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Postado em 02-06-2010
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 02-06-2010 01:59


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“No momento é o caos”. Isto sim diz respeito à situação presente na Bahia quanto ao aspecto da segurança pública, afirma o jornalista político Ivan de Carvalho, no artigo que assina nesta terça-feira em sua coluna na Tribuna da Bahia e que Bahia em Pauta reproduz.
(VHS)

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Não vi ninguém de burka

Ivan de Carvalho

“No princípio era o caos”. Mas isso diz respeito ao princípio do Universo, quando a matéria não havia ainda saído de seu estado indiferenciado e começado a percorrer o caminho que levaria ao que está aí hoje e a tanto mais que estará amanhã e que não temos condições de prever, salvo se recorrermos a algumas “lendas” e “mitos” que a academia científica cisma em manter na lata de lixo do conhecimento, ao invés de procurar entender.
“No momento é o caos”. Isto sim diz respeito à situação presente na Bahia quanto ao aspecto da segurança pública. E têm todos a condição de prever que, se medidas amplas e enérgicas não forem adotadas com urgência e ampla coordenação entre as esferas de poder, incluída nelas o caos aumentará, ainda que isto pareça um paradoxo.
Mas o paradoxo é só aparente. Vejamos. Há algum tempo atrás a população da capital e algumas outras áreas da região metropolitana de Salvador compreendeu que se tornara um risco utilizar os caixas eletrônicos bancários espalhados nas ruas, proximidades de shoppings-centers e lugares semelhantes. O risco era bastante grave para levar os bancos (não só na Bahia, mas em todo o país) a limitar a quantia quase irrelevante, a partir das 22 horas, o valor dos saques permitidos.
Esta precaução, no entanto, revelou-se um paliativo de eficácia mínima, pois os assaltos a clientes de bancos nesses caixas podiam ser feitos antes desse horário. O cliente seria assaltado depois ou já faria o saque sob ameaça, inclusive na situação conhecida como “seqüestro relâmpago”.
Então, os clientes passaram a preferir fazer seus saques diretamente nas agências bancárias, nos guichês ou nos caixas eletrônicos instalados no interior das agências. Isto, gradual, mas rapidamente, está multiplicando o número de crimes abrigados sob a denominação de “saidinha bancária”, que o leitor, por já saber, me poupará explicar do que se trata.
Claro que qualquer desses crimes mencionados implica em risco para a vida ou risco de morte da vítima, pois tem muito assaltante matando sem nenhuma razão. E para eles é razão fortíssima qualquer movimento que considerem “suspeito” – por mais pacífico que realmente seja.
Impulsionado por essa insegurança coletiva e preocupado em por obstáculos ao crime da “saidinha bancária”, o deputado democrata Clóvis Ferraz, ex-presidente da Assembléia Legislativa, apresentou projeto de lei que proíbe, no território do Estado da Bahia, o ingresso, nas agências bancárias, de pessoas com aparelhos de telefonia móvel ou outros equipamentos de comunicação à distância, assim como de pessoas com óculos escuros, chapéu ou boné. Ele espera que a proibição dessas indumentárias e adereços facilite o reconhecimento dos bandidos pela polícia, com base nas imagens de câmaras espiãs e eventualmente de testemunhas.
O deputado deixou de incluir no rol das coisas proibidas as máscaras, mas não sei se isto ocorreu por esquecimento ou por presumir que pessoas mascaradas sejam naturalmente barradas, mesmo que isto não conste em lei – obviamente ressalvada a hipótese de essas pessoas portadoras de máscaras renderem os seguranças do banco antes de entrarem.
Ah, acho que a proibição da burka também não foi proposta. Mas, por enquanto, ainda não vi ninguém de burka na Bahia. Contudo, com esse amor roxo entre Lula e Ahmadinejad, os assaltantes podem ser estimulados a usar o estratagema.

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