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Postado em 27-05-2010
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 27-05-2010 11:13

Delegado Cleyton:morte na Cascalheira

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Em seu artigo desta quinta-feira, na Tribuna da Bahia, o colunista político Ivan de Carvalho comenta sobre o assunto que ontem chocou a Bahia e o país: o homicídio do titular da 18ª Delegacia, em Camaçari, o delegado Cleyton Leão Chaves. O jornalista que o aparelho policial do Estado foi posto em ação e polvorosa. Autoridades policiais – a exemplo do delegado-chefe da Polícia Civil, Joselito Bispo – consideraram o assassinato um atentado contra o próprio Estado. E disseram – aí já abrindo espaço para duras contestações – que o Estado está preparado para o revide. “Se alguém se interessar, antecipo minha opinião: não está. Não está não. Porque não se preparou”, afirma Ivan no artigo que Bahia em Pauta reproduz.
(VHS)

OPINIÃO POLÍTICA

A insegurança, outra vez

Ivan de Carvalho

Na terça-feira, escrevi sobre segurança pública. Ou insegurança pública. Não dá mais para saber se o problema é o tradicional, de preservação da segurança, ou já mudou de paradigma e passou a ser de insegurança.
Ou talvez já seja até possível afirmar que o paradigma mudou mesmo, já não é a questão de segurança, mas de insegurança, segundo a percepção que a sociedade vinha adquirindo gradualmente e que nos anos mais recentes tornou-se comparável a uma alucinação.

Apenas, quando alguém tenta afastar esta alucinação para ver a realidade por trás dela, descobre que nada há de ilusão: é a própria realidade que se tornou alucinante.
Na terça-feira, escrevi sobre o desempenho da União (perdão, a ausência de desempenho) na questão da insegurança pública. A omissão absoluta, repugnantemente mal disfarçada com o até agora inócuo Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci) e a criação de uma ridícula e quase inútil Força Nacional de Segurança, cuja única “virtude” é poupar o governo federal de gastos e investimentos, pois a tal FNS é integrada por policiais militares estaduais eventualmente convocados pela União.

O artigo de anteontem examinava, também, a imensa responsabilidade da União na segurança pública e as posições a respeito dos candidatos do PSDB e do PT a presidente – José Serra e Dilma Rousseff. Marina Silva terá sua vez, quando revelar o que pretende a respeito.
Mas hoje somos forçados a descer do nível federal ao estadual pelo homicídio do titular da 18ª Delegacia, em Camaçari, o delegado Cleyton Leão Chaves. O aparelho policial do Estado foi posto em ação e polvorosa.

Autoridades policiais – a exemplo do delegado-chefe da Polícia Civil, Joselito Bispo – consideraram o assassinato um atentado contra o próprio Estado. E disseram – aí já abrindo espaço para duras contestações – que o Estado está preparado para o revide.

Se alguém se interessar, antecipo minha opinião: não está. Não está não. Porque não se preparou. E não digo isto sob forte e incontrolável emoção. Há vários anos venho alertando para a ausência de prioridade do Estado – e, obviamente, dos governantes – para a questão da segurança, perdão, da insegurança pública. O crime foi fincando suas raízes, não ligaram. A árvore do mal cresceu, espichou seus galhos. Satisfizeram-se com podas modestas e desordenadas. O crime se organizou e com ele convive, paralelo, o crime desorganizado.

Para o líder da oposição na Assembléia Legislativa, não existem argumentos capazes de tirar o terrível significado dos dados oficiais da própria Secretaria de Segurança Pública, que, disse ele, registram mais de 14 mil homicídios na Bahia no período do atual governo.

Muitos eram registrados antes, mas nem tanto, há de admitir o líder. Mas não estamos precisando de soluções para o passado e sim para o presente e o futuro próximo. O longo prazo, aliás, de que tanto se busca falar, é outro departamento. Mas como está, até nessas lonjuras as coisas podem piorar.

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