maio
23


DEU NA FOLHA DE S. PAULO , EDIÇÃO DESTE DOMINGO, 23, QUE ASSINALA A APRESENTAÇÃO NAS BANCAS DO MODELO DE “JORNAL DO FUTURO” DO DIÁRIO PAULISTA DE CIRCULAÇÃO NACIONAL.

===============================================

“Verdes bárbaros

Desiludidos com o PT , Caetano, Gil e Bethânia aderem a Marina Silva; senadora vira o xodó dos artistas

BERNARDO MELLO FRANCO
DE SÃO PAULO

Porta-voz de temas da moda, como o ambientalismo e o consumo consciente, a senadora Marina Silva (PV-AC) virou a queridinha dos artistas na corrida presidencial.
Ela tem atraído a adesão de estrelas desiludidas com o PT, que não se animam a votar na candidata do presidente Lula, Dilma Rousseff, e rejeitam o PSDB de José Serra.

O movimento, espontâneo, é encabeçado pelos doces bárbaros Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethânia. Em 2002, todos apoiaram Lula contra Serra. Oito anos depois, decidiram “marinar”.
“Marina é novidade com beleza. É disso que artistas gostam”, diz Caetano. “Não dá para ver uma mulher tão elegante, coerente, sincera e honesta e não querer dar-lhe o cargo mais alto”.

Depois de definir a senadora como uma mistura de Lula e Barack Obama, o cantor diz que ela representa a “continuação do amadurecimento político brasileiro”, um passo além de Lula e Fernando Henrique Cardoso.
“Votar em Dilma por lulismo é regressão. Votar em Serra pode representar apreço pela alternância do poder, mas é não querer sair do elenco já dado”, justifica.
Ministro da Cultura de Lula por cinco anos e meio, Gil foi a estrela da festa de lançamento da pré-campanha de Marina, domingo passado.
Cantou, chamou a senadora de “cabocla decidida e dedicada” e afirmou que ela encarna a “dimensão espiritual profunda do nosso povo”. “Meu coração pediu assim”, resumiu ele, filiado ao PV.

VOTO DECLARADO

Avessa aos palanques, Bethânia quebrou uma tradição para declarar a escolha. “Não escondo de ninguém que meu voto é dela. De Marina e da floresta amazônica”, disse, via assessoria.
Ela já havia indicado a preferência em outubro passado, em entrevista à revista “Bravo”. “Marina me arrebata. É nobre, firme, sóbria e passou pelo governo federal sem se manchar”, disse.

“Jurei que não votaria mais em candidato nenhum, nem do Executivo nem do Legislativo, mas a Marina talvez me anime a voltar atrás.”
A quarta integrante dos Doces Bárbaros, Gal Costa, não respondeu. Em 1989, ela cantou o jingle “Lula-lá” na TV. Hoje, diz uma assessora, prefere não falar de política.
A “onda verde” contagia outros expoentes da MPB, como a cantora Adriana Calcanhoto, que cantou e discursou na festa da pré-campanha em Nova Iguaçu (RJ).

A presença dos artistas indica que Marina deve explorá-los fartamente no horário eleitoral gratuito. Em 2008, o PV usou e abusou de Caetano na campanha de Fernando Gabeira à Prefeitura do Rio. Na reta final, o cantor parecia ocupar mais tempo dos programas que o candidato.
A ausência de Lula, que concorreu nas últimas cinco eleições presidenciais, favorece a migração dos artistas. Mesmo os mais fiéis ao presidente, como Chico Buarque, admitem não sentir grande entusiasmo pela candidata que ele escolheu.

“Vou votar na Dilma porque é a candidata do Lula e eu gosto do Lula. Mas, a Dilma ou o Serra, não haveria muita diferença. Não vai fugir muito do que está sendo traçado aí”, disse, à revista francesa “Brazuca”.
No fim de abril, o maestro Wagner Tiso convidou artistas para um café com Dilma no Rio. O evento foi pouco concorrido. Assinaram a lista de presenças a atriz Cristina Pereira e o sambista Marquinhos de Oswaldo Cruz.
Apesar do crescimento nas pesquisas, a petista enfrenta resistência semelhante no meio acadêmico. Intelectuais que votavam em Lula, como Leandro Konder, Chico de Oliveira e Aziz Ab’Saber, anunciaram apoio a Plínio de Arruda Sampaio (PSOL).”

maio
23

DEU NO PORTAL TSF (LISBOA)

O dissidente cubano Guillermo Fariñas, em greve da fome há 87 dias, afirmou sábado que 18 prisioneiros políticos vão ser transferidos para prisões mais próximas do seu lugar de residência ou para hospitais, se estiverem doentes.

