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Postado em 14-06-2010
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 14-06-2010 10:45

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Nesta segunda-feira, em seu artigo da Tribuna da Bahia, o jornalista político Ivan de Carvalho comenta a notícia de que a Secretaria da Segurança Pública vai suspender até o final do ano a divulgação dos dados sobre a criminalidade na Bahia, sob a alegação de troca de programas dos computadores. Se é por isto que não se poderá informar o público, assinala o colunista, também o governo ficaria desinformado. Francamente, não dá para acreditar que a SSP vai passar o próximo semestre agindo às cegas, privada das informações mais básicas sobre a criminalidade. Seria uma espécie de Semestre das Trevas na segurança pública , diz Ivan no texto que Bahia em Pauta reproduz.
(VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

Segurança e informação

Ivan de Carvalho

Era uma vez um ministro da Fazenda chamado Rubens Ricúpero, que à época pilotava o Plano Real, nos seus primeiros meses após o início da implantação, no governo do presidente Itamar Franco. No intervalo de uma entrevista, na Rede Globo, ao repórter Carlos Monforte, início de setembro de 1994, o embaixador Ricúpero fez um comentário fatal sobre o andamento da política econômica do governo: “O que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde”.
Aconteceu que suas palavras não estavam totalmente fora do ar no intervalo comercial. Elas chegaram, por satélite, às antenas parabólicas em todo o país. O escândalo foi grande, inclusive graças aos esforços do PT, que se preparava para enfrentar uma eleição presidencial na qual se confrontariam Lula e Fernando Henrique Cardoso, este, candidato do governo e ex-ministro da Fazenda responsável pela invenção do Plano Real. Resultado: o ministro pediu demissão e Ciro Gomes renunciou ao governo do Ceará para assumir o posto.
O ministro Ricúpero não podia ter dito o que disse porque não podia ter feito o que afirmou estar fazendo: mostrando o que é bom e escondendo o que é ruim. Numa ditadura, poderia, é o modo normal de procedimento. Em Cuba, na China, na Líbia, no Sudão, Na Coréia do Norte, no Irã. Mas não numa democracia. Nesta, o que o governo faz de bom e de ruim, mais do que isto, o que acontece de bom e de ruim no país é “res publica” – coisa pública, que os cidadãos têm direito a conhecer.
Por isto é que soa tão estranha – em um país democrático e partindo de um governo cujo chefe, o governador Jaques Wagner, tem se pautado por um comportamento inegavelmente democrático – a notícia de que a Secretaria da Segurança Pública vai suspender até o final do ano a divulgação dos dados sobre a criminalidade, sob a alegação de troca de programas dos computadores. Se é por isto que não se poderá informar o público, também o governo ficaria desinformado. Francamente, não dá para acreditar que a SSP vai passar o próximo semestre agindo às cegas, privada das informações mais básicas sobre a criminalidade. Seria uma espécie de Semestre das Trevas na segurança pública.
Aí é que entra o senador César Borges, do PR e na oposição estadual, para advertir: “Não se pode brincar com a segurança das pessoas. Os dados sobre a criminalidade servem para que os agentes públicos possam atuar e ajudam os cidadãos a se proteger”. E acrescenta: “Se for verdade, ficamos sabendo que a Bahia está mergulhada no mais puro obscurantismo na área da informática em pleno século XXI”.
O senador, que desempenha o papel dele ao tempo em que também atua como o PT atuou no “caso da parabólica” do ex-ministro Ricúpero, classifica como piada a idéia de que a troca de programas dos computadores gastem seis meses (que incluem o período eleitoral). E diz ao site Política Livre que esconder os dados não vai acabar com a criminalidade, acrescentando que esconder informações é, historicamente, “prática comum nos regimes totalitários”. O deputado ACM Neto, do DEM, completa o ataque: o governo quer “esconder a realidade” e, se já havia dificuldades (que ele descreve), para obtenção desses dados, “agora, a censura é total”.
Bem, “se for verdade”, como ressalvou o senador republicano, convém que o governo resolva o problema antes que a esfinge o devore.

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Comentários

danilo on 14 junho, 2010 at 11:18 #

é bom o povo brasileiro, e tb o baiano, irem se acostumando porque a manipulação de dados e índices oficiais já estão em curso. tudo isso de crescimento chinês, niveis de emprego recorde, Brasil potência não passa de culhuda, mentiras deslavadas. vejam o exemplo do q aconteceu na Grécia quando se descobriu q estavam manipulando [favoravelmente] os índices governamentais. dizem q na Argentina já tem funcionários aparelhados pitbull pra ameaçar aqueles colegas de repartições q discordam das manipulações. no Brasil e Bahia isto já está em curso. ô povinho fulêro. viva a Copa, viva a seleção, viva Dunga, Lulla é dez. aliás Lulla é 846 por cento de aprovação popular. Brasil sil sil sil


Oriana Lopes on 14 junho, 2010 at 14:10 #

ACM tá fazendo falta à cena. Teria muito que aprender com esss turma.


