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Postado em 26-05-2010
Arquivado em (Multimídia) por vitor em 26-05-2010 11:12

Caetano(abraçado com Wagner): ironias

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A comemoração de aniversário de Walter Pinheiro virou concorrida e ostensiva festa de grupos petistas influentes no partido e no governo estadual em apoio ao parlamentar e ex-secretário de Planejamento em sua disputa com o ex-governador e ex-ministro Waldir Pires pela vaga de senador que ainda sobra na chapa majoritária do governador Jaques Wagner (PT), pré-candidato à reeleição.
Serviu até para frases de duplo ou até triplo sentido, como a do prefeito de Camaçari Luiz Caetano, coordenador da campanha de Wagner, que aconselhou “reflexão” aos petistas ainda fiéis às preferência por Waldir. A palavra “reflexão” não foi posta aí por Caetano casualmente, mas como uma ostensiva ironia, assinala o colunista político Ivan de Carvalho em seu artigo sobre o assunto, publicado nesta quarta-feira pela Tribuna da Bahia, que Bahia em Pauta reproduz
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(VHS)
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OPINIÃO POLÍTICA

David ou Leônidas

Ivan de Carvalho

A pretexto do aniversário do deputado Walter Pinheiro, do PT, quase todos os prefeitos petistas foram levados (eles não tomariam essa iniciativa por conta própria, dá para apostar) ao restaurante Barbacoa, lugar onde atuais oposicionistas costumavam se reunir sob uma saraivada de críticas e ironias dos petistas a respeito da sofisticação do local. Mas parece que os petistas estavam era com uma certa inveja, já que agora são fiéis freqüentadores. Além dos prefeitos, estava presente a maioria da comissão executiva estadual.
Por tudo que se tem dito nos dias recentes, não seria sequer necessário, para se entender o real objetivo do almoço, que o blog Política Livre publicasse os nomes dos 15 dos 19 membros da executiva estadual que deram apoio à candidatura de Walter Pinheiro a senador, no confronto ora ainda existente com a candidatura do ex-governador e ex-ministro Waldir Pires, a quem os comensais se esmeraram em degustar, com requintes de canibalismo político.
Além dos 15 nomes citados pelo referido blog e dos prefeitos petistas, outras figuras gradas, ou graúdas, do governismo, estiveram lá dando seu apoio à candidatura de Pinheiro. Uma delas foi o ex-governador e candidato a vice-governador Otto Alencar. Do PT, cito apenas dois nomes, o suficiente para marcar com extrema precisão a posição da cúpula do partido e do governo: o presidente estadual do PT, Jonas Paulo e o coordenador da campanha do governador Jaques Wagner à reeleição, o prefeito de Camaçari Luiz Caetano.
Para completar, a assessoria do deputado Nelson Pelegrino, que aspirou à vaga para o Senado, mas na prática já entregara os pontos, emitiu nota, afirmando que Pelegrino comunicou ao governador Wagner e ao presidente do PT, Jonas Paulo, a retirada de sua pré-candidatura a senador. (Resolveu apoiar Pinheiro). A nota não diz se Pinheiro se comprometeu ou não com Pelegrino a não tentar concorrer à prefeitura de Salvador em 2012 e ficar pensando apenas na eleição de governador de 2014, naturalmente se for eleito senador em outubro próximo, o que muitos petistas dão como favas contadas. A nota não faz qualquer referência a essa questão, de modo que há ainda de ser investigado se Pelegrino se entregou ou negociou.
O governador não foi ao encontro, mas o coordenador de sua campanha, Luiz Caetano, deu o recado: “Iniciaria uma ‘reflexão’, caso fosse ‘o pessoal que está apoiando o nome’ do ex-governador Waldir Pires no PT para a mesma disputa” – isto é, em oposição ao deputado Walter Pinheiro. A palavra “reflexão” não foi posta aí por Caetano casualmente, mas como uma ostensiva ironia. Ante decisões ou situações complexas, Waldir Pires costuma dizer que é preciso fazer uma “reflexão”.
Ante o exposto e o que o espaço de que disponho não é suficiente para expor, minha conclusão é que Waldir Pires, com os seus 84 anos, a sua história de bravo e a sua biografia como uma pedra preciosa sem jaça, está entre ser David ou Leônidas. Se vencer, terá sido David. Se perder, terá obtido a inesquecível “derrota” de Leônidas, que em nada manchou, mas marcou indelevelmente na história a vitória do rei de Esparta.

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 26 Maio, 2010 at 17:10 #

A incrível criatividade dos que abandonam a isenção para apenas torcer.

Waldir, o Pires, aquele que tanto isnistiu em ser vice de Ulisses, destroçando qualquer viabilidade eleitoral, agora é David, ou seu oposto, Golias.

É também refém, resgate, homenageado, icone, reflexivo, entre outras tantas versões, não necessariamente nesta ordem.

Quiçá, seja contemplado como “Izsnogud baiano”, o que sempre quer ser Califa no lugar do Califa.


Carmem on 26 Maio, 2010 at 23:11 #

O grande Waldir Pires está sangrando!!!


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