Ainda de acordo com Fariñas, os detidos devem começar a ser transferidos na segunda-feira, escreve a agência Lusa.

Contactado por telefone no hospital de Santa Clara, 270 quilômetros a leste de Havana, o ciberjornalista de 48 anos, que reclama a libertação dos prisioneiros políticos doentes, declarou ter sido informado destas transferências pelo prelado Juan de Dios Hernandez, que o visitou, uma informação confirmada por uma fonte na Igreja Católica.

Se esta informação se concretizar, vai tratar-se do primeiro gesto por parte do presidente Raul Castro em prol dos prisioneiros políticos após um encontro, o primeiro do tipo, sobre este processo, com o chefe da Igreja Católica cubana, o cardeal Jaime Ortega, e o presidente da conferência episcopal, Dionisio Garcia.

De acordo com Guillermo Fariñas, o enviado da Igreja indicou igualmente que pode ocorrer em breve um encontro entre a Igreja e as autoridades «para falar de possíveis libertações».

maio
23
Posted on 23-05-2010
Filed Under (Multimídia) by vitor on 23-05-2010

Ouça outras maravilhas musicais como a deste vídeo no Blogbar do Fontana.
http://www.youtube.com/watch?v=jXx_xmXeOsg&feature=player_embedded#!

BOM DOMINGO!!!

(VHS)

maio
23


Eleições no Império eram nas igrejas

=================================================

CRÔNICA DA HISTÓRIA

Fraude eleitoal nas sacristias

Rosane Soares Santana

A primeira lei eleitoral brasileira (Decisão n.57/06/1822), que regulou a eleição dos deputados para a Assembleia Constituinte de 1823, consagrou a Igreja como espaço religioso, social e político – herança do período colonial – e estabeleceu a eleição indireta, aspectos incorporados às legislações posteriores até o final do Império. Mas, mesmo realizadas em local devotado ao culto da religião católica, após uma missa e a benção do pároco, as eleições foram marcadas pela fraude e pela violência, ao longo do século XIX, como registrou o deputado conservador Francisco Belisário Soares de Souza, no livro “O Sistema Eleitoral do Império”, que se tornou um clássico.

O processo indireto, em dois turnos, estabelecido pela primeira lei eleitoral, para a escolha de 100 deputados constituintes, foi estendido até 1881, às vésperas da proclamação da República. Nas eleições primárias, com a ingerência dos mandões locais – grandes proprietários de terra, comerciantes etc – eram escolhidos os eleitores de primeiro grau. A estes, cabia eleger os eleitores de paróquia, que, enfim, escolhiam os deputados e os senadores. No caso destes últimos, após 1824, entre os três mais votados, o imperador escolhia um nome para o cargo, que era vitalício.

Votavam homens com idade mínima de 25 anos; oficiais militares e casados, a partir de 21 anos e clérigos e bacharéis de qualquer idade. Mulheres e escravos não podiam votar. Libertos votavam nas eleições de primeiro grau. Exigia-se uma renda de 100 mil réis por ano para ser eleitor de primeiro grau e 200 mil réis, de segundo grau. Em 1846, esses valores passaram a 200 mil e 400 mil, respectivamente.

Cabalistas e fósforos

Violência e fraude marcaram o processo eleitoral do Império. “Apesar dos requisitos estabelecidos na Constituição (1824) para poder o cidadão votar nas eleições primárias, nenhuma autoridade as examinava e reconhecia previamente. A vozeria, o alarido, o tumulto, quando não murros e cacetadas, decidiam o direito de voto dos cidadãos que compareciam”, conta Belisário no livro . Tudo isso, frise-se, dentro da Igreja.

