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Postado em 14-06-2010
Arquivado em (Newsletter) por vitor em 14-06-2010 13:10

Homofobia na TV em livro

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Deu no site MUNDOMAIS

Valmir Costa

SÃO PAULO – Quando um grupo de militantes LGBT se revoltou com a presença dos repórteres Carioca e Cezar Polvilho do programa humorístico Pânico na TV, durante a 1ª Marcha Nacional contra a Homofobia, realizada em Brasília, no dia 19 de maio, tinha certeza do que o livro A TV no Armário: a identidade gay nos programas e telejornais brasileiros disseca: a homofobia da programação da televisão brasileira.

Lançado na semana passada, o livro, de autoria do jornalista e mestre em comunicação Irineu Ramos Ribeiro, aprofunda a discussão do tema muito além do que os olhos dos espectadores veem diante da TV. Inclusive, os homossexuais que acreditam que os programas de humor não são discriminatórios, ou seja, acreditam que a telenovela mostra o gay de forma a dar visibilidade e os telejornais cumprem a sua função quando mostram os homossexuais.

A discussão de Irineu Ramos pauta-se na obra Queer Theory [Teoria Queer], do francês Michel Foucault (1926-1984), ainda não traduzida para o português. Com a Teoria Queer – que trata de estudos sobre homossexualidade nos campos da cultura, sexualidade, ciências sociais e humanas, filosofia, literatura, artes, entre outras áreas – o autor mostra a TV como um “aparelho ideológico” muito além da sua função de entretenimento e informação.

Primeiras páginas – Para respaldar sua análise, Ribeiro discorre teoricamente nos dois primeiros capítulos do livro – “Limiar dos Gêneros” e “O Arco-íris nas Ruas” – as construções de gênero e a visibilidade homossexual, que foi utilizada muito mais pensada no consumo do “dinheiro cor-de-rosa” do que na aquisição de direitos e respeito aos LGBT brasileiros.
Por conta da audiência e da lucratividade em torno dos homossexuais, o autor se debruça nas “Relações de Poder da Mídia Televisiva” no terceiro capítulo. Além da audiência e a relação da cobertura dos telejornais da Parada do Orgulho Gay de São Paulo, Ribeiro avalia a postura dos canais de TV.

São analisadas a Rede Globo, Globonews, SBT, Rede TV!, Band, Bandnews, Rede Mulher e TV Gazeta de São Paulo. Já na parte de entretenimento, focaliza sua analise na edição gay do programa Beija Sapo (MTV), o último capítulo da novela América (Globo) e os programas Sob Nova Direção e Zorra Total da mesma emissora. A partir daí, Ribeiro aponta uma visão heteronormativa dos canais de TV, “pouco condizente com a complexidade existente nos seres humanos”.
Forma jocosa – A partir do programa A Tarde é Sua, apresentado por Clodovil Hernandez (1937-2009), perpassando pelas “inocentes” piadas do Louro José no programa Mais Você, apresentado por Ana Maria Braga, Irineu Ribeiro constata que, em geral, “o gay é tratado de forma pejorativa e lembrado com linguajar jocoso”, escreve.
O período da análise do autor limita-se a 2008 e 2009. Por isso, ficam de fora outros programas mais atuais como o CQC (Custe o Que Custar) da Band. Basta salientar a cobertura da 14ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, no último domingo, 06, quando o repórter Danilo Gentili tratou os LGBT da forma mais jocosa e hostil do autoproclamado “humor inteligente” do programa. É, a TV precisa ler o livro de Ribeiro para ver se – realmente – sai do armário da jocosidade.

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