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Postado em 20-05-2010
Arquivado em (Artigos, Janio) por vitor em 20-05-2010 13:09

Marina: “gata é pouco”

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CRÔNICA/PERFIS

Uma doce jaguatirica e um mico dourado

Janio Ferreira Soares

Em agosto de 2009, quando ainda se especulava quais seriam os candidatos a presidente da república, eu fiz um artigo que descrevia a senadora Marina Silva como um bichinho manso e assustado que, se provocado, poderia dar um bote certeiro qual uma jaguatirica acuada. Quando é agora, por ocasião da escolha de Guilherme Leal como seu vice, eis que ela assume publicamente essa sua porção felina.
Tudo começou quando o cartunista Mauricio Ricardo escreveu no seu twitter que ela ia “ficar gata”, já que o seu vice é o dono de uma das maiores empresas de cosméticos do País. Bem- humorada, ela rebateu: “Gata é pouco, vou ficar uma jaguatirica!”. E continuou: “Se você olhar uma jaguatirica, ela é tão doce, é tão leve…!”. Quando um repórter lembrou que o felino também arranhava, ela completou: “Arranha quando ela é injustamente provocada. Uma jaguatirica no seu habitat, respeitada, tem as unhinhas bem guardadinhas e bem macias”. Grande Marina!
Fico aqui, entre o Raso e o Rio, pensando como estariam as pesquisas eleitorais se o nosso pastor Inácio, mui digníssimo entendedor de jogo de peteca a fissões nucleares, andasse com a senadora a tiracolo apresentando-a aos seus seguidores como a sua ungida. Eu sei que é arriscado falar em hipótese, mas acredito que com o seu perfil de mensageira de boas novas, Marina seria quase uma unanimidade. É claro que a questão religiosa – como bem lembrou o ator Wagner Moura numa recente entrevista – é preocupante, principalmente no que diz respeito às pesquisas com células-tronco. Mas nada que um papo com Gil, Gabeira e outros avatares que habitam e curtem os baratos que a floresta proporciona não possa resolver. (Em tempo: Marina é evangélica, enquanto Dilma e Serra, pelo andar da carruagem, são duas entidades comandadas pela religião que melhor lhes convier).

De qualquer maneira, é muito bacana ver uma candidata com um humor natural e hábitos aparentemente normais diante de tantas mutações físicas e ideológicas de seus concorrentes. Mas o melhor é que eu acho que jamais correremos o risco de ver a nossa meiga jaguatirica frequentando algum cabeleireiro da moda, como fez Dilma recentemente, cujo penteado me pareceu uma espécie de homenagem ao topete do mico-leão-dourado. A bicharada e a floresta, na dúvida, agradecem as deferências.

Janio Ferreira Soares, cronista , é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso (BA), no Vale do Rio São Francisco)

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Comentários

lilian on 21 Maio, 2010 at 9:53 #

Ótimo artigo!


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