Alguns personagens assumiam papel estratégico, fraudando o resultado das eleições. Os cabalistas, que incluíam e excluíam nomes de pessoas das listas de qualificação de eleitores, a serviço dos mandões. “Numa freguesia de mil ou mil e tantos votantes, as novas inclusões contam-se por centenas, de modo que a alteração da lista dos qualificados excede às vezes a mais da metade do número total dos votantes (…). Os requisitos vagos, indeterminados de idoneidade para a qualificação dos votantes tais como exige a lei e têm sido entendidos, são uma fonte perene de abusos pelas inclusões e exclusões de turbas inúmeras e desconhecidas, as quais por si só alteram todas as condições normais e estáveis dos partidos nas localidades”, segundo Belisário.

O fósforo foi outro personagem importante no processo. Eles votavam em lugar de eleitores qualificados que, por algum motivo, inclusive morte, não podiam votar. “Os cabalistas sabem que F. qualificado morreu, mudou de freguesia, está enfermo; em suma, não vai votar: o fósforo se apresenta. É mui vulgar que, não acudindo à chamada um cidadão qualificado, não menos de dois fósforos se apresentem para substituí-lo, cada qual cabe melhores provas de sua identidade, cada qual tem maior partido e vozeria para sustentá-lo em sua pretensão”, mais uma vez Belisário.

“Bico de Pena”

Quando as eleições primárias não eram disputadas e as igrejas ficavam desertas, percorria-se “os arredores da matriz” e, de última hora, convocavam-se pessoas para votar pelos eleitores ausentes ou colocavam-se na urna cédulas preenchidas pelos integrantes da mesa eleitoral, lavrando-se uma ata para dar aparência de legalidade ao processo. Eram as eleições a “bico de pena”

Rosane Soares Santana é jornalista, com mestrado em História pela UFBA. Estuda o Poder Legislativo, elites políticas e eleições no Brasil. Integra a cobertura de eleições do Terra.

——————————————————-
Leia mais sobre eleições na história do Brasil

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4444372-EI6578,00.html

maio
22
Posted on 22-05-2010
Filed Under (Multimídia) by vitor on 22-05-2010

==========================================

Lá da californiana Belmont, na área da suntuosa Baia de San Francisco, Regina sempre atenta e olhar agudo como poucos, apesar da distância, observa tudo e manda um recado seguido de sugestão musical para o editor do Bahia em Pauta.

“Diante dos últimos acontecimentos e dos que poderão suceder, sugiro a musica “E SE” dos incomparáveis Francis Hime e Chico Buarque. Beijos, Regina Soares”

Sugestão aceita e aí vai a música para terminar o sábado no BP.

BOA NOITE!!!

“Se gritar pega ladrão”, de Bezerra da Silva, é a música para começar o dia ainda no ritmo da festa do delegado da PF, Protógenes Queiroz (PC do B) na festa de aniversário.

Protógenes (PC doB) abre o peito em Sampa

==========================================
DEU NO TERRA MAGAZINE

Claudio Leal

Pré-candidato do PCdoB a deputado federal, o delegado Protógenes Queiroz festejou seu aniversário de 51 anos no Bar Brahma, em São Paulo, na noite desta quinta-feira (20). Respondeu pelo fundo musical o grupo “Originais do Samba”, uma das atrações do bar na esquina da avenida Ipiranga com a São João.

Entre os convidados, o maestro João Carlos Martins, o pré-candidato do PCdoB ao Senado, Netinho de Paula, o empresário J. Hawilla (Traffic), o político Adhemar de Barros Filho e o vereador Jamil Murad. “Nunca pensei em vir pra um festa do PCdoB em um ambiente popular”, disse Adhemar, filho do ex-governador paulista, ao delegado responsável pela Operação Satiagraha, que prendeu o banqueiro Daniel Dantas em 2008.

À meia-noite, quando o grupo de samba começou a tocar “Se gritar pega ladrão”, clássico do repertório de Bezerra da Silva, Protógenes subiu ao palco do Brahma, pegou um tamborim e dividiu o microfone: “Se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão/ Se gritar pega ladrão, não fica um…”.

