usurpar, a dignidade de serem os donos da terra, os habitantes originais de lugares ricos e lindos, que pertencem a uma raça chamada humana… afinal…

No filme, revisto e revivido, redescobri a África, e sei porque a tal Copa do Mundo tão colorida e vibrante, oscila entre muitos amores, não apenas dois, mas nos milhares de amores que norteiam nacionalidade, guerra, poder, rivalidade, posse, hegemonia, multinacionalidade, exploração de minas , pedras preciosas, petróleo, num mundo ainda tão dividido, tão desigual, tão variado em camisas de times de futebol, hinos, bandeiras, apegado a fronteiras e disputas.

Aí, imaginei Lennon, claro, “Imagine”, vocês podem dizer que sou uma sonhadora, mas eu não sou a única, ainda bem… e uma taça em Copa do Mundo, ora, é o esporte, e através dele, quem sabe, asiáticos, europeus, africanos, americanos do norte, centro e sul, esta nossa gente, possa se juntar com seus milhares de amores, na verdadeira alegria que é viver e respeitar o direito dos povos de viverem, em paz e com menor sede de exploração…

Salve a África, Lennon, será que você estava também pensando naquele continente quando criou a canção? Ou terá como eu, assistido um dia, Out of África, e juntando tudo, nos legou o hino que deveria abrir e fechar todos os jogos nas Copas do Mundo, nas Olimpíadas, “can you imagine”?

Aparecida Torneros é escritora e jornalista, mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Mulher Necessária

Vitória de virada da Dinamarca contra Camarões por 2 a 1 , mais que ao próprio vencedor favoreceu a Holanda, que tornou-se a primeira seleção matematicamente classificada para a próxima fase do mundial de futebol na África do Sul.

Líder do grupo E com seis pontos, a Holanda precisa apenas empatar com Camarões na última rodada, dia 24 de junho, para garantir a liderança da chave. No outro jogo, Dinamarca e Japão disputam a segunda vaga da chave, sendo que o empate favorece a seleção asiática.

A vitória da Dinamarca foi construída com paciência e organização, mesmas qualidades apresentadas na derrota para a Holanda por 2 a 0. Fechada na defesa e veloz nos contra-golpes, a seleção européia passou o jogo todo à espera de brechas na defesa adversária. Quando conseguiu, marcou os gols da vitória.

Do outro lado, Camarões mudou radicalmente em relação à estreia, quando teve atuação apática e perdeu do Japão por 1 a 0. Mais ofensivo e melhor organizado, o time pressionou bastante a Dinamarca e até criou mais oportunidades, mas só fez um golzinho.

(Informações do IG )

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Posted on 19-06-2010
Filed Under (Newsletter) by vitor on 19-06-2010

L’Osservatore Romano , diário do Vaticano, criticou duramente neste sábado, o recém-falecido escritor português José Saramago num artigo em que o define o ganhador do Prêmio Nobel de Literatura como «populista e extremista» de ideologia anti-religiosa e marxista.

Um dia depois da morte do escritor português, o diário da Santa Sé publica um obituário intitulado «A (presumível) onipotência do narrador», assinado por Claudio Toscani.

«Foi um homem e um intelectual de nenhuma admissão metafísica, ancorado até ao final numa confiança arbitrária no materialismo histórico, aliás marxismo», lê-se no artigo.

«Colocado lucidamente entre o joio no evangélico campo de trigo, declara-se sem sono pelo pensamento das cruzadas ou da Inquisição, esquecendo a memória do ‘gulag’, das purgas, dos genocídios, dos ‘samizdat’ culturais e religiosos», acrescenta.

O texto passa em revista a produção literária do escritor português, qualificando o romance «O Evangelho Segundo Jesus Cristo» (1991) de «obra irreverente» que constitui um «desafio à memória do cristianismo».

«Relativamente à religião, atada como esteve sempre a sua mente por uma destabilizadora intenção de tornar banal o sagrado e por um materialismo libertário que quanto mais avançava nos anos mais se radicalizava, Saramago não se deixou nunca abandonar por uma incómoda simplicidade teológica», escreve Toscani.

«Um populista extremista como ele, que tomou a seu cargo o porquê do mal do mundo, deveria ter abordado em primeiro lugar o problema das erróneas estruturas humanas, das histórico-políticas às sócio-económicas, em vez de saltar para o plano metafísico», acrescenta.

O artigo afirma que Saramago não devia ter «culpado, sobretudo demasiado comodamente e longe de qualquer outra consideração, um Deus no qual nunca acreditou, através da sua onipotência, da sua onisciência, da sua oniclarividência».

