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Postado em 22-05-2010
Arquivado em (Artigos, Vitor) por vitor em 22-05-2010 00:02

Marina na Metrópole fala de sucessão com jeito…

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…de Leão da Barra na Copa Brasil

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ARTIGO DA SEMANA

MARINA E VITÓRIA, LEÃO E JAGUATIRICA

Vitor Hugo Soares

Mal comparando, como se diz nas barrancas do rio São Francisco da minha aldeia, a acreana Marina Silva, pré-candidata do Partido Verde à presidência da República, desembarcou nesta sexta-feira, 21, em Salvador, decidida e surpreendente. Do jeito que o time do Vitória, o rubro-negro baiano, aportou nas finais da Copa do Brasil na noite histórica para o futebol estadual da última quarta-feira,19 de maio .

O time dos quase anônimos Viáfara, Berola e Junior e de veteranos notáveis que parecem jogar com uma fita métrica de passes perfeitos nos pés, como Ramon, qualificou-se para brigar pelo título máximo com o Santos dos fenômenos indiscutíveis da hora para a mídia inteira do País – até na baiana – Ganso, Neymar e companhia dos “meninos da Vila”.

No futebol da Bahia, o Leão da Barra provoca paixões e tem tradição mais que centenária. Mas só agora conseguiu romper o círculo de ferro das disputas entre paulistas e cariocas. À exceção de uma boquinha de vez em quando para representantes mineiros e gaúchos, como variação da batida de uma nota só que não raramente deslumbra e até causa cegueira em boa parte da chamada “crítica esportiva do Brasil”.

Na política, a ambientalista e evangélica pré-candidata do PV à sucessão de Lula deixou claro em suas entrevistas, conversas e encontros na capital baiana – um deles com o arcebispo de Salvador e cardeal Primaz do Brasil, Dom Geraldo Magella -, que um de seus sonhos e motor fundamental da campanha que empreende com vistas às eleições presidenciais deste ano, é muito semelhante aos do Vitória nesta Copa Brasil a ser decidida em agosto.

Marina, voz mansa e figura aparentemente frágil, pisa no chão devagarinho, chega como quem aparentemente não quer nada, navegando pelas beiradas dos igarapés de sua região natal. No entanto, é contundente e firme ao dizer a que vem: quer mostrar e discutir projetos novos, mostrar a face de uma parte sem voz e sem mídia no país.

Em síntese – e nisso foi contundente nas conversas da sexta-feira e deve repetir no discurso deste sábado no lançamento dos candidatos verdes à eleição estadual: fará o que estiver ao seu alcance para evitar que tudo se transforme em mero plebiscito entre a mineira-gaucha Dilma Rousseff (PT) e o tucano paulista José Serra (PSDB).

Na primeira e emblemática entrevista do dia, concedida ao programa da Rádio Metrópole do apresentador Mario Kertész, a pré-candidata do PV lamentou a ausência na disputa de um nome que ela considerava aliado crucial na defesa da apresentação de projetos nacionais e dabate de ideias, como em princípio deveria ser no primeiro turno de uma campanha como a que se aproxima: o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), tirado do jogo na hora H por razões que nem os socialistas ainda conseguiram explicar direito.

A “doce, frágil e gata” Marina de repente vira jaguatirica – como ela própria já antecipou a um blogueiro -, ao repelir a ideia dos eleitores serem conduzidos e reduzidos em 2010 a passivos observadores de uma disputa plebiscitária entre petistas e tucanos, entre Serra e Dilma.

Pior ainda, pensa Marina, se tudo virar um grande Palmeiras e Flamengo eleitoral. Uma inaceitável disputa de egos, como muitos já antecipam, entre o tucano Fernando Henrique Cardoso, “cujo mandato duplo terminou há oito anos”, e o petista Lula, “cujo governo também de oito anos, está prestes a chegar ao fim”, protesta Marina em Salvador.