Protógenes também esteve à frente das operações da Polícia Federal que prenderam Paulo Maluf e Law Kin Chong, além de ter investigado lavagem de dinheiro na parceria MSI/Corinthians
——————————————————
Leia mais no Terra Magazine
http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4442386-EI6578,00.html

maio
22
Posted on 22-05-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 22-05-2010


=========================================
No artigo deste sábado, na Tribuna da Bahia, o jornalista político Ivan de Carvalho comenta a decisão do ministro do TSE Henrique Neves, que aplicou, ontem, multa de R$ 10 mil ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e de R$ 5 mil à candidata a presidente pelo PT, Dilma Rousseff, por considerar que eles fizeram, novamente, propaganda eleitoral antecipada. O segundo fato grave, assinala Ivan, é que esta é a quarta multa imposta pelo TSE ao presidente Lula. Todas elas por propaganda eleitoral indevida. Bahia em Pauta reproduz o texto.
(VHS)

==============================================

OPINIÃO POLÍTICA

Lula e Dilma dão mau exemplo
Ivan de Carvalho

O ministro do TSE Henrique Neves aplicou, ontem, multa de R$ 10 mil ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e de R$ 5 mil à candidata a presidente pelo PT, Dilma Rousseff, por considerar que eles fizeram, novamente, propaganda eleitoral antecipada, desta vez em um evento realizado em São Bernardo do Campo, no dia 10 de abril. Os dois condenados podem ainda recorrer ao pleno do TSE.

Há no episódio três fatos graves. O primeiro é que um dos multados – exatamente o que foi penalizado com a multa mais alta, certamente devido à intensidade da infração cometida – foi o presidente da República. Ora, uma pessoa neste cargo deve dar o exemplo de absoluto respeito à lei, o que não aconteceu, salvo melhor juízo do pleno do tribunal, no que não acredito.

O segundo fato grave é que esta é a quarta multa imposta pelo TSE ao presidente Lula. Todas elas por propaganda eleitoral indevida. Vale dizer, o presidente já é judicialmente tri-reincidente (a primeira multa, claro, não caracteriza reincidência) em burlar a legislação eleitoral para favorecer a candidata petista. Não são casos, portanto, de mera infração à lei, mas também de desrespeito tanto à responsabilidade do cargo que ele ocupa quanto ao exemplo que um presidente deve dar para a formação da cidadania.

O terceiro fato grave é talvez o mais perigoso e o que está a merecer uma reação enérgica de todas as forças sérias do país, o que, aliás, não tem acontecido, restando saber se essas forças estão intimidadas ou não são realmente sérias. O fato perigoso para o estado de direito é que o presidente resolveu levar na troça, na ironia, na piada sem nenhuma graça e muita desgraça, as multas que lhe foram aplicadas.
Em relação a uma das quatro multas, não à mais recente, mas de igual valor, exatamente R$ 10 mil, ele, de cima do palco ou do palanque, tratou de, perante os cidadãos e cidadãs que o ouviam, ávidos talvez de lhe seguirem os apelos e indicações de caminhos, ridicularizar a penalidade determinada pelo TSE. “Vamos fazer uma vaquinha”, gritou, ou mugiu, sei lá.

O que sei é que há poucos dias o TSE julgou uma reclamação contra programa de propaganda partidária do PT (dez minutos) que fizera “propaganda eleitoral antecipada” – o que é proibido – da candidata Dilma Rousseff. O TSE condenou o PT e aplicou-lhe a penalidade de perda do direito ao programa de propaganda partidária, de igual duração, do primeiro semestre de 2011, por ser o primeiro desse tipo seguinte ao julgamento.

Bem, se o TSE houvesse sido menos lento e feito o julgamento uns poucos dias mais cedo, o PT teria perdido o direito a fazer o programa de propaganda partidária seguinte ao julgamento, durante o qual Lula e Dilma fizeram escandalosos dez minutos de propaganda antecipada da candidata petista. Dá pra pensar sobre um hipotético mecanismo de retardo encrustado no TSE. Não sei a razão, mas lembrei-me do que disse há dias o ex-presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, reclamando do TSE estar sendo “compreensivo” com o comportamento de “altas autoridades” na campanha eleitoral e notando que o tratamento deve ser “igual para todos, de presidente da República a vereador”.

maio
22
Posted on 22-05-2010
Filed Under (Newsletter) by vitor on 22-05-2010

Damário: última poesia

============================================
O editor do Bahia em Pauta recebeu a seguinte mensagem via e-mail do jornalista, escritor, amigo e colaborador deste site blog:

Caro Vítor. Acabamos de chegar de Cachoeira, onde fomos nos despedir de Damário. Segue um texto que acabei de escrever e a reprodução de um dos últimos poemas escritos por Damário, inclusive com a correção que fez e a assinatura. Um forte abraço. Diogo

Sejam as Diogo também as palavras do BP na partida do grande poeta baiano.

