jun
11

Lula com Wagner: sinalizações na chegada

========================================

ARTIGO DA SEMANA

NUNCA ANTES NA HISTÓRIA…

Vitor Hugo Soares

Até onde a memória e a vista alcançam, salvo por um improvável equívoco histórico referente a passado bem mais remoto, é possível dizer ao estilo do atual ocupante do Palácio do Planalto em trajetória de despedida: nunca, na história deste País, um presidente pisou tanto o solo da Bahia, no exercício do poder, quanto o atual.

Na última quinta-feira, em plena fase de preparativos e mobilização para a convenção nacional do PSDB que vai homologar, neste fim de semana, o nome de José Serra como candidato à presidência da República nas eleições de outubro, eis que Luis Inácio Lula da Silva, em novo périplo pelo Nordeste, desceu do avião em sua quase improvisada trigésima visita ao estado.

“Amaldiçoado quem pensar mal dessas coisas”, diriam os elegantes pensadores franceses sobre seus políticos e governantes de antigamente. O certo é que tucanos e democratas no Brasil atual não encontram motivos para tanta amabilidade. Principalmente aqueles que viram as imagens de Lula descendo a escada do avião abraçado com o governador petista Jaques Wagner, pré-candidato a permanecer no Palácio de Ondina por mais quatro anos.

Ainda mais quando o desembarque e o apoio presidencial explícito acontecem no momento em que os adeptos do DEM igualmente preparam faixas, coloridas bandeirolas juninas e enchem balões de gás. Motivo: uma festiva convenção estadual homologará também, neste fim de semana, a escolha do ex-governador Paulo Souto – em franca subida nas pesquisas mais recentes – , candidato do carlismo e do tucanato baianos para tentar barrar o sonho petista de manter Wagner no comando do governo e da política estaduais.

Desta vez uma surpresa (ou não?), na visita do presidente ao centro histórico da cidade, tombado pela Unesco como Patrimônio da Humanidade. Antigo diamante da coroa do carlismo, o Pelourinho é motivo de bafafá cultural e de severas críticas administrativas aos governos de Lula e de Wagner, em razão do abandono que a área amarga atualmente. Uma das mais demolidoras e recentes partiu de Caetano Veloso, no seu texto de estréia como cronista do jornal O Globo, em maio passado.

Quinta –feira, “carregando um saco de bondades”, como ironizou um jornal local, Lula precisou dividir o foco de interesse e de atenção dos soteropolitanos com as imagens que chegavam direto da África do Sul, na transmissão do show de pré-abertura da Copa. O bispo anglicano e Nobel da Paz, Desmond Tuto, fazia a vibrante saudação aos visitantes dos países da Copa e ao líder revolucionário Nelson Mandela – que Lula comparou à pré-candidata Dilma Rousseff em recente e ainda polêmico programa de propaganda política na televisão.

Sem a famosa batina, vestido de torcedor dos Bafana Bafana, Tutu em sua fala mexia com as emoções do povo do Pelô – área onde há décadas o bispo fizera empolgante pregação pela paz, solidariedade entre os povos e contra o racismo em seu país. O ato político, social e religioso terminou com a multidão presente cantando em coro a magnífica “Oração pela libertação da África do Sul”, de Gilberto Gil.

Aparentemente, sem se importar muito com a concorrência e sem reclamar do bispo, Lula abriu o seu “pacote” para a Bahia na Praça Municipal, acompanhado do aliado Jaques Wagner, certo da audiência política na terra onde tem obtido os mais acachapantes índices de votos nas mais recentes eleições que disputou, e onde seu governo segue superando a barreira dos 80% de aprovação nas pesquisas de opinião.

Não perdeu a viagem. Aproveitou a assinatura de convênios e anunciou recursos já liberados – outros em promessas – destinados à obras de restauração no combalido Pelourinho, para dar o recado político nesta nova e meteórica visita, às vésperas do candidato José Serra desembarcar para festa nacional dos tucanos, extensivo aos ouvidos sensíveis dos carlistas do DEM em preparativos, também, para a festa em torno de Paulo Souto.

“Não vamos recuperar (o Pelourinho), tocando de lá os pobres. Vamos recuperar junto com eles. Não é para tirar o pobre e mandar para 300 quilômetros de distância e colocar lá (na área histórica tombada e restaurada) o escritório de alguma pessoa rica”, disse Lula; mexendo em calos do DEM da Bahia.