marco lino on 14 junho, 2010 at 20:33 #

Irã, Irã, Irã… Nem discorrendo sobre segurança pública baiana o cidadão esquece o Irã. Também, quem manda aqueles comunas miseráveis, ditadores, comedores (antropofagia) de criancinhas, metralharem inocentes que levavam ajuda humanitária aos sitiados, sem-terra e sem nada palestinos? Já está na hora de organizarmos mais uma cruzada para enfiarmos goela abaixo daquela sub-raça nossa civilização superior, nossa democracia. Vencemos o Iraque (onde salvamos o mundo das armas de destruição em massa), venceremos tb o Irã (desta vez, da bomba atômica!). Sob a liderança do nosso grande irmão do norte, transformaremos o deserto em manaciais de água e apearemos de uma vez por todas aqueles usurpadores do poder – Canudos não resistirá ao grande Moreira César!
Comunas de todo o mundo: de nada adiantará unir-vos. Bolívia, Venezuela, Cuba, China e Irã preparem-se, pois atravessaremos o Rubicão, o Vaza-Barris, o Tigre e o Eufrates, o Jordão e o Amazonas e enforcaremos vcs, não como vcs fazem hoje com indefesos em alto mar, mas sob a égide da lei – como convém a um país civilizado e como demonstramos na condenação daquele pagão miserável manipulador de armas de destruição em massa.
Mas, mudando de pau para cacete, o nosso César tem de fato conhecimento de causa no que se refere a segurança pública. Tem comando, voz. Lembro-me dele quando governador e como enfrentou com galhardia as hordas grevistas da PM e dos assassinos que se fizeram esconder na Faculdade de Direito… Aliás, não é à toa que é César, não?!
Saudações


danilo on 14 junho, 2010 at 21:01 #

bravatas, apenas bravatas. e por que, cargas dágua, nenhuma linha sobre a matança de jovens iranianos por conta de um simples jogo de futebol? ops, é q Lulla afirmou q os protestos contra a fraude eleitoral das eleições iranianas ano passado era coisa de fanáticos por futebol. aliás, já tem gente dizendo q o PT está pronto pra fraudar as eleições de outubro. tá bom… a gente já sabe q Marco Lino vai dizer q urna eletrônica é segura… lá ele, lá ele…


Marco Lino on 14 junho, 2010 at 21:51 #

Não, meu caro, não acho que seja segura coisa nenhuma. Acho que Dilma deve colocar as “barbas de molho” (hehehe). Observe que não ficou provada a fraude – diferente do que aconteceu no coração do garantidor das liberdades do mundo (lembra do Bush?!). O fato de ter oposição, eleição, protesto, etc., em parte contradiz a fala do Carvalho…
Além do mais, meu caro, nossa democracia está matando milhões, não? Quantos morrem atualmente na Bahia (a oposição está contando os mortos, não está?)? Quantos os EUA já mataram em nome da democracia?! Só no Iraque já são mais de um milhão, não? Mais de 60.000 morrem de fome todo santo dia… são os muçulmanos que matam? É o Irã? Bravatas?!
Saudações


danilo on 15 junho, 2010 at 1:04 #

o número de mortos na América democrática e no Iraque pós-intervenção é bem menor q nas ditaduras comunistas e no Iraque de Saddam ou no Irã dos aiatolás. vc como pessoa informada e inteligente sabe disso, porém devido ao seu alinhamento ideológico com o “eixo do mal” rrss finge não saber.

a não ser q vc considere heróis anti-imperialistas figuras como o Unabomber e aqueles fanáticos ianques q saem disparando tiros contra gente inocente.

nas democracias, meu caro, vc deve estar barbudinho de saber que aos cidadãos é dado o direito de discordar do regime sem a devida reação do porrete da polícia política a serviço do estado, sem o confinamento das prisões da consciência, nem à guilhotina dos julgamentos sumários.

ou você acredita mesmo q um dissidente norteamericano é tratado de forma semelhante a um dissidente cubano ou iraniano ou líbio?

e por falar em dissidente, o q vc está achando da greve de fome daquele lider rural maranhense de 75 anos q está se posicionando contra a alliança PT-Lulla-Sarney? vc apóia Sarney em nome da revolução lullista-bolivariana, meu caro Marco Lino???


Marco Lino on 15 junho, 2010 at 9:00 #

Caríssimo,
bravata é falar em “revolução lullista-bolivariana”, não? O suicídio já foi desnudado por Durkheim. Normal. Anormal é um cidadão ser altruísta ao ponto de achar que sua morte irá jogar algum perfume na nossa fétida política. Lamentável que pessoas ainda pensem assim tão puramente nesse ambiente de desgraça total em que vivemos. Morrerá (tomara que não, que o juízo chegue antes) e seus inimigos permanecerão vivos. Melhor é viver e fazer o possível. Opção menos traumátima tomou H.H. que, por não entender ou aceitar a “realpolitk” petista no poder, saiu do barco e foi fazer campanha para Alckimin. Paciência. Elegeu Collor senador, mas está viva.
Dissidente norteamericano? Depende, pois há duas categorias: com e sem direitos… comecemos por Guantánamo?
Unabomber e atiradores de escolas são herois deles que, em sua sociedade doentia, pariram esses doentes.
Discutir quem matou mais seria bobagem nossa, mesmo porque não estamos com números. O grande problema é: por que o nosso grande guardião, modelo de democracia ocidental, garantidor de direitos e liberdades, defensor dos oprimidos americanos, calcado numa grande mentira invade um país soberano e desarmado, mata sua gente e passa o controle de sua maior riqueza à empresas que financiaram a campanha? E por que desgraça eu tenho que apoiar isso?
Está sendo formada agora uma outra campanha nos mesmos moldes da anterior (só muda o argumento) com o fim de desancar o Irã.. e nossos colunistas (porta-vozes das elites) de que lado estão? Da paz? Da soberania dos povos? Das liberdades individuais?!
Dias antes de os EUA invadirem o Iraque o Boris Casoy, do alto de sua vassoura (microfone), vociferou: “só um ingênuo acredita que no Iraque não há armas de destruição em massas”… E depois, José? Ao menos aos garis, mesmo constrangido, pediu desculpas.
É triste o papel dessa classe média que tem a obrigação de legitimar tanta desgraça para continuar classe média. Prefiro ser professor de escola pública.
Saudações, meu caro.


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