maio
12

Plácido (com Adriana): volta do homem-bomba?

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Em sua coluna desta quarta-feira o jornalista político Ivan de Carvalho analisa o significado da posse de Plácido Fárias, PSL, na Câmara de Vereadores de Salvador. Com casa cheia, o chamado homem-bomba no caso da denúncia dos grampos telefônicos na Bahia, tomou posse ontem no mandato de vereador da capital – em substituição a Alan Castro, do PTN, que pediu licença, alegando “motivos pessoais” .============================================
OPINIÃO POLÍTICA

Impossível não é, mas é bem improvável que Plácido Farias, Procurador da República, atue na Câmara como homem-bomba nesse caso polêmico, avilia Ivan no texto que Bahia em Pauta reproduz.

(VHS)

O plácido homem-bomba

Ivan de Carvalho

Com casa cheia, tomou posse ontem no mandato de vereador da capital – em substituição a Alan Castro, do PTN, que pediu licença, alegando “motivos pessoais” – o suplente e procurador da República Plácido Farias, do PSL.

Farias tem o propósito de engrenar uma carreira política, mas não está fácil. O começo de muitas carreiras políticas é assim mesmo. Lula foi candidato a presidente da República três vezes e só na quarta venceu.

Farias estaria se preparando para fazer a terceira tentativa. Uma interpretação corrente nos meios políticos é a de que ele entendeu-se com o vereador Alan Castro para este licenciar-se por “motivos pessoais”, explicados pelo próprio Castro como uma maneira de ficar mais disponível para trabalhar na campanha eleitoral. Explicação disparatada essa. Nesse entendimento, é óbvio, nem todas as cláusulas foram proclamadas.

Mas não é Alan Castro a figura principal a ser considerada no caso. Esta é o novo vereador Plácido Farias. Ele ganhou notoriedade com o caso dos grampos, quando a Polícia Civil da Bahia pediu a uma autoridade judicial e obteve autorização para escutas telefônicas de muitas pessoas e, entre elas, sem mais aquela, Plácido Farias, que mantinha um romance com uma ex-namorada do senador Antonio Carlos Magalhães. Embora Farias haja, ontem, afirmado que não quer ser lembrado como vítima do grampo promovido por uma pessoa que já não está entre nós (queria dizer ACM), mas por suas próprias ações e méritos que tenha ou venha a ter, isso não impediu especulações políticas envolvendo o grampo.

Uma delas seria a de que, sendo Farias uma espécie de “afilhado” político do deputado federal Jonga Bacelar, do PR (Farias disse que Jonga é o responsável principal por sua atividade política), seria a arma para o senador César Borges, candidato à reeleição na coligação liderada pelo PMDB, atacar, se preciso, Otto Alencar, candidato a vice-governador pela coligação liderada pelo PT.

Impossível não é, mas é bem improvável que Plácido Farias atue como homem-bomba nesse caso do grampo. Embora Plácido Farias fosse emblemático como acusador, ele já reconheceu o que estava evidente – a ação incontrastável de ACM para que o grampo ocorresse. O caso dos grampos desdobrou-se nos governos de César Borges e Otto Alencar, de modo que dificilmente haverá interesse de qualquer deles ou das forças que os apóiam de debater esse assunto. E até porque o grampo deve ter passado por cima dos dois, direto do senador ACM para a secretária de Segurança Pública da época, Kátia Alves.

Se eu tivesse que apostar, cravaria no palpite de que Plácido Farias assumiu o mandato de vereador para ganhar visibilidade – para o que já se esforçou desde ontem, ao atacar as secretarias municipais de Educação e de Saúde – e cimentar uma eventual eleição para deputado estadual. Mas os ataques a setores da administração municipal logo provocaram especulações de que Plácido Farias poderia ser usado pelo ex-ministro Geddel para bombardear o prefeito, caso este não se empenhe na campanha eleitoral majoritária como ele deseja.

A “imaginação política criadora” – expressão criada pelo ex-presidente Geisel – não tem limites.

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