E a candidata verde volta a considerar imperdoável a rasteira do PSB e do governo Lula – “de quem Ciro Gomes foi um dos amigos e aliados mais competentes e leais, até em questões polêmicas e delicadas como a transposição das águas do rio São Francisco” – no deputado socialista pelo Ceará.

“Quem poderia dizer se o Ciro seria ou não presidente eram os brasileiros e brasileiras”, disse Marina na conversa com Mário Kertész na Rádio Metrópole, cercada por todos os lados de mensagens via internet e telefonemas de aprovação e elogios de ouvintes durante e depois de um dos programas de maior audiência do rádio na Bahia.

Na entrevista e nas andanças e contatos baianos, a pré-candidata lançada domingo passado pelo PV em ato na cidade de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense (com anúncio do empresário da Natura como candidato a vice -, tambem para marcar diferenças), Marina falou de sua saída do PT sem atirar pedras em antigos companheiros.

A senadora acreana destacou avanços do governo do presidente Lula – sem esquecer o de FHC, e sem o mesmo entusiasmo em relação ao presidente petista revelado recentemente por Serra na visita a Recife, ou os petardos pesados que Dilma costuma disparar contra o período do governo tucano.

No fim, disse fazer política com humildade e sabedoria – que segundo a senadora acreana são virtudes tipicamente femininas . Mas deu o tom pessoal que ela pretende seja a marca de sua caminhada nesta campanha presidencial e de um eventual e surpreendente caso de triunfo eleitoral: “Vamos manter o que já temos de bom, mas vamos transitar para o futuro”.

A torcida do Vitória, o glorioso Leão da Barra de garra e tradição, que acaba de chegar de supresa para a decisão com o Santos da Copa do Brasil, também agradece.

Bola pra frente!

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares@terra.com.br

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 22 Maio, 2010 at 8:06 #

Caro VHS

Vivemos uma quadra triste, uma mesmice hipnótica, uma ditadura de conceitos, sob o rarefeito deserto de idéias, de esperanças que não as ditadas pelo temor de contestar.

O PT, esse engano de sociólogos e religiosos, que em nome do que chamavam “politicamente correto”, por anos desfilou como vestal, despiu-se em praça pública e, sem pejo, adotou a fantasia tucana.

Esses mesmos tucanos, aves estranhas, que vestidas no rigor do black-tie, ostentam bicos de fantasia.

Lula repete FHC, que nada mais é, ou foi, do que o sociólogo cordial patrocinado pela tal fundação Ford, quando tantos outros eram simplesmente imolados.

O país, por certo, e é só consultar mapas e respectivas distribuições de riquezas, é, e será, economicamente grande. Terras, minérios, petróleo, sol, e uma massa de trabalhadores sindicalizada sob a bsatuta do Estado.

Lula, tal qual FHC, discursam em tons diversos, sobre todas as coisas, menos sobre a política monetária, e sua correspondente política fiscal, que servem sem nenhuma restriç~çao ao Sistema Financeiro.

Para o sistema, as altas políticas do Estado, para o povo, as migalhas dos projetos sociais.

E que faz sua jaguatirica?

Sobre economia se cala, ou disfarça.

Sobre a condução desta, elogia e dioz querer goivernar com o “melhor” de um e de outro. Ou seja, como “Meirelles” da vez.

Jaguatirica é realmente um animal sedutor, de tantas lendas e contos, um pedrador simpático, um furtivo espécime da tão decantada floresta.

Por seu porte acanhado, frágil, tem como hábito predar animais pequenos, sem alardes, satisfazendo-se com o que encontra em suas caminhadas sobretudo noturnas.

Assim como nomear marido, esse surpreendente técnico agrícola, Fábio Vaz de Lima, no seu Gabinete do Senado, enquanto ministra, pela mão amiga e prestativa de um Sibá, seu suplente de fé e camarada, ou, ao se ver flagrada, transferir o tal “consorte” para uma secretaria de governo de um outro convia, o Binho Marques, Governador do Acre.

