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Postado em 29-05-2010
Arquivado em (Newsletter) por vitor em 29-05-2010 23:24

Juliana Dal Piva
Direto de São Paulo

Muita preocupação. Essa foi a expressão utilizada pela pré-candidata do PV à presidência da República, Marina Silva, quando questionada sobre as acusações do tucano José Serra de que o governo boliviano é cúmplice da exportação de cocaína daquele país para o Brasil. “Este fato é digno de preocupação. As relações precisam ser equilibradas se queremos construir uma aliança fraterna. A generalização pode trazer injustiças ao povo boliviano”, disse Marina. A senadora licenciada respondeu a essa e a outras questões em uma palestra na tarde deste sábado (29) sobre política pública ambiental realizada no teatro da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo.

Durante sua fala, a pré-candidata disse que apenas a história pode medir derrotas ou vitórias e lembrou sua saída do Ministério do Meio Ambiente em 2008 para exemplificar. “Queriam tanto que eu saísse e eu saí, mas naquele momento ouvi o presidente Lula dizer que não se modificaria a política ambiental, coisa que ele nunca tinha dito antes” contou Marina. Apesar de ter deixado a pasta ela não se sentiu vencida no episódio. ” a vitória da queda no desmatamento está no peito de todos nós” completou.

A verde enfatizou que sustentabilidade não é um jargão utilizado para a proteção ambiental e que  todas as áreas estão contempladas no conceito, desde saúde e educação, até política e ética. Ela elogiou a Pastoral da Criança como experiência da sociedade para dizer que outras iniciativas assim precisam ser feitas, além dos projetos do governo.

Marina Silva ressaltou, no entanto, a importância da transparência nos gastos públicos. “É preciso deixar que o Ministério Público, o Tribunal de Contas e todos os mecanismos de fiscalização façam o seu trabalho”. A pré-candidata sugeriu ainda a criação de uma espécie de “Big Brother” do Cartão Corporativo para que a sociedade pudesse acompanhar todos os débitos feitos com ele.

Ela voltou a defender a realização das reformas tributária, política e trabalhista, mas disse que para que a condução das mudanças funcione a sociedade precisa se envolver e se mobilizar. “Se fosse fácil, o ‘trabalhador’ teria feito a trabalhista e o ‘sociólogo’ teria feito a política”, explicou em referência a Lula e FHC.

(LEIA MAIS EM TERRA-POLÍTICA 2010 )

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Comentários

Oriana Lopes on 30 Maio, 2010 at 9:47 #

O presidente Serra acertou um golaço, já que estamos em Copa do Mundo, ao tecer críticas à Bolívia em relação ao tráfico. Falou a verdade e é por isso que incomodou tanto. Quem pensa que Lula é inatacável, brilhantemente Serra provou que não. Se continuar por aí e acrescentar os “buracos” na saúde vai fazer água no barco de Dilma Rousseff. Aliás, ninguém podia esperar menos de um político como Serra. Bola pra frente, que outubro vem aí.


Oriana Lopes on 30 Maio, 2010 at 10:00 #

Segurança e Saúde, anotem aí, porque vão decidir a eleição.


Oriana Lopes on 30 Maio, 2010 at 10:06 #

E não adianta aquele papo conservador e careta que já vi, entre outros, nas bocas de Jaques Wagner e Dilma Rousseff, de que sem a participação da família não podemos construir uma sociedade mais segura etc e tal. Isso é bom na boca dos pastores, padres e afins. Mais um candidato a presidente sabe que a SEGURANÇA É QUESTÃO DE ESTADO. Depois, a política externa de Cuba é o oposto de SEGURANÇA.


Oriana Lopes on 30 Maio, 2010 at 10:07 #

Corrigindo: a política externa de Lula é o oposto de SEGURANÇA.


Oriana Lopes on 30 Maio, 2010 at 10:13 #

Para quem tem dúvida, veremos o efeito do lançamento da proposta do Ministério da Segurança, durante a convenção nacional do PSDB, dia 12 de junho, em Salvador, e o resultado das pesquisas subsequentes, com reflexos na candidatura de Souto.


Jader Martins on 30 Maio, 2010 at 15:35 #

EDITORIAL

A direita, enfim, achou seu candidato

Depois do Mercosul, o novo alvo de Serra é a Bolívia. Para azar do pré-candidato tucano e sorte do Brasil e do mundo, a era Bush chegou ao fim. Algum assessor com um mínimo de lucidez e informação bem que poderia avisá-lo das mudanças que estão em curso no mundo. Mas se o ex-governador de São Paulo decidiu abraçar por inteiro a agenda da direita no Brasil, na América Latina e nos Estados Unidos, faz sentido ele lutar pela restauração da velha ordem. Pode-se dizer, então, que, enfim, a direita achou um candidato à presidência do Brasil.