(Informaçoes do portal TSF, de Lisboa)

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Saramago e Pilar Del Rio

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O jornalista Ivan de Carvalho, em seu artigo deste sábado na Tribuna da Bahia, cita duas figuras emblemáticas – o escritor e comunista ateu sem meias palavras, Jose Saramago, falecido ontem, e Marina Silva, cristã evangélica de fé também declarada, candidata do PV à presidência da República, para mais uma reflexão sobre Política x Religião, que tem sido servido na mesa dos debates da campanha presidencial.Bahia em Pauta reproduz o texto.
(VHS)
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OPINIÃO POLÍTICA

Saramago e Marina Silva 

Ivan de Carvalho 

Talvez o que de mais interessante haja neste momento na política brasileira seja como a senadora Marina Silva, candidata a presidente da República pelo Partido Verde – e, ressalto porque no caso importa dizer, cristã – respondeu a críticas que leitores do seu twitter fizeram ao que ela disse sobre o escritor português José Saramago.
Vamos aqui abrir algum e merecido espaço para Saramago. Prêmio Nobel de Literatura, comunista, portanto ateu, crítico impiedoso de toda crença espiritual, morreu ontem, aos 87 anos. Durante décadas cometeu o evidente equívoco de apoiar o regime totalitário cubano, até que mais um ato bárbaro do regime castrista fez transbordar o copo de suas decepções. Vale citar esta dolorosa confissão que fez a respeito: “Cuba não ganhou nenhuma heróica batalha fuzilando esses três homens, mas perdeu a minha confiança, destruiu as minhas esperanças e defraudou as minhas expectativas”, escreveu Saramago num artigo de opinião publicado no “El País”, com o título “Até aqui cheguei”.
E ele acrescentou que, tendo chegado “até aqui”, “de agora para a frente Cuba seguirá seu caminho”, mas ele ficaria, não a acompanharia mais. Saramago assinalou ainda no artigo que “seqüestrar um barco ou um avião (no caso, foi para fugir de Cuba) é crime severamente punível em qualquer país do mundo, mas não se condenam à morte os seqüestradores, sobretudo tendo em conta que não houve vítimas” no dito seqüestro, do qual cobrou das autoridades cubanas “provas irrefutáveis”.
Bem, mas voltando a Marina Silva, ela escreveu às 9h de ontem em seu microblog: “Morre José Saramago. O mundo perde um grande escritor e os países de língua portuguesa, o nosso primeiro Prêmio Nobel”. Abordado o assunto, vieram mensagens de seguidores do twitter criticavam a fé (ou ausência de fé) de Saramago. “Como podemos lamentar a morte de uma pessoa que blasfemou contra Deus a vida toda?”, escreveu uma das seguidoras em seu perfil. Marina replicou: “A vida é um dom dado por Deus para quem crê e para quem não crê. Louvado seja Deus”.
A candidata a presidente replicou também a outra mensagem, de um seguidor. A mensagem: “Grande escritor é muito subjetivo. Alguém que não respeita a fé alheia não é exatamente um grande escritor”. A réplica de Marina: “Mas o que aprendemos com Jesus é que temos que amar e respeitar as pessoas, mesmo as que não respeitam nossa fé”. Esse debate acabou criando certa polêmica no microblog, o que levou a assessoria de Marina a explicar – para quem não havia sido bom entendedor – que ela não estava criticando Saramago, apenas respondera a críticas que haviam sido feitas a ele.
Agora, fico imaginando como a política brasileira mudaria instantaneamente da água para o vinho, como nas bodas de Caná, se todos os agentes políticos brasileiros – no Executivo, no Legislativo, mesmo no Judiciário – passassem a pensar como pensa Marina.

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Posted on 19-06-2010
Filed Under (Artigos, Vitor) by vitor on 19-06-2010

Dilma torce pela seleção em Paris

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ARTIGO DA SEMANA

Política e brasileiros ao rolar da bola

Vitor Hugo Soares

Nada melhor que acompanhar a movimentação dos três principais candidatos à sucessão presidencial, dentro e fora do País, nestes dias de junho em que a bola rola e as paixões do mundo afloram na África do Sul, para constatar toda a verdade e atualidade da análise sobre o caráter do brasileiro, produzidas há muitas décadas em “O Vulcão e a fonte” pelo notável escritor paraibano e flamenguista doente, José Lins do Rego.

Ao autor de “Menino de Engenho” recorro nesta sexta-feira, 18, de emoções embaralhadas: primeiro, a consternação profunda do leitor compulsivo com a notícia da morte do Prêmio Nobel, autor do “Ensaio sobre a Cegueira”, o incrível português cidadão do mundo, José Saramago. Em seguida, o contentamento do torcedor fanático do futebol jogado com fôlego e classe – como gostava o notável escritor nordestino com alma de carioca -, diante da inesperada vitória da Sérvia sobre a poderosa Alemanha. Muitos dos nossos analistas já propagavam uma final quase certa do mundial entre os alemães e os até aqui indomáveis argentinos treinados por dom Diego Armando Maradona. Veremos!

