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Postado em 15-05-2010
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 15-05-2010 10:14


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No artigo deste sábado na Tribuna da Bahia o colunista Ivan de Carvalho segue na análise da questão do aborto e a posição dos candidatos à sucessão presidencial frente a este tema polêmico, cuja questão essencial para o jornalista político está relacionada com os direitos humanos. “Não há pena de morte no Brasil e, se houvesse, não deveria ser aplicada aos inocentes. Ou deveria?”, questiona Ivan no texto que Bahia em Pauta reproduz.

(VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

Dilma e o aborto

Ivan de Carvalho

No artigo publicado ontem neste jornal, sob o título “O aborto na sucessão”, concluí com o seguinte parágrafo: “Assim como a petista Dilma precisa esclarecer ao eleitorado, sem deixar margem a dúvidas, se é ou não a favor da liberação do aborto e como se comportará a respeito se for eleita presidente da República, o tucano José Serra tem a mesma obrigação de clarificar sua convicção e sua eventual ação na Presidência da República. E que falem todos em linguagem clara, do tipo em que sim é sim e não é não”.

É que no artigo eu afirmara que só a candidata Marina Silva tem posição absolutamente clara a respeito da sua posição pessoal e de como poderá agir a respeito da liberação do aborto no governo – ela admite um plebiscito para que a população decida a respeito, por entender que não pode impor à nação sua convicção pessoal. Mas se ela estiver na presidência e houver o tal plebiscito, está evidente que ela fará campanha para convencer o eleitorado a votar contra a liberação do aborto.

Mas, quanto a Dilma Rousseff e José Serra? Continuaremos aguardando que o candidato tucano esclareça sua posição. Dilma Rousseff, avisaram-me, já deixara as coisas claras a respeito, numa entrevista à revista Marie Claire.

Primeiro, a revista mesma deixou clara sua posição ao fazer uma pergunta a respeito a Dilma Rousseff. “Uma das bandeiras da Marie Claire é defender a legalização do aborto. Fizemos uma pesquisa com leitoras e 60% delas se posicionaram favoravelmente, mesmo o aborto não sendo uma escolha fácil. O que a senhora pensa sobre isso?”.

A resposta de Dilma Rousseff: “Abortar não é fácil pra mulher alguma. Duvido que alguém se sinta confortável em fazer um aborto. Agora, isso não pode ser justificativa para que não haja a legalização. O aborto é uma questão de saúde pública. Há uma quantidade enorme de mulheres brasileiras que morre porque tenta abortar em condições precárias. Se a gente tratar o assunto de forma séria e respeitosa, evitará toda sorte de preconceitos. Essa é uma questão grave que causa muitos mal-entendidos”.

Repito a frase-mestra de Dilma Rousseff: “Agora, isso não pode ser justificativa para que não haja a legalização”. E acho que, com essa frase, a questão está muito bem entendida.

Mas a revista insiste um pouco mais no tema. “Hoje, o que é preciso para legalizar o aborto no Brasil?” E Rousseff responde: “Existem várias divisões no país por causa dessa confusão, entre o que é foro íntimo e o que é política pública. O presidente é um homem religioso e, mesmo assim, se recusa a tratar o aborto como uma questão que não seja de saúde pública. Como saúde pública, achamos que tem de ser praticado em condições de legalidade”.

Pronto. Não é necessário entrar na questão religiosa, uma questão importante, mas que fica para outra ocasião. Como não é necessário entrar em questões de foro íntimo, nem em questões de saúde pública, que Rousseff e o presidente Lula, segundo ela, levam tão em conta quando se trata de aborto. A questão fundamental no aborto, sob o ponto de vista da sociedade e do Estado, é a dos direitos humanos e, nestes, a dos direitos naturais. O direito à vida. O direito da pessoa inocente e absolutamente indefesa que ainda não nasceu de não ser geralmente torturada no ventre materno e morta. Não há pena de morte no Brasil e, se houvesse, não deveria ser aplicada aos inocentes. Ou deveria?

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 15 Maio, 2010 at 11:21 #

De um lado o acessório, de outro a extrema segurança de quem não está afetado

Presidentes governam sob o manto do Estado de Direito, ao menos, é o que se espera numa democracia.

Assim, como não legisla, e certamente o tema não é atinente à medidas do tipo MP, a discussão sobre o tema é mero acessório, beirando o estéril, sem nenhuma consequência prática.

De outro, ao manifestar do alto da condição masculina, portanto infenso a qualquer possibilidade, que não a psicológica, de ser atingido pelo fenômeno da gravidez, torna-se fáci, ao articulista,l remeter às calendas, como inadequado, o foro intímo.

Lembrando que “in casu” o tal foro intímo, sempre será o da mulher. Aquela que pertence a um genero que. só ontém, adquiriu diretos, como,por exemplo, votar.

A questão não é simples, e muito menos adstrita ao conceito primário de direito à vida, como busca determinar o colunista, como certamente não será sua solução, nem menos, ao que parece, iminente na história dessa jovem e frágil democracia, que ainda não encontrou sequer, mecanismos que garantam direitos fiundamentais ao conjunto da nação.

De qualquer forma, é no universo feminino, que a resposta poderá ser dada, com o discernimento necessário.

Dispensa-se o voluntarismo masculino, afinal, elas já podem votar.


luiz alfredo motta fontana on 15 Maio, 2010 at 11:33 #

errata

intímo = íntimo


Site Aborto Não PT Não on 28 Maio, 2010 at 21:17 #

Olá! Estou criando um site “pró-vida” para divulgação da política “pró-aborto” do PT.

“Aborto Não PT Não”

# Por favor me ajude a divulgar. #

http://www.abortonaoptnao.com

Obrigado!


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