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Postado em 24-05-2010
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 24-05-2010 11:22

Candidatos: olhos abertos para os números

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A subida da pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, nas pesquisas eleitorais dos principais institutos, produz nuances que buscam explicações. É este o tema do artigo do jornalista Ivan de Carvalho na edição desta segunda-feira na Tribuna da Bahia, que este site blog reproduz.
Esta é uma resposta, sergundo o articulista, que não parece difícil e que, aliás, foi dada, de um modo indireto, mas muito claro, por um dirigente do Instituto Datafolha. Ivan, no entanto, destaca um aspecto relevante na corrida presidencial, que ficou meio obscurecido nas avaliações sobre os dados da mais recente pesquisa: a subida também, pelas beiradas, da pré-candidata Verde, Marina Silva, que bateu nos 12% da preferência do eleitorado. Confira.
( VHS )


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OPINIÃO POLÍTICA

Confirmação aparente

Ivan de Carvalho

À primeira vista, a pesquisa Datafolha divulgada no fim de semana, colocando José Serra e Dilma Rousseff em um perfeito empate – cada um deles com 37 por cento das intenções de voto – confirma as pesquisas feitas pouco antes, uma delas pelo Instituto Sensus e a outra pelo Instituto Vox Populi. Essas duas pesquisas colocaram o tucano e a petista em situação de “empate técnico”, o que representou um avanço de Rousseff, que antes vinha sempre em desvantagem.
Mas a pesquisa Datafolha foi ainda melhor para a candidata petista do que as dos outros dois institutos citados. Pois, pela primeira vez, uma pesquisa coloca a candidata governista em vantagem num eventual segundo turno. Todas as pesquisas anteriores de todas as entidades que as fizeram davam vantagem ao oposicionista José Serra, do PSDB, no segundo turno. E vantagem confortável.
Bem, mas então como é que o Datafolha, com seu empate de 37 contra 37 por cento das intenções de voto, confirma apenas aparentemente os resultados do Sensus e do Vox Populi, que oportunamente abordei aqui, pondo-os sob suspeita?
Esta é uma resposta que não me parece difícil e que, aliás, foi dada, de um modo indireto, mas muito claro, por um dirigente do Instituto Datafolha. Disse ele que entre a pesquisa Datafolha de abril e a de maio, a que aqui nos referimos, houve apenas um fato importante capaz de alavancar as intenções de voto em Dilma Rousseff: a propaganda partidária do PT na televisão (e no rádio, que o dirigente do Datafolha não citou). O Sensus e o Datafolha fizeram suas pesquisas antes dessa propaganda.
Essa propaganda gratuita, por imposição da legislação eleitoral, foi feita em um programa de dez minutos e em uma série de inserções na programação normal da televisão e do rádio. Devia ser apenas propaganda partidária, estando vedada por lei propaganda eleitoral.
Mas o PT entendeu, segundo reclamou a oposição, que “o crime compensa” – neste caso, como em alguns outros, como o dos dólares na cueca e o da violação ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo na tentativa de salvar o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, que, aliás, segundo notícias de ontem, deverá ser o chefe da Casa Civil de Dilma Rousseff, se ela for eleita presidente. E o PT gastou todo o tempo fazendo, sob o comando de Lula e Dilma, a propaganda eleitoral proibida.
Foi exatamente, segundo não só o dirigente do Datafolha como os políticos em geral, notadamente os da oposição (entre os governistas, muitos tentam alinhavar outras razões, evidentemente), essa propaganda ilegal que valeu o empate a Dilma, um empate que não existia antes de tal propaganda e que, portanto, pode-se supor que não deveria existir nos resultados do Sensus e do Vox Populi. Tão gentis para Dilma que negligenciaram as intenções de voto da outra mulher, Marina Silva, maltratada com sete e com nove por cento, e vingada pelo Datafolha, que lhe atribuiu 12 por cento.

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