Enquanto isso, é bom não esquecer de olhar para outros lados. Em um deles, no continente europeu, a petista Dilma Rousseff se mexe. Busca espaço e visibilidade interna e internacional, quando as atenções estão voltadas para a terra de Nelson Mandela. Vestida com a camisa “canarinha”, ela torce pelos comandados do gaúcho Dunga em uma casa noturna de Paris – entre conversas fechadas e imagens abertas via Jornal Nacional de beijinhos carinhosos aplicados na face do conservador presidente da França, Nicolas Sarkozy.
No Brasil, o candidato do PSDB corre com a gana do lateral Maicom na decidida tentativa para amenizar, nas próximas pesquisas de opinião, os estragos causados no eleitorado pelo programa petista que teve Lula como apresentador e a então pré-candidata Dilma no papel de coadjuvante de luxo, daquelas que no cinema ficam, no fim, com o prêmio principal.

Na quinta-feira, no programa dos tucanos no rádio e na televisão, foi o próprio candidato quem assumiu o protagonismo . Serra chamou para ele a responsabilidade do jogo político eleitoral transmitido em cadeia nacional de rádio e televisão em horário nobre. Metido na pele do “cara simples” – meio parecido com o companheiro de partido Fernando Henrique Cardoso em campanha , mas sem chegar as raias de ser filmado comendo buchada de bode no sertão baiano, como fez FHC ao lado de ACM em Nova Canudos -, o culto e sofisticado palmeirense Serra tratou de exibir a face do homem popular.
O cara de origem humilde que vence pelo trabalho duro, a aplicação no estudo, a firmeza de princípios e aplicação. O político que lidera e sabe administrar ao mesmo tempo. O líder estudantil, o exilado, a trajetória de feitos na educação e principalmente na saúde, quando comandou a pasta entre março de 1998 e fevereiro de 2002, durante o governo de Fernando Henrique. “Quando eu digo “o Brasil pode mais”, é porque pode mais. Agora, precisa fazer ele ir para frente e eu acho que eu sei. Precisa querer, precisa saber como fazer”, dispara o tucano Serra, enquanto a TV mostra imagens de feitos em São Paulo e no país, e o candidato conversa com personagens, escuta comovidos testemunhos , sentado em salas de estar das famílias , como fez há pouco tempo a concorrente Dilma.

Enquanto isso, a verde Marina Silva, indiferente ao barulho das vuvuzelas, tenta ocupar o meio de campo da campanha. Considera Dilma e Serra farinha do mesmo saco, que se esforçam , cada um de seu jeito, no cumprimento da estratégia de Lula para fazer das eleições presidenciais de 2010, um plebiscito em disputa à sua sucessão “para tudo seguir como está”. Marina lembra o sufocamento da candidatura do deputado socialista Ciro Gomes – forçado por “amigos” e “aliados”, a abandonar o campo antes do jogo começar de fato . Marina quer debate pra valer na campanha, recusa a farsa do faz de conta e da propaganda, para que o eleitor faça escolha sem dicotomias, democrática e livremente como deve ser. E assim dá fervura que esquenta o morno.

E voltamos a José Lins do Rego. Aquele que escreveu linhas antológicas sobre o caráter do brasileiro depois do fracasso da nossa seleção em pleno Maracanã, na Copa de 50, vencida pelos uruguaios. A Copa que terminou tão melancolicamente, deu ao escritor uma experiência amarga, mas ao mesmo tempo propícia para ele completar suas observações sobre o caráter do seu povo. No estádio uma multidão em aglomeração raramente vista até então. Duzentas mil pessoas comprimidas num praça de esportes, nas reações mais distintas, “ora na gritaria das ovações, no barulho das vaias, ou no angustioso silêncio da expectativa de um fracasso”
Ali estava então, segundo o autor de “Fogo Morto”, todo o povo brasileiro.”Não era o Brasil de um grupo, de uma região, de uma classe. Não. Era o Brasil em corpo inteiro. E Zé Lins, como era chamado por Graciliano, dá sua impressão sobre tudo aquilo que via, uma boa impressão. “Senti que havia povo na Nação – nova gente com capacidade de se congregar para uma causa, para uma obra, para os sofrimento de um fracasso”, diz o escritor ao mostrar o lado positivo da questão.

Mas há os outros lados. Há os nossos defeitos, nossas fraquezas , as nossas deficiências, assinala o escritor. “Sim, há o brasileiro que é um adorador da vitória, o homem que não admite fracasso. Vencesse magnificamente a nossa equipe, e tudo estaria no ápice. Subia-se a montanha de um fôlego só. Nada havia melhor do que o Brasil. Seríamos, no mínimo, os maiores do mundo. Mas, se numa luta de igual para igual, perdeu-se a batalha, como aconteceu na última partida, então já não seremos mais os maiores do mundo, passaremos a ser os piores. Cospe-se na cara dos heróis que, três dias antes, tinha-se carregado nos ombros”.

Magníficas palavras do rubronegro José Lins do Rego. Válidas tanto para o futebol como para a política no Brasil.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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