Pequenas presas, pequenos hábitos, pequenas ranhuras na ética, que compõem características, que independem do porte.

Triste pleito, marian, a que se apresenta como alternativa, na verdade professa o mesmo ideário político-econômico dos iguais que se digladiam na liderança.

Quanto ao Vitória, que oportuno que a final seja decidida entre ele e o santos, dois times que subverteram a mesmice futebolística atual.


luiz alfredo motta fontana on 22 Maio, 2010 at 8:34 #

errata

bsatuta = batuta

restriç~çao = restrição

dioz querer goivernar = diz querer governar

como “Meirelles” da vez. = com o “Meirelles” da vez.

convia = conviva

marian = Marina


Marco Lino on 22 Maio, 2010 at 15:56 #

Gostaria de parabenizar VHS pelo belo texto e tb o Fontana pelo contraponto. Só acho que VHS confundiu a Copa do Brasil com o Campeonato Brasileiro. A Copa sempre reserva surpresas (como o Sport que foi campeão com um time medíocre ano passado), diferente do Brasileiro.
Abs


Mariana Soares on 22 Maio, 2010 at 18:36 #

Mais um texto formidável, meu irmão, especialmente neste caso porque trata de maneira realista e, ao mesmo tempo, afetuosa, de duas grandes alegrias para mim: meu Vitória, que ora desponta para tentar ganhar o seu primeiro título brasileiro, o qual, se Deus quiser, vai levar dentro do Barradão, e Marina, minha candidata nas próximas eleições, não só pela confiança que deposito nela, mas, sobretudo, por ela ser diametralmente diferente dos seus opositores, em tudo e por tudo.


luiz alfredo motta fontana on 23 Maio, 2010 at 6:16 #

Cara Mariana

Uma verdade incontestável:

Você não está só na sua opção, ao contrário, reconheço, está em ótima companhia.

Veja a matéria da Folha de São Paulo de hoje (Domimgo, 23 de maio):

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“Verdes bárbaros

Desiludidos com o PT , Caetano, Gil e Bethânia aderem a Marina Silva; senadora vira o xodó dos artistas

BERNARDO MELLO FRANCO
DE SÃO PAULO

Porta-voz de temas da moda, como o ambientalismo e o consumo consciente, a senadora Marina Silva (PV-AC) virou a queridinha dos artistas na corrida presidencial.
Ela tem atraído a adesão de estrelas desiludidas com o PT, que não se animam a votar na candidata do presidente Lula, Dilma Rousseff, e rejeitam o PSDB de José Serra.
O movimento, espontâneo, é encabeçado pelos doces bárbaros Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethânia. Em 2002, todos apoiaram Lula contra Serra. Oito anos depois, decidiram “marinar”.
“Marina é novidade com beleza. É disso que artistas gostam”, diz Caetano. “Não dá para ver uma mulher tão elegante, coerente, sincera e honesta e não querer dar-lhe o cargo mais alto”.
Depois de definir a senadora como uma mistura de Lula e Barack Obama, o cantor diz que ela representa a “continuação do amadurecimento político brasileiro”, um passo além de Lula e Fernando Henrique Cardoso.
“Votar em Dilma por lulismo é regressão. Votar em Serra pode representar apreço pela alternância do poder, mas é não querer sair do elenco já dado”, justifica.
Ministro da Cultura de Lula por cinco anos e meio, Gil foi a estrela da festa de lançamento da pré-campanha de Marina, domingo passado.
Cantou, chamou a senadora de “cabocla decidida e dedicada” e afirmou que ela encarna a “dimensão espiritual profunda do nosso povo”. “Meu coração pediu assim”, resumiu ele, filiado ao PV.

