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Postado em 04-06-2010
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 04-06-2010 09:39


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Em seu artigo desta sexta-feira, na Tribuna da Bahia, o colunista político Ivan de Carvalho comenta a entrevista à revista digital Terra Magazine, da professora Maria da Dores Campos Machado, da Universidade Federal do Rio de Janeiro , especialista em voto e religião, julga preocupante que não existam regras sobre promoção de candidatos nas igrejas e defende um controle sobre as mensagens passadas aos fiéis pelos sacerdotes.
Para o jornalista, aí começa o ataque à liberdade religiosa no Brasil e a entrevista pode se tornar um marco histórico, caso a tese prospere. Quem iria controlar? Pergunta Ivan no texto que Bahia em Pauta reproduz.

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OPINIÃO POLÍTICA
Religião e política
iVAN DE cARVALHO

(VHS)

Ivan de Carvalho
O dia de Corpus Christi, ontem, suscitou na mídia brasileira uma temática que mistura religião e política. Não é uma coisa despropositada. Quando Pilatos advertiu Jesus de que tinha poderes para mandar crucificá-lo, ouviu uma resposta que lhe terá soado surpreendente: “Nenhum poder tens sobre mim, senão o que te foi dado do Alto”. Estava aí posta pelo fundador do cristianismo uma relação entre a realidade espiritual e a política.
Mas o próprio Jesus recomendara antes uma certa separação – coisa que a ditadura teocrática iraniana, tão amada pelo governo brasileiro, não faz – quando lhe foi perguntado se os tributos a Roma deviam ser pagos. Ele pediu uma moeda e, ao indagar e ouvir que era do imperador romano (César Tibério) a efígie que estava nela, recomendou: “Daí a César o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus”.
No entanto, houve também a recomendação para que seus seguidores se aproximassem (também) dos governantes, de modo a falar-lhes e convencê-los a comportamento compatível que os ensinamentos de Jesus, recomendação que foi adiante seguida de ressalva no diálogo entre Pilatos e Jesus, no qual este último afirmou, inquirido se era o “rei dos judeus”, que “meu reino não é deste mundo”. Mais adiante, no entanto, já ressurreto, ele anunciou aos discípulos: “Me foi dado todo o poder nos céus e na Terra”.
É normal que os candidatos a presidente busquem a simpatia dos espiritualistas, assim como dos ateus. Também é normal que procurem atrair o apoio de denominações religiosas específicas, mas não é correto que, caso seja algum deles ou delas ateu ou atéia, tente passar aos eleitores católicos, evangélicos ou de qualquer

É exigível a quem se candidata a presidente da República que não minta, não engane o eleitorado, não ponha disfarces e máscaras sobre suas posições, inclusive sobre espiritualidade, religião e temas correlatos, como é o do aborto e vários outros. É exigível que não fale por meias palavras, ou enrolando a língua para enrolar as pessoas, pois não é exigível que em um país de nível educacional tão baixo quanto o Brasil todos os eleitores sejam bons entendedores, para os quais meia palavra basta. É exigível, em nome da cidadania e da verdade, bem como do caráter de futuro presidente, que os candidatos a tão alto cargo não se aproveitem da educação que seus antecessores não asseguraram a uma grande parte do eleitorado para enganá-la.
Em tempo: em entrevista ao Terra Magazine, a professora Maria da Dores Campos Machado, da Universidade Federal do Rio de Janeiro e especialista em voto e religião, julga preocupante que não existam regras sobre promoção de candidatos nas igrejas. E defende um controle sobre as mensagens passadas aos fiéis pelos sacerdotes. Pronto. Aí começa o ataque à liberdade religiosa no Brasil. Esta entrevista pode se tornar um marco histórico, caso a tese prospere. Quem iria controlar? O Congresso com suas leis e a Justiça Eleitoral. O Estado, portanto. Ora, assim vai-se dar a César o que é de Deus.

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Comentários

Marco Lino on 4 junho, 2010 at 10:10 #

Irã, Irã, Irã, e nenhuma palavrinha sobre Israel. Isto que é isenção!
Por falar em candidata mentirosa, que tal Serra falar sobre as ligações da filha com o olherudo baiano, príncipe das privatizações da era FHC-Serra? Nadinha?!
Saudações


Marco Lino on 4 junho, 2010 at 10:11 #

“orelhudo”, claro!


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