(Vitor Hugo Soares)

CRÕNICA/SENTIMENTOS

A DESPEDIDA DO POETA

Diogo Tavares

O poeta Damário Dacruz ainda não tinha partido oficialmente deste nosso convívio, mas o espírito dele já passeava pelas ruas de Cachoeira. Os sensíveis, os puros de coração, os iniciados nas coisas do espírito talvez tenham testemunhado isso. O povo tratou de espalhar. Os médicos, estes seres quase sempre pragmáticos, atestaram a morte aos dez minutos desta sexta-feira. Pobres dos homens que compreendem a fisiologia humana e ignoram os mistérios da alma e da poesia.

Corpo, como humano, é como o grande orador Raimundo Cerqueira gosta de descrever a cidade de Cachoeira. Dos pés, a saída para as estradas do mundo, passando pelo estômago, na feira, e pelo coração, na Igreja da Nossa Senhora da Ajuda, até a cabeça, no outro extremo, tomada pelos terreiros de Candomblé e pelas verdades nas tranças que traçam os destinos dos homens. Explicar esta peculiaridade da anatomia de Cachoeira é fundamental para compreender porque tinha que ser nessa cidade do Recôncavo, paixão do poeta de Oxóssi, devoto de Cosme e Damião, que a notícia se deu.

Ninguém contou ter visto o poeta, sob forma etérea, tomando café na Panificadora Estrela, caminhando entre as barracas da feira, comprando angélicas e comendo bolinho de maniçoba e mariscos em das Virgens, esperando um filé na pracinha em frente aos Correios, recebendo um grupo em excursão no quarto da filha Damine, transformado numa representação cênica no porão de um navio tumbeiro, ou meditando, rabiscando um poema em sua escrivaninha no andar térreo do Pouso da Palavra. Ninguém disse ter visto estas coisas horas antes o óbito atestado, mas o boato de que o poeta havia partido do próprio corpo alquebrado pelo câncer de pulmão correu toda a cidade ainda na quinta-feira.

Mistérios dos homens e desta cidade que atraiu o jovem poeta há muitos anos. Nós, pobres homens presos à chamada realidade, levamos muito mais tempo para imaginar Damário pleno em Cachoeira. Nos despedimos dele pela manhã no Jardim da Saudade, em Salvador, para nos consolarmos pela tarde velando seu corpo na Câmara de Vereadores naquela cidade do Recôncavo da Bahia. Então, não haveria carro que coubesse para saciar a imensa saudade. Tomadas as alças por parentes, amigos e admiradores, o caixão do poeta foi levado pelas ruas de Cachoeira.

Da Câmara, o Pouso da Palavra, sonho erguido de um sobrado em ruínas, a esquina da Ladeira da Ajuda, a feira, cada calçada e cada rua estreita da cidade histórica tantas vezes percorridas pelo poeta, segue a passeata silenciosa, cada vez com mais gente, até o cemitério. Homens céticos, precisamos de muitos passos para nos convencer que, sim, o poeta estava vivo naquelas ruas, nos instigando com sua perplexidade compartilhada e o mistério infinito das palavras grávidas.

Diogo Tavares é escritor e jornalista http://pautapariu.zip.net/

==============================================

maio
22

DEU NA FOLHA ON LINE

A mais nova Pesquisa Datafolha publicada na edição impressa da Folha deste sábado, 22, mostra a pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, empatada com o adversário tucano José Serra. Dilma e Serra aparecem com 37% das intenções de voto, cada um. Marina Silva (PV) aparece com 12%.

A íntegra da reportagem está disponível para assinantes do UOL e do jornal.

Esta é a melhor marca obtida por Dilma, que avançou sete pontos percentuais em relação à pesquisa de abril, quando aparecia com 30% das intenções de voto. Na mesma comparação, Serra perdeu cinco pontos percentuais. Já Marina segue estável com a mesma taxa de intenção de voto.

O levantamento foi realizado ontem e anteontem com 2.660 entrevistados. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Leia a reportagem completa na Folha deste sábado, que já está nas bancas.

Pages: 1 2 3 4 5 6 7 ... 18 19

  • Arquivos