VOTO DECLARADO
Avessa aos palanques, Bethânia quebrou uma tradição para declarar a escolha. “Não escondo de ninguém que meu voto é dela. De Marina e da floresta amazônica”, disse, via assessoria.
Ela já havia indicado a preferência em outubro passado, em entrevista à revista “Bravo”. “Marina me arrebata. É nobre, firme, sóbria e passou pelo governo federal sem se manchar”, disse.
“Jurei que não votaria mais em candidato nenhum, nem do Executivo nem do Legislativo, mas a Marina talvez me anime a voltar atrás.”
A quarta integrante dos Doces Bárbaros, Gal Costa, não respondeu. Em 1989, ela cantou o jingle “Lula-lá” na TV. Hoje, diz uma assessora, prefere não falar de política.
A “onda verde” contagia outros expoentes da MPB, como a cantora Adriana Calcanhoto, que cantou e discursou na festa da pré-campanha em Nova Iguaçu (RJ).
A presença dos artistas indica que Marina deve explorá-los fartamente no horário eleitoral gratuito. Em 2008, o PV usou e abusou de Caetano na campanha de Fernando Gabeira à Prefeitura do Rio. Na reta final, o cantor parecia ocupar mais tempo dos programas que o candidato.
A ausência de Lula, que concorreu nas últimas cinco eleições presidenciais, favorece a migração dos artistas. Mesmo os mais fiéis ao presidente, como Chico Buarque, admitem não sentir grande entusiasmo pela candidata que ele escolheu.
“Vou votar na Dilma porque é a candidata do Lula e eu gosto do Lula. Mas, a Dilma ou o Serra, não haveria muita diferença. Não vai fugir muito do que está sendo traçado aí”, disse, à revista francesa “Brazuca”.
No fim de abril, o maestro Wagner Tiso convidou artistas para um café com Dilma no Rio. O evento foi pouco concorrido. Assinaram a lista de presenças a atriz Cristina Pereira e o sambista Marquinhos de Oswaldo Cruz.
Apesar do crescimento nas pesquisas, a petista enfrenta resistência semelhante no meio acadêmico. Intelectuais que votavam em Lula, como Leandro Konder, Chico de Oliveira e Aziz Ab’Saber, anunciaram apoio a Plínio de Arruda Sampaio (PSOL).”

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Ao que parece, minhas objeções à jaguatirica são solitárias e desprovidas até de trilha sonora.

Uma outra verdade:

Caetano, Gil e Bethânia, estes sim, estão acima do bem e do mal.

Aguardo Tom zé, Gal e os Caymmi!

Quem sabe me resta alguma canção.


Regina on 23 Maio, 2010 at 15:29 #

Mesmo de longe e sem ter muita munição pra entrar nessa parada fico desejando motivos para ir as urnas aqui no Consulado Geral do Brasil em San Franciso e votar para Presidente do Brasil como o fiz qdo segurando a emoção votei duas vezes por Lula. O “verde” de Marina não mexe comigo, suas crenças religiosas me assustam, e, até agora, esse negocio de político fabricado nas coxas pra impressionar, não me enganou. A Dilma me parece mais preparada pra segurar o rojão, embora de pavio curto, é calejada e vem sendo treinada para o cargo por quem aprendeu na luta. O Serra não o conheço e nem faço questão de conhecer, não faz meu genero.
Na politica como no futebal: so depois da partida se pode respirar, ou não…


Mariana Soares on 23 Maio, 2010 at 17:46 #

Caro Fontana, adoro, com muita paixão, a música, mas alguns dos seus cantores ou autores não me chegam muito bem na alma e no coração. Por isso, lhe digo que não estou bem certa se estou, realmente, bem acompanhada na minha escolha pela Marina. Tampouco acredito que você está solitário nas suas objeções a ela.
No meu caso, a escolha talvez seja por pura falta de opção, pois, assim como Regina e você, tenho as minhas restrições também. Todavia, estou bem certa que a escolha pela Dilma ou Serra não honriam o meu voto e este, para mim, como todas as escolhas que faço na minha vida, são de importância vitais. Vamos pra frente, pois o jogo está só no começo.


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