Editorial – Carta Maior

“A questão”, ponderou Alice, “é saber se o senhor pode fazer as palavras dizerem tantas coisas diferentes”.

“A questão”, replicou Humpty Dumpty, “é saber quem é que manda. É só isso”.
Lewis Carrol, Alice no País das Maravilhas (cap.6).

As declarações do ex-governador de São Paulo e pré-candidato do PSDB à presidência da República, José Serra, acusando o governo boliviano de ser “cúmplice de traficantes”, além de levianas e irresponsáveis, podem acabar se voltando contra o próprio autor. Pela lógica da argumentação de Serra, não seria possível a exportação de cocaína a partir da Bolívia sem a conivência e/ou participação das autoridades daquele país. Bem, se é assim, alguém poderia dizer também que Serra é cúmplice do PCC (Primeiro Comando da Capital), da violência e do tráfico de drogas em São Paulo. “Você acha que toda violência e tráfico de drogas em São Paulo seria possível se o governo de lá não fosse cúmplice?” – poderia perguntar alguém, parafraseando Serra.

Neste mesmo contexto, cabe lembrar ainda as declarações do traficante colombiano Juan Carlos Ramirez Abadia, preso em 2007 no Brasil, que, em um depoimento à Justiça Federal em São Paulo, disse: “Para acabar com o tráfico de drogas em São Paulo, basta fechar o Denarc (Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos)”. As denúncias de um traficante valem o que ele vale. Neste caso valeram, ao menos, o interesse da Justiça Federal em investigar a possibilidade de ligação entre o tráfico de drogas e a corrupção policial, possibilidade esta que parece não habitar o horizonte de Serra. O pré-candidato foi governador de São Paulo, mas afirma não ter nada a ver com isso. A culpa é da Bolívia.

Há método na aparente loucura do pré-candidato do PSDB. O fato de ter repetido as acusações levianas contra o governo de um país vizinho – e amigo, sim – do Brasil mostra que Serra acredita que pode ganhar votos com elas. Trata-se de um comportamento que revela traços interessantes da personalidade do pré-candidato e da estratégia de sua candidatura. Em primeiro lugar, mostra uma curiosa seletividade geográfica: em sua diatribe contra governos latino-americanos, Serra esqueceu de acusar a Colômbia como “cúmplice do narcotráfico”. Esquecimento, na verdade, que expõe mais ainda o caráter leviano da estratégia. Trata-se, simplesmente, de atacar governos considerados “amigos” do governo brasileiro.

Em segundo lugar, mostra uma postura irresponsável do pré-candidato, tomando a palavra aí em seu sentido literal, a saber, aquele que não responde por seus atos. Antes de apontar o dedo acusador para o governo de um país vizinho, Serra poderia visitar algumas ruas localizadas no centro velho de São Paulo que foram tomadas por traficantes e dependentes de drogas. Serra já ouviu falar da Cracolândia? Junto com a administração Kassab, um governo amigo como gosta de dizer, fez alguma coisa para resolver o problema? Imagine, Sr. Serra, 200 pessoas sob o efeito do crack gritando sob a sua janela, numa madrugada interminável … Surreal? Na Cracolância é normal. E isso ocorre na sua cidade, não na Bolívia. Ocorre na capital do Estado onde o senhor foi eleito para governar e trabalhar para resolver, entre outros, esse tipo de problema. Mas é mais fácil, claro, acusar outro país pelo problema, ainda mais se esse outro país for governado por um índio.

E aí aparece o terceiro e mais perverso traço da estratégia de Serra: um racismo mal dissimulado. Quem decide apostar na estratégia do vale-tudo para ganhar um voto não hesita em dialogar com toda sorte de preconceito existente em nossa sociedade. Acusar o governo de Evo Morales de ser cúmplice do tráfico, além de ignorar criminosamente os esforços feitos atualmente pelo governo boliviano para combater o tráfico, aposta na força do preconceito contra Evo Morales, que já se manifestou várias vezes na imprensa brasileira por ocasião das disputas envolvendo o gás boliviano. Apostando neste imaginário perverso, acusar um índio boliviano de ser cúmplice do tráfico de drogas parece ser “mais negócio” do que acusar um branco de classe média que sabe usar boas gravatas. Alguém com Álvaro Uribe, por exemplo…

E, em quarto, mas não menos importante lugar, as declarações do pré-candidato tucano indicam um retrocesso de proporções gigantescas na política externa brasileira, caso fosse eleito presidente da República. Mais uma vez aqui, há método na loucura tucana. Não é por acaso que essas declarações surgem no exato momento em que o Brasil desponta como um ator de peso na política global, defendendo o caminho do diálogo e da negociação ao invés da via das armas, da destruição e da morte. Como assinala José Luís Fiori em artigo publicado nesta página:

A mensagem foi clara: o Brasil quer ser uma potencia global e usará sua influência para ajudar a moldar o mundo, além de suas fronteiras. E o sucesso do Acordo já consagrou uma nova posição de autonomia do Brasil, com relação aos Estados Unidos, Inglaterra e França (…) O jornal O Globo foi quem acertou em cheio, ao prever – com perfeita lucidez – na véspera do Acordo, que o sucesso da mediação do presidente Lula com o Irã projetaria o Brasil, definitivamente, no cenário mundial. O que de fato aconteceu, estabelecendo uma descontinuidade definitiva com relação à política externa do governo FHC, que foi, ao mesmo tempo, provinciana e deslumbrada, e submissa aos juízos e decisões estratégicas das grandes potências.

As últimas linhas do texto de Fiori resumem o que está por trás da estratégia de Serra de chamar o Mercosul de “farsa”, de acusar o governo da Bolívia de cumplicidade com o tráfico, de criticar a iniciativa do governo brasileiro em ajudar a evitar uma nova guerra no Oriente Médio. Curiosa e tristemente, essa estratégia, entre outros lamentáveis problemas, sofre de um atraso histórico dramático. Para azar de Serra e sorte do Brasil e do mundo, a doutrina Bush chegou ao fim. No dia 27 de maio, o governo dos EUA anunciou sua nova doutrina de segurança nacional que abandonou o conceito de “guerra preventiva” como elemento definidor da estratégia da política externa norte-americana. Algum assessor com um mínimo de lucidez e informação bem que poderia avisar ao pré-candidato tucano das
mudanças que estão em curso no mundo, especialmente do final da era Bush. Mas se ele decidiu abraçar por inteiro a agenda da direita no Brasil, na América Latina e nos Estados Unidos, faz sentido lutar pela restauração da velha ordem. Pode-se dizer, então, que, enfim, a direita achou um candidato à presidência do Brasil.


Oriana Lopes on 30 Maio, 2010 at 18:13 #

A baboseira de sempre> Dizer que a nova burguesia petista é esquerda é uma graça! La Dolce Vita. Chega de mamata e boquinha, caros. outubro vem aí. HEHEHEHE!!!!Chega de baboseira e pseudo intelectualismo, meu caro! Senta a bunda e vá ler!


Oriana Lopes on 30 Maio, 2010 at 18:24 #

Aliás, essa petralhada sabe mesmo de “diplomacia”. Basta ver a carteirada que deram em Waldir Pires neste domingo, com delagados comprados pró-Pinheiro. Beleza, vocês caminham céleres para a derrota nas eleições da Bahia, sáo piores do que ACM em arrogância e truculência. E arrogar pra si o título de porta-vozes de uma nova ordem? Só um analfabeto e mal informado pode crer na nova ordem internacional que o Pt vem formando com Cuba, Venezuela, Bolívia, Irã. Poupem-me!


Oriana Lopes on 30 Maio, 2010 at 18:42 #

“Conseguimos derrotar ainda em vida o velho coronel (o senador Antônio Carlos Magalhães-DEM), que dizia ser de aço”, afimou Pinheiro. Walter Pinheiro candidato escolhido pelo PT para o Senado na chapa de Wagner, durante encontro extraordinário de delegados do PT em que não faltou a metodologia ACM no processo. Aliás, Walter Pinheiro é um homem que sabe das coisas. Sem ser músico nem produtor cultural baiano, sem nascer em família abastada, sem tirar na loteria e sendo um simples técnico formado pela Escola Técnica Federal, em Simões Filho, virou morador privilegiado de Interlagos. essa turma do PT entende mesmo de ACM.


danilo on 30 Maio, 2010 at 21:00 #

é só o q faltava agora o PT ficar dizendo q o velho ACM era inimigo. q nada. quem acompanhou a campanha de Lulla em 2002 e os primeiros anos do governo do PT sabe q ACM fazia parte do núcleo duro do governo. unha e carne com Zé Mensalão Dirceu, Sarney, Renan, Gushiken etc etc


Oriana Lopes on 31 Maio, 2010 at 11:02 #

O problema dessa petralhada é que, para eles, o diabo são os outros. Essa era do PT será lembrada como um dos tempos mais obscuros da República. Mesmo que a universidade brasileira esteja quase toda aparelhada pelos petralhas, com “intelectuais” a serviço deles, historiadores sérios haverão de registrar, documentalmente, o que foi essa Era.


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