Na despedida do público que o aplaudia na praça, mais uma demonstração da intimidade com o estilo baiano de fazer política, desta vez envolvendo a figura da primeira dama, Maria Letícia: ”Tenho que ir embora para Brasília, pois tenho uma galega lá me esperando, e ela é brava, já telefonou três vezes aqui para mim.

Antonio Carlos Magalhães não faria melhor. Mas, quem sabe, neste fim de semana Serra e Paulo Souto consigam.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares@terra.com.br

DEU NO TERRA-ELEIÇÕES 2010

Davi Lemos

Direto de Brasília

O presidenciável tucano José Serra chega à Bahia neste sábado (12) com uma base local em pé de guerra e contando com menos um partido na base de apoio à sua candidatura no estado. Deputados estaduais do DEM continuam lançando “fogo amigo” aos tucanos, e o PTN confirmou que estará fora da coligação demo-tucana, após manifestação, pelo presidente estadual do PSDB, Antônio Imbassahy, de não querer coligar com o partido presidido pelo deputado estadual João Carlos Bacelar (PTN).

Os tucanos disputarão ainda espaço com cem mil evangélicos que realizarão, no mesmo dia, uma Marcha para Jesus, que passará, com 14 trios elétricos pela Avenida Oceânica, onde fica localizado o Clube Espanhol, espaço escolhido para a convenção nacional tucana. Antônio Imbassahy disse ter ficado mais tranquilo após saber que a manifestação dos evangélicos ocorrerá à tarde, após o evento de lançamento da candidatura de Serra. Se tivessem escolhido o domingo (13), a convenção tucana coincidiria com a Marcha da Maconha.

O deputado estadual Carlos Gaban (DEM) afirmou que o comando do PSDB da Bahia “pensa pequeno” ao defender a postura de não coligar com o DEM e o PTN nas eleições para a Assembleia Legislativa da Bahia.

“O homem que comanda o PSDB baiano, o deputado federal Jutahy Júnior, está prejudicando o candidato à presidência José Serra, pois perde aliados com essa postura individualista e mesquinha de não querer coligar com os aliados”, afirmou o DEM.

Para Gaban, a postura de Jutahy é egoísta. “Por isso o PSDB da Bahia é pequeno. Só tem dois federais e um estadual. O PSDB da Bahia tem de pensar grande, tem de pensar em eleger Serra. Para eleger Serra, os tucanos baianos precisam do DEM, que tem 12 deputados estaduais. Mas eles só querem o bônus da aliança, deixando o ônus só com o nosso partido. Isso não é aliança. Isso não é tratamento de aliado”, declarou Gaban.

Sem polêmica
O presidente do PSDB, Antônio Imbassahy, não alimentou a polêmica, afirmando que nada disso alterará o clima da convenção nacional tucana. Ele já estima que o público presente deva ser maior que os seis mil inicialmente programados. “A mobilização é muito grande”, comemorou.

A reportagem de Terra também procurou o deputado federal Jutahy Júnior para comentar as declarações de Gaban, mas o parlamentar não foi encontrado ao telefone nem seu em gabinete, na Câmara Federal. Um dos poucos tucanos a comentar o fato, reservadamente, avaliou que a postura de Gaban é de quem está com medo de não se reeleger.

O secretário-geral do PTN, Alex Lima, confirmou que os representantes do partido não estarão na convenção de Serra. O mais provável é que o partido se coligue nas proporcionais com o PMDB e apoie Geddel Vieira Lima. O deputado Carlos Gaban lamentou: “Estamos perdendo um potencial aliado, um partido que tem representação na capital e no interior. Isso por conta do comportamento individualista do PSDB baiano”.

LEIA MAIS EM TERRA-ELEIÇÕES 2010:
http://noticias.terra.com.br/eleicoes/2010/noticias/

jun
11
Posted on 11-06-2010
Filed Under (Newsletter) by vitor on 11-06-2010

DEU NO IG:

Diante de 84.490 torcedores, os anfitriões sul-africanos foram pressionados no primeiro tempo, saíram na frente no segundo, mas conseguiram apenas um empate em sua estreia na Copa do Mundo de 2010. Nesta sexta-feira, no estádio Soccer City, em Joanesburgo, a seleção da África do Sul ficou no 1 a 1 com o México, com gols marcados por Tshabalala e Rafa Márquez.

Dessa forma, as duas seleções somam apenas um ponto na classificação do grupo A do Mundial. França e Uruguai, as outras duas seleções da chave, se enfrentam a partir das 15h30, com acompanhamento em tempo real do iG.

