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Postado em 16-06-2010
Arquivado em (Newsletter) por vitor em 16-06-2010 23:47

(Foto: Carlos Barria/Reuters)/Público

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DEU NO “PÚBLICO”, DIÁRIO PORTUGUÊS
(Foto: Carlos Barria/Reuters)

A Espanha voltou para o divã, do qual saiu apenas momentaneamente para arrecadar o troféu de campeã da Europa em 2008 (e em 1964) para nele se recolher de seguida – agora graças à Suíça, que terminou com uma série de 12 vitórias seguidas e infligiu à seleção de Del Bosque o segundo desaire em 50 jogos. É um estado depressivo contínuo de que os espanhóis não se livram desde o dia 27 de Maio de 1934, quando na estreia das estreias derrotaram o Brasil antes deste ser Brasil. “Um pesadelo para começar”, dizia ontem o El Mundo, “Cura de humildade”, afirmava a Marca, “Espanha cai na realidade”, contava o El País. O medo da Espanha que não passa dos quartos-de-final num Mundial está de volta.

Essa vitória por 3-1, quase centenária, parece ser o mal de todos os males espanhóis. É nos dois gols de Lángara e outro de Iraragorri que pode estar o segredo para desconstruir o temor escondido – é a sexta derrota da Espanha em estreias nos Mundiais, ganhou quatro e empatou três jogos. É também na África do Sul que a selecção “Roja” se pode e deve reencontrar. Foi aqui há um ano que perdeu a última vez, para a Taça das Confederações, frente aos EUA.

A derrota da Espanha, campeã europeia, é ainda uma maldade dos deuses, que não recompensam a estética, antes preferem quem se identifica com um futebol menor, mesquinho, mas sincero no seu aspecto de vilão. A Suíça não enganou ninguém sobre as suas intenções. A “Roja” entrou em campo com o estatuto e a reputação de candidata à vitória final e saiu de Durban diminuída, despojada dos seus galões, enrolada numa manta de dúvidas, condição que sempre lhe é cara. Em meio século, os mesmos deuses consagraram o mais belo Brasil em 1970, mas destruíram-no em 1982, como desfizeram a Holanda em 1974. A Espanha hedonista sentiu o mesmo, pelo cutelo da Suíça.

A história também não está no seu lado: apenas dois dos oito últimos campeões europeus em título lograram vencer o jogo de abertura num Mundial: a França em 1986 e a Alemanha em 1998.

O bloco impôs-se ao luxo

A Espanha chutou 24 vezes ao gol da Suíça. Uma realidade diferente na área oposta, onde Iker Casillas, que carregou a braçadeira de capitão da selecção pela primeira vez, desde que estreou em Junho de 2002, em Gwangju, contra a Eslovénia. Diego Benaglio, guarda-redes que passou pelo campeonato português ao serviço do Nacional entre 2005 e 2008, teve bastante mais trabalho: oito dos chutes dos espanhóis foram ao alvo.

Casillas participa no seu terceiro Mundial, foi o seu 19.º jogo com a “Roja” num palco tão grande como um Campeonato do Mundo, ultrapassou a marca de Zubizarreta (16), mas saiu derrotado. A Suíça finalizou apenas por oito vezes, três delas foram à sua baliza: uma bola na trave e um gol de Gelson Fernandes. Aqui também houve mão do seleccionador Ottmar Hitzfeld.

A Suíça tem, finalmente, um treinador que inspira respeito. Os jogadores respeitam-no, ele que já ganhou tudo nos clubes, campeão europeu pelo Bayern e Dortmund, um feito só alcançado por José Mourinho e Ernst Happel. Chegou à África do Sul como primeiro do grupo de qualificação, é prático. “Se tem que defender bem, defende com sete, que é melhor do que com quatro”, disse na véspera o suíço Fabio Celestini.

Dito e feito. Na posse de bola, a vantagem dos espanhóis foi esmagadora, com 63 por cento contra apenas 37 dos suíços. Quase o triplo dos passes certos para a Espanha também: 527 contra 182. A Suíça movimentou-se mais para preencher os espaços criados pelo talentoso meio-campo espanhol – com Iniesta, Xavi e Xabi Alonso. De nada serviu à Espanha o talento e o luxo contra o bloco adversário.
Gelson Fernandes foi o que mais correu. Percorreu 12,4 quilómetros e foi recompensado.

“Para ser sincero, não estou habituado a marcar gols e fiquei um bocado surpreendido”, disse Fernandes. Já Villa viu Benaglio negar-lhe o gol logo aos dez minutos. Depois foi Iniesta. A barra ajudou o goleiro no chute de Xabi Alonso. “É um goleiro de classe mundial. Foi decisivo para a nossa vitória”, disse Hitzfeld. A Suíça caiu nos penáltis no último Mundial (oitavos-de-final), sofrendo apenas um gol no torneio. E leva agora 490 minutos sem sofrer gols em Mundiais.

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