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Postado em 12-06-2010
Arquivado em (Multimídia) por vitor em 12-06-2010 00:40


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BOA NOITE!!!

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 12 junho, 2010 at 5:59 #

Caro VHS

Esse blogueiro de vagas horas, cada dia mais “abespinhado”, ainda encontra luares na escuridão.

Lembro aqui, que ao ouvir Irene Ravache, entrevistada por Anchieta Filho, na Jovem Pan, tendo como tema a morte de Fernando Torres, comentei:

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“Fernando Torres, sobre quem, muitos, e com autoridade, falarão, significa para este espectador a perfeita tradução do tão falado “timing” em teatro.

A capacidade de recepcionar as emoções intensas, as vezes até não domadas de quem com ele contracenava, transformando silêncios em grandiosidade, apontavam sempre para algo além do próprio ator, para algo que só alguns, e raros diretores possuem, ou seja, a generosidade para com o outro. Ouso afirmar que Fernanda Montenegro encontrou no sorriso de Fernando Torres o “habitat” de sua arte.

Caro Anchieta, como pode perceber, esse desabafo, não se afasta do momento delicado que trilhamos, posto que, é exatamente no olhar, no observar, e sobretudo no compreender, que poderemos encontrar remédios para tanta insensatez.”
……………………………………………………….

Hoje, ao ler Fernanda Torres, na Folha de São Paulo, renovo esse entendimento. O olhar generoso de Fernando torres permanece.

Aqui o texto de Fernanda Torres, lançando luzes que fogem dos articulistas políticos de plantão:

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FERNANDA TORRES

Humpty Dumpty

As verdades irrefutáveis da corrida eleitoral dependem de quem estará no poder

HUMPTY DUMPTY era o nome que se dava às pessoas baixinhas e gordinhas na antiga Inglaterra. Por seu formato bojudo, assim foi batizado um canhão posto no alto das muralhas de Colchester, ao lado da igreja de Saint Mary, para defender a cidade do cerco dos parlamentaristas na guerra civil de 1642.
A artilharia inimiga atingiu em cheio a igreja, reduto dos pró-realeza, e…
“Humpty Dumpty na muralha sentou:
Humpty Dumpty lá de cima despencou
E nem todos os homens do rei a cavalo
Puderam de novo lá para cima levá-lo.”
Séculos depois, Lewis Carrol imortalizaria a expressão na figura de um ovo pernóstico sentado no alto de uma muralha em “Alice Através do Espelho”. Embora a simbologia de Carrol signifique outra coisa, a imagem de um ovo frágil e cheio de si, aboletado no alto de um paredão, me faz lembrar dos perigos de ficar em cima do muro, ou não tomar partido.
Sou vira-casaca por natureza. Nasci em berço Fluminense, mas um namorado me convenceu a virar Flamengo usando o argumento pesado de que o Fluminense era um time racista. Mais tarde, me casei e tive filhos tricolores. Hoje, torço pelos dois e por nenhum, sou o que de mais vil existe no esporte: o vira-casaca. A rivalidade competitiva nunca foi o meu forte.
A política é um sistema complexo sujeito tanto às grandes intempéries da história quanto às vaidades pessoais mais mesquinhas, formado por alianças e punhaladas pelas costas. Ciro Gomes que o diga.
Mas a corrida eleitoral, tão brutal quando uma final de Corinthians e Palmeiras, não comporta meios termos.
Jamais afirmei minhas convicções partidárias em público porque não acredito que um ator saiba do que está realmente falando quando o assunto é política.
Minto: Apoiei Fernando Gabeira na última eleição para a Prefeitura do Rio. Mas confesso que sua atual aliança com o DEM na Guanabara tenha me deixado com a sensação de “até tu, Brutus?!”
A popularidade às vezes cria a ilusão de que a sua opinião é importante, mas acredito que um ator saiba tanto o que está falando em política quanto um torneiro mecânico ou um advogado. E desconfio que nenhum desses profissionais entenda o que de concreto move a política.
Eu já dei provas contundentes das minhas limitações e volubilidade. Votei em Brizola e me arrependi. Votei em Lula no primeiro turno de 2002, porque achei que era a hora dele, e em Serra, no segundo, para equilibrar a balança. Diante de tanta incoerência, minha e dos que estão em volta, como tomar posições?
Sou um ovo instável no alto de uma montanha carioca. Ingênua, ou estúpida, demais para afirmar o que penso e receosa de servir de massa de manobra para interesses escusos. Um ser dispensável, desprezível e detestável para qualquer corrente de pensamento.
Pessoas como eu, incapazes de defender com convicção o que é melhor para o povo, para o Brasil e para si mesmas, são a escória da covardia humana. Mereceriam a guilhotina na Revolução Francesa e o paredón, na Cubana.
Os dossiês, boatos de internet e acusações mútuas de patifaria, ladroagem e traição me causam estupefação. Todos convictos de que o outro deseja o poder para enriquecer e se vingar dos que não o apoiaram.
Tudo calúnia e verdade. Para agravar, faço parte de um setor doente da nação. A cultura, cada vez mais dependente de verbas públicas para sobreviver. Sou tão tutelada quanto uma criança ou um índio. Que partido posso tomar?
O capítulo dedicado a Humpty Dumpty em “Alice” é também uma alegoria para o surgimento da concepção axiomatista, aquela que aceita a hipótese não comprovada como base de um raciocínio formal. Esse é o campo da arte, de Carrol, esse é o meu campo: o da fugidia subjetividade.
Me parece que as verdades irrefutáveis da corrida eleitoral dependem mesmo é de quem estará no poder.
“Não sei o que quer dizer com “glória'”, disse Alice.
Humpty Dumpty sorriu, desdenhoso. “Claro que não sabe… Até que eu te diga. Quer dizer “um argumento belo e demolidor!'”
“Mas glória não significa “um argumento belo e demolidor'”, Alice objetou.
“Quando eu uso uma palavra”, disse Humpty Dumpty num tom bastante desdenhoso, “ela significa exatamente o que quero que signifique, nem mais nem menos”.
“A questão é”, disse Alice, “se você pode fazer as palavras significarem tantas coisas diferentes”.”
“A questão”, disse Humpty Dumpty, “é saber quem vai mandar, só isso”.

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Beleza pura!

Tim tim!


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