O jogo marcou um recorde pessoal para o brasileiro Carlos Alberto Parreira, que passou a ser o único técnico a dirigir seleções em seis Copas do Mundo, superando Bora Milutinovic, com quem estava empatado. Parreira já tinha estado no comando do Brasil duas vezes (1994 e 2006), do Kuwait (1982), dos Emirados Árabes (1990) e da Arábia Saudita (1998)

Apesar de atingir a marca pessoal, o resultado decepciona o treinador brasileiro, que afirmara, na véspera de enfrentar o México, que em caso de vitória na estreia ninguém seguraria a África do Sul nesta Copa.

O primeiro tempo foi de incontestável superioridade dos mexicanos, que fizeram a torcida sul-africana prender a respiração e os sopros nas Vuvuzelas desde os minutos iniciais, quando Giovani dos Santos, o melhor em campo na primeira etapa, quase marcou.

jun
11
Posted on 11-06-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 11-06-2010

OPINIÃO POLÍTICA

O presidente e sua colheita

Ivan de Carvalho

O presidente Lula, que ontem esteve na Bahia, está colhendo insucessos em sua política externa.
Foi um tiro no pé sua associação com a Turquia para chegar a um acordo com o Irã sobre o programa nuclear deste país, evitando as sanções do Conselho de Segurança das Nações Unidas. As sanções foram aprovadas de qualquer maneira, com os votos contrários de Brasil e Turquia apenas.
Todo esse episódio, no que diz respeito ao Brasil, serviu para duas coisas: provocar orgasmos ideológicos em alguns setores das esquerdas brasileiras, que paradoxalmente vêm a ditadura teocrática iraniana como um “avanço”; e trancar de vez e por bastante tempo a porta para a realização do sonho do governo brasileiro de o país entrar no Conselho de Segurança como membro permanente. Os cinco atuais membros permanentes têm direito a veto em qualquer decisão do CS. Na verdade, o Brasil acabou caindo no ridículo e se desgastou fortemente.
Outro insucesso externo está ainda para se materializar. O Brasil deu um passo em falso em Honduras, ao conspirar com o governo venezuelano de Hugo Chávez para introduzir no país e abrigar na embaixada brasileira um presidente que fora eleito, mas depois destituído por tentar, contra a Constituição e passando por cima de decisão da Corte Suprema, realizar um plebiscito inconstitucional e proibido pelo tribunal para candidatar-se a um terceiro mandato. Em Honduras deu tudo errado. E continua dando: a OEA começa a estudar a readmissão de Honduras na entidade e não é uma premissa a exigência brasileira de que o ex-presidente, deportado, retorne ao país.
Mas na frente interna as coisas parecem ir bem. Parecem, pois as aparências às vezes enganam. E nem tudo é o que parece. Lula e seu governo seguem com aprovação impressionante. E a crise econômica e financeira mundial aqui foi apenas a “marolinha” prevista pelo presidente. Tanto que o Produto Interno Bruto (PIB) teve no primeiro trimestre do ano um crescimento de nove por cento sobre o mesmo período de 2009. Em comparação com o último trimestre do ano passado, o crescimento foi de 2,7%. Parece impressionante, um crescimento “chinês”. Mas é?
Talvez não. A economia brasileira, com toda essa aceleração de crescimento, conseguiu apenas voltar aproximadamente ao nível anterior à “marolinha”. O que está a mostrar que, na verdade, não houve apenas uma marolinha, mas um modesto tsunami. Ainda bem que foi modesto (pois desde a implantação do Plano Real estamos fazendo o chamado “dever de casa), notoriamente ao contrário do presidente, que vestiu o figurino de um astro global, mesmo já sendo o “ex-cara”. Quem tiver alguma dúvida, pode perguntar a Obama.
Então, voltando ao PIB, não crescemos, apenas recuperamos as perdas causadas pela crise internacional. E como recuperamos, para não correr o risco de continuar crescendo em “excesso”, o governo (Banco Central e Copom) aumentou os juros básicos de 9,50% para 10,25%. Foi, pelo menos, a explicação oficial.
Mas há controvérsias. Sustentam uns que os juros foram aumentados para atender ao tal “Consenso de Washington”. Outros cravam firme na teoria de que o aumento dos juros é para garantir remuneração que assegure o capital especulativo necessário para a rolagem da já impagável dívida pública.

  • Arquivos

  • junho 2010
    S T Q Q S S D
    « maio   jul »
     123456
    78910111213
    14151617181920
    21222324252627
    282930